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    Nossa ética

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    Um homem da ciência não deve ter desejos nem afeições, somente um mero coração de pedra (Charles Darwin).

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Postagem em Destaque.

Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...

O universo e sua universalidade.

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Não há dúvidas do quão recente é a existência humana quando comparada ao universo. Afinal, o universo é atemporal... Sempre existiu e sempre existirá! E, parece-me, a consciência humana da efemeridade existencial produz, inconcientemente, comportamentos psicológicos semelhantes aos verificados no transcurso do luto, ou seja, negação, raiva, barganha, depressão e aceitação não, necessariamente nessa ordem, em relação à imutabilidade dessa terminalidade existencial.

Como sabemos, a vida eterna sempre foi desejo do ser humano, o que pode ser capturado pelas ideias iniciais de sermos o centro do universo e pela convicção religiosa de formos feito à imagem e semelhança do Deus cultuado. Assim, a evolução científica sobretudo nas áreas da astronomia e da física tem produzido na humanidade um misto de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação da realidade.

Assim, para aflição de alguns e deleite de outros, o vídeo abaixo apresenta as primeiras imagens geradas a partir da captação do mais recente telescópio espacial desenvolvido em cooperação - NASA, Agência Espacial Europeia, Agência Espacial Canadense. Seu nome, James Webb. 


As imagens capturadas por este telescópio e por telescópios anteriores são deslumbrantes e devem servir para ratificar que o universo é infinito; que a nossa galáxia (Via Lactea) é apenas uma entre as incontáveis galáxias do universo; e que a terra é apenas mais um planeta entre os incontáveis planetas existentes no universo. O fato de a terra ser apenas mais um corpo celestial no universo não deve ser considerando depreciativo ou humilhante! A sensação de inferioridade porventura manifestada por alguém deverá ter como motivo o fato de historicamente ter-se construido a convicção de que a terra era o centro do universo.


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Um "Freio de Arrumação" se faz necessário.

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A figura acima é uma fotografia da galáxia Via Láctea, tirada pelo telescópio Hubble. Como já sabemos, a via láctea é apenas uma das milhares de galáxias existentes no universo. Ainda não se sabe, exatamente, quantas dessas formações existem e, considerando-se que o universo é infinito, nunca saberemos.

O planeta terra está em algum lugar nesta galáxia, no meio de estrelas, cometas, outros planetas e demais corpos celestes. Nem tente visualizar a terra nesta foto porque não será possível. Outras galáxias já identificadas e batizadas, como a galáxia de Andrômeda (figura abaixo), possuem composição estrutural semelhante à nossa galáxia via láctea. Ou seja; possuem planetas, estrelas, cometas etc; o que nos sugere deduzir que se trata de uma organização estrutural elementar do universo.

A partir do exposto algumas questões, inevitavelmente, povoam o nosso imaginário: 1) existe alguma forma de vida humana ou não humana fora da terra? 2) se não existe vida fora da terra, existem condições de habitabilidade para a espécie humana em outro lugar do universo que não seja terra?

No momento em que se inicia um ciclo - ano 2022 - novo no calendário dos humanos e que as pessoas, geralmente, se permitem alguns minutos de reflexão, parece conveniente entendermos onde estamos no universo para percebermos a enormidade da nossa pequenez e fragilidade. Claro que os projetos pessoais e até individuais são importantes! Mas esses projetos de nada valerão, caso a terra venha a se tornar um lugar inviável para sustentar a frágil vida humana.

A terra está se tornando SIM um lugar inviável para abrigar a vida humana! Tanto do ponto de vista meramente biológico como social. A dimensão biológica diz respeito ao comprometimento no fornecimento de água potável, biodisponibilidade de oxigênio e desequilíbrio de gases que promovem "efeito estufa" (CO2, CH4, CFC). A dimensão social refere-se à fome, miséria e toda a sorte de perseguição política e religiosa. Se serve de consolo, sabemos que o ser humano é capaz de dar um "Freio de Arrumação" e reorientar os rumos. Na verdade; somente o "Animal Humano" é capaz realizar essa tarefa, que já está atrasada.

A terra no Sistema Solar.
É uma péssima ideia esperar que o outro mude de atitude e comportamento primeiro.


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A dependência humana de água é vital e sem floresta não haverá água.

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A CONTRIBUIÇÃO DOS VEGETAIS NA GERAÇÃO E MANUTENÇÃO DA VIDA HUMANA NA TERRA É DECISIVA. A PARTICIPAÇÃO DOS ANIMAIS HUMANOS NA DESTRUIÇÃO DA VIDA VEGETAL, TAMBÉM É DECISIVA.

É fato que os biólogos sempre foram criticados e até perseguidos por setores da sociedade sob a acusação de "Impedirem o Progresso" com as suas implicações românticas relacionadas ao meio ambiente.

Para quem não tem formação na área das Ciências Biológicas, digo que esta é uma das formações mais holísticas da academia. Para resumir, durante a graduação, o acadêmico transita pelos Reinos: Monera (algas + bactérias), Protista (protozoários), Fungi (fungos), Plantae ou Vegetalia (vegetais) e Metazoa ou Animalia (animais).

A despeito de qual área o biólogo venha escolher para se aprofundar no seu itinerário formativo / profissional, o encantamento pelo Reino Vegetal é praticamente uma unanimidade. Ou seja, para o biólogo não restam dúvidas que a vida na terra é INVIÁVEL sem as condições ambientais que sustentem, satisfatoriamente, o Reino Plantae.

Felizmente, desde os últimos cinquenta anos, a fileira de ambientalistas só tem se avolumado. Ela é bastante heterogênea e inclui políticos, artistas, religiosos, crianças, profissionais das diversas áreas e, evidentemente, pessoas com formação nas ciências naturais. Para ser mais preciso, o século XXI se apropriou, definitivamente, da agenda ambiental. Mas não devemos ser ingênuos de acreditar que essa mudança de atitude foi por puro romantismo. A motivação foram os sinais emanados, cada vez mais contundentes, de que as condições mínimas para a viabilidade da espécie humana na terra estão sendo esgotadas e a busca de condições para abrigar a vida humana fora da terra tem se mostrado infrutífera.

Se ainda restam dúvidas de que o Reino Vegetal é o sustentáculo da vida humana na terra, a figura acima resume, com bastante propriedade, as três atividades realizadas pelos vegetais, ao longo de 24 horas, e os produtos resultantes dessas atividades: CO2, O2 e H2O.


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COVID-19 e a escalada da morte no Brasil.

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ONG Rio de Paz - publicado em 18/06/2021

Há quem diga que o cenário caótico que se abateu sobre o país, por ocasião da atual pandemia, é resultado da incompetência do governo federal que tem a liderança do presidente Jair Messias Bolsonaro.

Embora eu tenha as minhas convicções políticas e partidárias cumpro o dever de, em respeito aos leitores, guardá-las para mim. Assim, a linha editorial deste blog não prevê manifestações políticas de cunho partidário e os leitores já devem ter percebido isto! Os posicionamentos que exteriorizamos aqui, embora não deixam de ser políticos, possuem outra dimensão e dizem respeito à politica de saúde, politica de educação, politica ambiental, enfim, políticas públicas de estado ou de governo.

Dito isto, considero que para conseguir uma marca dessas (500.868 mortos) foi necessário muito planejamento e articulação de governo. Assim;

Rotular o governo federal de incompetente no manejo da atual pandemia chega a ser um desrespeito. O governo federal está demonstrando sim competência. Muita competência..., para o mal.

E se estivéssemos lamentando esta tragédia numa perspectiva de cenário melhor para os próximos dias / meses até seria um alento. O problema é que são 500.868 mortos e a contagem continua a uma média de aproximadamente 2000 mortes por dia.

https://globoplay.globo.com/v/9619854/
Observando a imagem ao lado constatamos que, ao longo dos últimos quinze meses (março-2020 a junho-2021), a doença reinou no país. A curva de mortes sempre esteve em alta ou em tendência de alta.

Instituições de pesquisas e especialistas em epidemiologia / bioestatística apontam que se a campanha de vacinação não acelerar e se seguirmos negligenciando na adoção das medidas / atitudes não farmacológicas (distanciamento físico seguro, uso correto de máscara e higienização das mãos) poderemos atingir 850.000 mortes até o arrefecimento. Considerando o tamanho da população brasileira e a meta de vacinação com 1ª dose e 2ª dose dos elegíveis até dezembro de 2021, a aceleração teria que ser da ordem de 2.000.000 por dia. Sem querer ser alarmista é pouco provável que consigamos e a explicação é simples: Não tem doses disponíveis! Tem sim vacinas contratadas com entregas à conta-gotas porque quem contratou primeiro tem a preferência da entrega.

Não precisa ser "vidente" para perceber que a escalada de mortes por covid-19 continuará no Brasil nos próximos meses não só devido aos atos, atitudes e omissões do governo federal mas, também, porque a sociedade parece já ter decidido que não aceita morrer de fome isoladas nas suas casas. As pessoas, mesmos cientes dos riscos, estão se sujeitando às aglomerações do transporte público e das ruas em busca da sobrevivência. Em contraste, pessoas que tem condições de adotar as medidas de distanciamento físico abdicam do privilégio e aglomeram em festas, como se não houvesse amanhã.



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Os micróbios são uma ameaça real à presença da espécie humana na terra?

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Ao longo da, relativamente, curta história do homem na terra é recorrente a indagação acerca da prevalência da espécie humana no planeta sempre que situações que parecem incontroláveis ocupam de maneira importante o cotidiano da "Super Espécie". Interessante registrar que essas indagações nem sempre evidenciam preocupação! Algumas soam como manifestações de alívio, com um eventual desfecho que resultasse na eliminação da homem da face da terra.

Debruçando-me, imparcialmente, sobre a questão em apreço sou de opinião que se nos períodos de completa escuridão do conhecimento científico humano os micróbios não conseguiram eliminá-lo, admito que a oportunidade ou possibilidade foi perdida!

Em sendo solicitado estabelecer um marco temporal para o início do domínio do homem sobre os microrganismos eu me reportaria ao século XX, sobretudo a partir da segunda metade do referido século quando, com a descoberta da penicilina, a humanidade insere-se, efetivamente, na era dos antimicrobianos.

Concordo que as epidemias / pandemias que acometeram a humanidade até a primeira metade do século XX colocaram sim em dúvidas a permanência da humanidade. Um exemplo ilustrativo é a Peste Negra (Sec. XIV) que dizimou aproximadamente 1/3 da população da Europa. A Gripe Espanhola (Séc. XX) também foi extremamente agressiva e produziu milhões de mortes em todo o mundo.

Enterro coletivo em vala comum: Manaus, Brasil
Embora, no caso da atual pandemia (Novo Coronavírus), as imagens de enterros coletivos em valas comuns, em várias partes do mundo, sejam deprimentes e chocantes, a capacidade de resposta da ciência contemporânea se mostrou extremamente efetiva a ponto de, em tempos recordes, termos o isolamento do agente etiológico, que recebeu o nome de SARS-CoV-2, e a divulgação das primeiras vacinas com excelentes parâmetros de segurança e eficiência.

Também, em tempo recorde, a ciência acumulou informações eficientes / eficazes para prevenir o contagio e propagação da enfermidade (higienização das mãos, uso de máscaras, distanciamento social). No entanto, os governos e a sociedade precisavam ou precisam se apropriar e aplicar as orientações da ciência mas, em vários lugares do mundo não foi o que se viu e não é o que se está vendo. Fato é que, embora a pandemia do Novo Coronavírus ainda esteja bastante ativa no mundo, é possível afirmar que grande parte do fracasso no combate a essa enfermidade deve ser creditada a aspectos políticos e religiosos que ainda permeiam todo o curso da atual Peste. Misturam religião com interesses meramente político-partidários e o povo é estimulado a negligenciar as orientações de base científica.

Outras pandemias virão e a resposta da ciência será cada vez mais efetiva. Infelizmente vidas serão ceifadas, mas nenhuma pandemia colocará em risco a prevalência da espécie humana na terra. Salvo algum evento externo à biosfera, somente o próprio homem é capaz de viabilizar a sua própria extinção.



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A pandemia do Novo Coronavírus no Brasil e a ilusão da vaga na UTI.

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Passados mais de trinta anos da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), impressiona o quão arraigada está na nossa cultura a imagem imediatista da abordagem curativista das doenças.

No campo da Saúde Pública / Saúde Coletiva o exercício cotidiano dos sanitaristas reside na tentativa de implementar o paradigma novo da abordagem preventiva. Paradigma, que sabemos, não é tão novo assim e muito menos questionável, em tese. 

É fato que está sedimentado na sabedoria popular o provérbio "É melhor prevenir do que remediar". Porém, quando se trata de doença, o que queremos mesmos é um lugar, de preferência suntuoso e cheio de equipamentos de última geração, para nos receber e nos "Devolver" a tal saúde perdida.

Considerando isto, no caso do Brasil, foi relativamente fácil ao segmento empresarial pressionar o segmento político no sentido de alimentar a ideia de que a melhor estratégia para enfrentar a pandemia do Novo Coronavírus (SARS-CoV-2) é garantir o funcionamento pleno do segmento econômico. E, quanto ao povo, é suficiente demonstrar que está tudo sob controle, pois existem vagas suficientes nas UTI's.

Assim foi feito e, ultimamente, passamos a verificar uma corrida desenfreada de Estados e Municípios objetivando oferecer vagas em enfermaria e UTI para receber as pessoas que sabidamente adoecerão, uma vez que o passo seguinte seria a flexibilização do isolamento social. Para o povo a solução perfeita porque, além de poder buscar o sustento, sairiam do confinamento doentio e passariam a frequentar lojas, praias e bares. Como dizem; Teriam a vida de volta!


Como sabemos fazem, aproximadamente, seis meses que o mundo passou a ter conhecimento que na China estava em curso uma nova virose com potencial pandêmico e em três meses a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhecia que o surto chinês havia evoluído para epidemia e agora já se tratava de uma pandemia.

Hoje é possível constatar que por onde o SARS-CoV-2 passou o comportamento dos governantes foi decisivo para o desfecho da onda viral. Nos países onde houve sintonia fina entre a política e a ciência os danos foram atenuados sobremaneira. Alguns países, entretanto, optaram politicamente por negar a epidemia, descredenciar a OMS, ocultar informações epidemiológicas à população e quando decidiram rever o rumo os prejuízos em termos de perdas de vidas humanas já eram assustadores. 

Foi também no "outro lado do mundo" que se verificaram os melhores exemplos de manejo adequado da pandemia e esses países se tornaram referências mundiais para aqueles que decidiram trilhar o melhor caminho.

No Brasil os exemplos do chefe do executivo da nação foram e ainda são os piores possíveis! O Presidente da República simplesmente assumiu de público o seu desejo que a população se expusesse ao vírus, sob a alegação de que mesmo com o isolamento social o contágio seria inevitável e os danos econômicos seriam profundos. A partir dessa postura do governo central toda a sorte de dificuldade foi estabelecida no manejo da virose nos diversos Estados: as medidas de suporte social privativas do governo federal às unidades federadas, aos pequenos empresários e aos trabalhadores aconteceram de forma extremamente lenta pairando até mesmo dúvidas se o retardo não foi deliberado objetivando desestimular qualquer planejamento de isolamento social.

No meio do fogo cruzado entre governo federal, governos estaduais e governos municipais os poderes judiciário e legislativo federal realizam intermediações tentando contemplar os pequenos empresários e o trabalhador que se encontra sem renda, sem garantia de emprego sem a adequada ajuda do poder público.

Diante do cenário restou ao trabalhador implorar pela garantia de uma vaga na UTI porque permanecer em isolamento social não era mais viável. E a constatação de que a população não estava mais em condições de realizar o isolamento social e tudo o que queria era uma vaga na UTI soou como uma música nos ouvidos de governos e empresários. Não demorou e passamos a ter uma corrida na instalação de leitos e os consequentes protocolos de abertura dos serviços que se configura, na prática, abandono do isolamento social e instalação da estratégia de "Imunidade de Rebanho".

De maneira geral eu acredito que a população tem ciência que, no caso da contaminação pelo Novo Coronavírus, a suposta garantia de vaga na UTI não é garantia de sobrevida! O que está por trás desse desejo é apenas a manifestação do desespero de saber que, ao ser obrigada a abandonar o isolamento social, poder morrer em casa, sem AR. 


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Os testes para diagnóstico de COVID-19 e as pseudo controvérsias.

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Importa pouco a experiência clínica para reconhecer sinais e sintomas de COVID-19 uma vez que, na fase inicial, eles seguem um padrão genérico comum a praticamente qualquer virose respiratória. Se quisermos falar em achado patognomônico, talvez já seja possível associar a imagem do pulmão comprometido, através da tomografia computadorizada, que evidencia aspecto de "vidro fosco".

O fato é que o diagnóstico de COVID-19 é essencialmente laboratorial. Quando muito, é possível enquadrar o paciente dentro da definição de "Caso clínico", cujo enfoque é epidemiológico, para orientar a tomada de decisão em Saúde Pública. Entretanto, ao falarmos em diagnóstico laboratorial, tem-se algumas possibilidades de testes e isso produz muita confusão na cabeça das pessoas. Já no âmbito das autoridades sanitárias isso não pode ser motivo de controvérsia!

Nenhuma autoridade sanitária - deve ou deveria! - aconselhar uma autoridade política (prefeito, governador, presidente) a passar para a população a ideia de que os testes imunológicos: imunocromatografia (teste rápido), imunoensaio enzimático (ELIZA) e quimiluminescência são suficientes para o adequado manejo dessa enfermidade.

Somente exames fundamentados em métodos baseados em Biologia Molecular são capazes de identificar o material genético do agente etiológico presente na amostra clínica e, portanto, ratificar com segurança a infecção com ou sem doença. A precisão é tamanha que, através do exame RT-PCR, a presença do Sars-CoV-2 pode ser detectada a partir de 24 horas de contaminação. Entretanto o sucesso do exame está condicionado à qualidade da amostra.

Vender para a população a ideia da suficiência desses testes imunológicos no manejo da COVID-19 pode resultar na pior estratégia de controle, dado ao potencial que esses testes tem de produzir uma informação que agrada ao paciente (por exemplo, você não está infectado!), mas que não representa a realidade.

No momento em que a população manifesta forte resistência a qualquer orientação de isolamento social como medida profilática, a informação resiste como imprescindível para apoiar as atitudes e comportamentos públicos, considerando que tratamento e vacina para o enfrentamento ao COVID-19 ainda figuram no território do desejo.


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Não ouço, não vejo e não falo sobre política.

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Há quem diga que sobre política, futebol e religião não se deve falar porque nunca se chegará a um entendimento. Quando se trata de futebol até compreendo esse posicionamento, uma vez que envolve paixão, ou seja, é algo passional e, portanto, extrapola a racionalidade. Quando diz respeito à religião também parece compreensível pela dimensão subjetiva do tema e cuja âncora chama-se fé. Mas, e política?! Por que será que tantas pessoas assumem, deliberadamente, que detestam política? Chegam até a afirmar que são apolíticos! Ou seja, são estranhos à política. Pergunta-se; existe um indivíduo humano apolítico?!

Segundo o filósofo Grego Aristóteles (384 a.C – 322 a.C), o homem é por natureza um animal político. Ele argumenta que a sociedade humana não é algo artificial, mas fruto da própria natureza desse animal e resultado das suas necessidades. Conclui que são essas necessidades humanas que os levam a agir de certas maneiras sob certas condições.

Nas suas reflexões Aristóteles afirma, inclusive, que “o homem é um animal político mais ainda que as abelhas ou que qualquer outro animal gregário.” Isso porque o homem é o único animal que possui linguagem. Os demais animais até são capazes de expressar, prazer e dor e assim revelar quando algo agrada ou desagrada. Porém, o homem foi equipado com algo mais avançado que os grunhidos animais: a linguagem. Dessa forma, os seres humanos têm capacidade de falar, capacidade essa que pode ser usada para comunicar suas ideias sobre o que é certo e errado, assim como o justo e o injusto.

Ante ao exposto nos perguntamos: o que querem verbalizar os animais humanos que alegam odiar a política e que querem distância da política? Com certeza esses humanos não estão se referindo à política na dimensão imaginada por Aristóteles pois a política na visão Aristotélica é executada constantemente nos atos e atitudes mais simples do nosso cotidiano. Afinal, tomamos decisões politicas em família, na igreja, no trabalho, na escola, nas relações com os amigos, etc. Às vezes o nosso posicionamento é tão sutil que sequer classificamos como decisão política.

Entendemos que as pessoas que rechaçam a política o fazem se referindo a uma faceta da ação política que passamos a denominar “Política Partidária”. Mas essa repulsa / repugnância à politica relacionada aos partidos políticos e aos poderes instituídos não parece ser gratuita. Ela tem raiz no nosso passado histórico. No próprio processo de colonização.

Há quem afirme que o cenário político-partidário no Brasil já foi bem pior! Afinal, estamos vivendo sob um regime democrático há mais de trinta anos! Mas o cenário atual, por melhor que seja, está longe do ideal quando se compara com outras democracias existentes no mundo. Provavelmente em função de sermos uma nação relativamente jovem – com pouco mais de 500 anos – teremos muito a aprender até mudarmos nossas atitudes e comportamentos políticos cotidianos. É essa mudança no perfil de cada indivíduo que produzirá reflexos na até então odiada e rechaçada “Política Partidária”. Por enquanto o que temos nas instâncias de poder politico do país representa o espelho do que somos enquanto sociedade, justificando o ditado popular “O povo tem o governo que merece!”


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O modelo de colonização do Brasil diz muito do que somos.

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Inicio essa exposição fazendo alusão a dois provérbios da sabedoria popular. O primeiro, em tom de inferência, diz “Diga com quem andas e te direis quem é!” e o segundo admite que “Quem se junta a porcos, farelo comerá!”. Alguém, inadvertidamente, poderá argumentar qual a relação dos citados provérbios com a temática proposta? E esse questionamento será elucidado ao longo dessa exposição. 

Conforme consta dos relatos históricos, o que hoje se denomina República Federativa do Brasil foi outrora um território supostamente descoberto pelos Portugueses na data de 21 de abril de 1500; o que equivale dizer que já se passaram 519 anos desde o ato / momento reconhecido como simbólico de apoderamento do referido território. Vale dizer, também, que ser colonizado não foi algo inédito e específico do Brasil. Aliás, esse foi o formato pelo qual Estados importantes da geopolítica mundial se constituíram, tendo como exemplo emblemático os Estados Unidos da América (EUA). Então, se o Brasil e os Estados Unidos da América já foram colônias e hoje são nações independentes, porque são tão diferentes? A resposta para essa pergunta pode estar na maneira como esses dois territórios foram tratados enquanto colônias. 

Relata a história que a maneira como Portugal tratou o Brasil enquanto colônia impregnou na sociedade em formação a ideia de que as coisas podiam ser feitas de qualquer jeito; ao que chamamos hoje do “jeitinho brasileiro”. Também incutiram na nossa personalidade, enquanto sociedade em formação, que era importante levar vantagem em tudo o que pudesse na lógica da “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Ou seja, o modelo colonizador português foi pautado na exploração e depredação não só de recursos naturais mas também de valores morais elementares para se constituir uma sociedade saudável. Até mesmo a igreja católica contribuiu negativamente na implementação do atual DNA da sociedade brasileira quando apoiou a escravidão e quando fez contrabando de ouro nos chamados “santos do pau oco”. 

Há relatos que, de maneira regular, os delinquentes (ladrões, assassinos, estupradores) condenados pela justiça portuguesa eram sentenciados a cumprir a pena na colônia portuguesa – ou seja, no Brasil – e foram essas pessoas que partilharam seu material genético com escravos e nativos (indígenas). De modo que nós somos o produto desses cruzamentos. 

Quanto ao território que hoje constitui os Estados Unidos da América, sabemos que foi colonizado pela coroa Britânica numa lógica completamente antagônica ao que ocorreu no Brasil. Os ingleses decidiram implementar o desenvolvimento da região, mediante povoamento, utilizando grupos familiares de refugiados religiosos onde o ideal de fixação estava associado ao desejo de prosperidade e desenvolvimento social, na perspectiva de reproduzir no território americano a forma de vida que possuíam na Europa. Existia o ideal / diretriz de acumulação de bens vinculado à valorização do trabalho, poupança e capitalização. Do investimento na colônia os lucros gerados pela produção ficavam na própria colônia e apenas tributos eram direcionados à metrópole. A produção colonial atendia à satisfação das necessidades internas e se organizava em pequenas propriedades, com a utilização do trabalho livre e familiar. Enfim, foi implementada na colônia uma consciência da autonomia e desenvolvimento precoce do ideal de emancipação.

Não quero com isso dizer que os nossos problemas de caráter ético e moral são intransponíveis e que o nosso futuro está condenado pelo nosso passado. Isso não pode nos produzir desalento, pois os organismos vivos passam constantemente por mutações genéticas e novas combinações sempre são possíveis, para o bem e para o mal. Aliás já é perceptível, nas novas gerações, posturas e atitudes bem diferentes em relação ao nosso passado recente. Em verdade, a mudança de atitude e comportamento que imaginamos para a nossa classe política não será impulsionada pela geração adulta atual; pois os políticos atuais nos representam, literalmente! 

O problema é que o tempo requerido para mudanças perceptíveis no padrão de uma sociedade humana não corresponde ao tempo biológico de cada indivíduos. Como o nosso tempo de vida é relativamente curto, somos induzidos a pensar que estamos condenados a sermos essa sociedade medíocre e hipócrita onde seus "cidadãos" reproduzem com fidelidade as mesmas praticas coloniais da "farinha pouca, meu pirão primeiro".

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Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

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Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e "custo". Embora pareçam, não são a mesma coisa! Senão vejamos: Quem está atento aos fatos sabe que, ultimamente, o Brasil vem lindando com incidências elevadas de vários tipos de cânceres e estudos epidemiológicos apontam que se trata de um problema de saúde pública com o qual o país precisa se organizar para lidar. Em Sergipe parece já ser consenso que um hospital específico para lidar com câncer é necessário. Mas o governo estadual alega que a obra é muito cara e não tem recursos financeiros para tamanho investimento. A questão da construção da obra física parece estar equacionada porque os parlamentares federais sergipanos se comprometeram em repassar recursos de emendas de bancada e de emendas individuais para a consecução do propósito. Mas, mesmo com dinheiro em caixa para iniciar a construção, o governo estadual reluta em iniciar a obra alegando não dispor de recursos financeiros para custeio (equipamentos, materiais, medicamentos, insumos, recursos humanos, manutenção preventiva, manutenção corretiva). Resumindo; preço corresponde ao valor pago pela aquisição de um produto ou serviço. Custo, por sua vez, é o recurso necessário para a produção e manutenção de um produto ou serviço. 

Assim, a percepção que temos sobre a nossa condição de saúde não é estática e varia, ao longo da história, sobretudo em função do desenvolvimento científico e tecnológico. Porém, mesmo nos períodos mais obscuros da sociedade humana os indivíduos se preocupavam com a sua higidez física pois precisavam enfrentar as adversidades ambientais e, literalmente, precisavam lutar pela sobrevivência. 

No curso da história humana, recorrer a Deuses e conhecer as propriedades curativas de plantas e de produtos de origem animal tornou-se estratégico para garantir longevidade e competitividade; até porque os fracos e doentes eram rapidamente eliminados. 

Assim, independente do período histórico ao qual nos remetamos, sempre teremos que investir muito para gozar de saúde e nunca estaremos satisfeitos com os resultados do investimento porque sempre teremos demandas a realizar. Esta é a pressão que sofre todos os  sistemas de saúde do mundo, sejam públicos ou privados. 

Nos sistemas privados o preço e o custo são, de alguma forma, assumidos pelo indivíduo associado ao Plano Privado de Saúde. Nesse caso, existe uma determinada organização comercial que lida com a saúde como um produto a ser comercializado e, para tal, precisa auferir lucro financeiro para que o negócio seja viável com a qualidade estimada pela organização. Por isso é tão importante para essas organizações comerciais: 1) definir o tamanho da sua clientela; 2) excluir doenças preexistentes; 3) estabelecer cota parte em relação a procedimentos definidos como de elevado custo; 4) reajustar periodicamente os valores de contribuição. 

Quando falamos de preço e custo em relação ao Sistema Único de Saúde / SUS a primeira variável incontrolável é o tamanho da clientela, ou seja, todos os indivíduos que acabam de nascer já são usuários do sistema! Somado a isso o SUS não trabalha na lógica de cota parte e, para o SUS, não existe exclusão de doenças para fins de cobertura assistencial! Por fim, o SUS é financiado por toda a sociedade e a demanda é sempre maior que a oferta. 

Provavelmente o SUS, ou qualquer outro sistema de saúde, jamais conseguirá satisfazer todas as expectativas dos seus usuários na incessante busca pelo ideal de saúde. Isso porque o conceito ampliado de saúde, proposto pela Organização Mundial de Saúde / OMS, preconiza que saúde é bem-estar físico, mental e social. Assim, o ideal de saúde está na cabeça de cada um! Entretanto, num dado momento, mesmo que o sistema de saúde tenha uma boa gestão e esteja livre da corrupção, usuários serão frustrados nos seus anseios legítimos simplesmente porque o sistema tem limites no seu financiamento de investimento e custeio.


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Sem imunização vacinal a prevenção vira loteria.

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QUEM RECUSA VACINA PASSA A CONTAR, APENAS, COM A SORTE!

Recentemente passamos a acompanhar no Brasil o que a epidemiologia denomina "reemergência" de doenças infectocontagiosas. Não bastasse serem doenças que, até algum tempo atrás, estavam epidemiologicamente controladas, percebemos que a reemergência é de doenças preveníveis por vacinas que são eficientes, produzidas e disponibilizadas regularmente e gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde / SUS.

Diante do turbilhão de informações e notícias falsas que nos chegam diariamente é natural nos questionarmos: De onde surgiu essa orientação contrária à imunização vacinal? Quais os argumentos da fonte dessa orientação? Será que a fonte dessa orientação se baseia em parâmetros científicos que tem como lastro a microbiologia, a imunologia, a genética e a fisiologia?

É sabido que a homeopatia desaconselha a imunização vacinal; mas não significa que eles deslegitimam a elaboração de memória imunológica por parte do organismo. Eles apenas defendem que a imunidade seja elaborada naturalmente, mediante contato eventual do organismo com o corpo estranho (vírus, bactéria, fungo, protozoário, etc). O problema é que esse contato eventual pode resultar em infecção e doença. Ao adoecer o indivíduo (seja criança ou adulto) que não morrer da doença, provavelmente ficará imunizado em relação àquele agente específico. Mas a infecção poderá resultar em doença com evolução fatal!

Em defesa da não vacinação alguém poderá argumentar que pessoas tem efeitos adversos e até morrem ao tomar vacina. Eu digo que isso é verdade. Também digo que o universo de pessoas que morrerão será bem maior devido à falta de proteção vacinal.

Por mais que alguém argumente que é arriscado se vacinar eu digo que o risco da vacinação é estatisticamente baixo. Já o risco de adoecer e morrer de uma doença imunoprevinível é estatisticamente alto e não vale a pena correr esse risco!

Enfim; é mais seguro ser imunizado por meio da vacina do que por meio da doença.


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Controle biológico deve ser a regra e não a exceção!

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#controlebiologicoetudo
Eis os temidos "Marimbondos Vermelhos"!.
Se fôssemos capazes de entender a sua linguagem compreenderíamos que não querem nada conosco! Diriam, eles; Não mexam comigo e não incomodaremos!

Eu encontrei esse ninho, ontem (15.06.2019), numa árvore dentro de um terreno que possuo no interior do Estado. E é claro que não vou eliminá-lo! Afinal, são ótimos predadores de aranhas, formigas, e outros artrópodes. Sou de opinião que o controle biológico deve ser a regra e não a exceção.

Mas a dieta também inclui néctar e pólen, o que nos permite concluir que são polinizadores e, consequentemente, viabilizam a fecundação de flores, a produção de frutos e a diversificação vegetal.

#controlebiologicoetudo
Esses indivíduos também são conhecidos, popularmente, como Marimbondos Cavalo dado ao seu enorme tamanho (10 a 15 mm) e poder da peçonha que, em casos extremos, pode causar a morte da vitima.

Uma vez que sou biólogo e pra não correr o risco de alguém comentar que não coloquei a identificação científica do espécime, aí vai.
Reino: Animalia.
Filo: Arthropoda.
Classe: Insecta.
Ordem: Hymenoptera
Familia: Pompilidae.
Gênero / Espécie: Pepsis fabricius


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Referência:
https://uniprag.com.br/pragas-urbanas/abelhas-vespas-e-marimbondos/





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Eugenia... Você foi selecionado?!

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Não é esporádico lermos ou ouvirmos a expressão "O conhecimento liberta!". Talvez os melhores representantes desse aforismo sejam o filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.) a quem é atribuída a frase Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses e, no Novo Testamento, mais precisamente em João (8:32) onde registra-se a seguinte citação atribuída a Jesus: E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Seria muita presunção desse modesto texto discorrer sobre a natureza da verdade! Trata-se de conceito desafiador e que inquieta a humanidade desde os primórdios, sobretudo quando é assumindo o viés religioso. Assim, em pleno Século XXI, ainda se discute se a verdade é real e absoluta ou relativa e ilusória, tal qual faziam os filósofos na antiga Grécia.

Já no campo científico a inquietação acerca da verdade foi, praticamente, pacificada na primeira metade do século XVII quando da publicação de um tratado do filósofo René Descartes (1637), intitulado Discurso sobre o método, que trata de um método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência. A partir da publicação de Descartes, portanto, a ciência assume o seu caráter relativo e ilusório em relação à verdade.

Passando agora a discorrer, efetivamente, sobre o tema da postagem, parece inevitável a necessidade de definir o termo Eugenia, cuja autoria é atribuída a Francis Galton (1822-1911) e quer dizer, literalmente, "Bem Nascido". Para Galton, trata-se do estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Além de ser primo de Charles Darwin, o inglês Galton foi antropólogo, matemático e estatístico. Ao introduzir o conceito de eugenia, ele propôs a substituição das forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, por uma seleção consciente e que a humanidade deveria usar todo conhecimento adquirido pelo estudo e pelo acúmulo evolutivo dos tempos passados a fim de promover o progresso físico e moral no futuro.

O tema é quente, controverso, polêmico e, por isso, inevitável. Mas, arrisco-me dizer que se não fossem os acontecimentos nefastos patrocinados por Adolf Hitler, na Alemanha Nazista durante a II Guerra Mundial, envolvendo a perspectiva de pureza de raça, talvez esse assunto não fosse envolto em tanta polêmica. A eugenia na dimensão da ideologia da pureza racial, patrocinada pelo regime político nazista e que culminou no holocausto, representa uma página que espera-se envergonhar para sempre a humanidade.

Já no universo científico existe uma corrida frenética ao desenvolvimento de técnicas de melhoramento genético que, após confirmadas a eficácia e eficiência, são implementados largamente em micróbios, plantas e animais. Ainda existem ressalvas e questionamentos éticos quanto ao seu uso nos seres humanos, chegando-se ao ponto de alguns cientistas declararem ser impossível mudar a natureza humana, ou seja, a maneira de pensar, sentir, agir, etc,.

É inegável o progresso que a Biologia Molecular vem experimentando após a descoberta da estrutura tridimensional da molécula do DNA (Ácido Desoxirribonucleico), por James Watson e Francis Crick, em 1953. Outro feito de valor incomensurável para o futuro da humanidade foi o sequenciamento do genoma humano - denominado Projeto Genoma - que demorou 50 anos até o desenvolvimento e domínio das técnicas biomoleculares adequadas; tempo relativamente pequeno no âmbito da história da ciência.

Parece evidente que as bases para a manipulação gênica já estão inteiramente sob o controle da ciência. A descoberta de Watson & Crick abriu uma nova era para a ciência e vem causando uma verdadeira revolução na investigação científica relacionada às ciências da vida. Ou seja, o que aconteceu até agora está longe de ser o final da história e sim o início de mais um capítulo.

Uma área alvo de muita atenção, tensão e preocupações relativas aos avanços já acumulados é a Embriologia e Reprodução. Basicamente, apenas preceitos ético, morais e religiosos estão contendo o conhecimento acumulado nessa área, para que permaneça restrito ao ambiente acadêmico. Considerando o extraordinário avanço da Biologia Molecular, parece ser impossível prever como será o processo de geração de seres humanos daqui a 100 anos, uma vez que o congelamento de embriões, a fecundação in vitro, a barriga de aluguel romperam a barreira da resistência social e podemos dizer que já são práticas relativamente corriqueiras. A escolha do sexo (sexagem) também está disponível na fecundação in vitro, se for desejo do cliente! A clonagem humana ainda ostenta a condição de inadmissível / inaceitável! Mas animais de estimação já são clonados em várias partes do mundo. Parece que o individuo humano resultante da fusão aleatória de um gameta masculino - dentre milhões possíveis - com um gameta feminino, no futuro não tão distante, será apenas mais uma opção de reprodução disponível, comercialmente.

Numa outra extremidade; e esta de maior consenso social, vemos a moderna Biologia Molecular, representada pela descoberta da estrutura em dupla hélice da molécula de DNA e pelo projeto genoma, apontar para outros horizontes igualmente fascinantes como a possibilidade de síntese de medicamentos personalizados de acordo com o código genético de cada indivíduo; aumentando a eficiência / eficácia e melhorando o perfil toxicológico.

Retomando o inicio do texto, reconheço que o conhecimento liberta e a ignorância aprisiona. Mas, também, sou de opinião que cada um é escravo do conhecimento ou da ignorância que tem.

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Referencias consultadas. 
DEL CONT, Valdeir. Francis Galton: eugenia e hereditariedade. Sci. stud.,  São Paulo ,  v. 6, n. 2, p. 201-218,  June  2008.
A descoberta do DNA e o projeto genoma. Rev. Assoc. Med. Bras.,  São Paulo ,  v. 51, n. 1, p. 1,  Feb.  2005.



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Dos ares, das águas e dos lugares; depende a saúde.

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Hipócrates examinando um doente.
Por volta de 460 anos antes de Cristo, Hipócrates já discutia o papel do ambiente no processo saúde-doença. Isso pode ser constatado em sua obra “Dos ares, das águas e dos lugares” onde ele estabeleceu uma relação intrínseca entre a saúde humana e o ambiente, conforme retratado no trecho que segue: 

[...] Quem deseja estudar corretamente a ciência da medicina deverá proceder da seguinte maneira. Primeiro, deverá considerar quais efeitos pode produzir cada estação do ano, visto que as estações não são todas iguais, mas diferem amplamente tanto em si mesmas como nas mudanças. O ponto seguinte se refere aos ventos quentes e aos frios, principalmente aqueles universais, mas também aqueles peculiares de cada região. Deverá também considerar as propriedades das águas, pois tal como elas diferem em sabor e peso, também suas propriedades se diferenciam. Portanto, ao chegar a um povoado que lhe é desconhecido, o médico deverá examinar sua posição em relação aos ventos e ao sol, pois uma face norte, sul, oriente e ocidente, tem cada uma um determinado efeito. Deverá considerar tudo isso com o maior cuidado assim como também saber de onde os nativos buscam a água, se usam águas pantanosas, suaves, ou então se são duras e vêm de lugares altos e rochosos, ou são salobras e ásperas. Também o solo, se é plano e seco, ou com bosques e com águas abundantes [...] (HIPÓCRATES apud CAIRUS., 2005).


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Autopreservação: a tônica da natureza.

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Ser normal e saudável não depende exatamente da sorte! Sorte é acaso e, na biologia, o precedente, embora não seja determinante, influencia - muito ou pouco - o descendente! Hipócrates (460 a.C - 370 a.C) já enunciava isso através da frase "Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão as suas doenças."



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A ilusão da superioridade humana.

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A farsa da superioridade humana está caindo por terra... E isso é bom pra própria humanidade!



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Efeito bumerangue: será esta a lógica da natureza?

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Eu já ouvi dizerem que a natureza é vingativa... Também já ouvi que a natureza sempre toma de volta o que lhe pertence. Outra frase relativamente comum diz que "Nada acontece por acaso". Consideradas as proporções devidas, acho que essas frases de domínio público guardam, nas entrelinhas, alguma coerência e, em maior ou menor intensidade, relacionam-se à Terceira Lei de Neuwton (Lei da Ação e Reação).

De acordo com essa Lei, se um corpo A exerce uma força sobre um corpo B (força de ação), o corpo A também experimenta uma força emanada do corpo B (força de reação) de mesma intensidade e direção, mas em sentido oposto.

Talvez o "x" da questão em relação às frases que utilizei para iniciar esta postagem recaia, mais uma vez, na sensação de superioridade que o homem imagina ter sobre tudo, quando, na verdade, somos apenas mais um corpo obedecendo à Terceira Lei de Newton e tantas outras regras que regulam a dinâmica da lógica da natureza. Por isso ficamos tentando encontrar explicações para justificar os nossos fracassos na interação com o universo.


Podemos até verbalizar que a natureza é caótica, mas isso se deve ao fato de, enquanto míseros mortais, sermos incapazes de analisar o todo. A nossa ignorância sobre o todo, portanto, obriga-nos a nos posicionar de forma extremamente reducionista e imediatista quando consideramos eventos naturais complexos a exemplo de terremotos, furacões, maremotos, erupções vulcânicas; ou mesmo eventos menos complexos como a queda de um raio, tempestades com inundações, quedas de barreiras, etc. Assim, chega a ser compreensivo ouvirmos falar em vingança da natureza ou alguma frase semelhante... Ainda mais quando a suposta vítima é o "todo poderoso" ser humano.

Exemplo de estrutura fractal.
O fato é que a matemática e a física modernas já conseguem afirmar que a natureza se organiza e funciona a partir de padrões simétricos. Algo como fractais que são estruturas que repetem sua organização infinitamente em escalas cada vez menores, onde cada fragmento é igual ao todo, e cujo limite é o átomo. A natureza, portanto, possui uma ordem intrínseca imutável e tudo o que ocorreu, ocorre e irá ocorrer foi e será com o intuito de manter essa ordem.

Tem melhor exemplo de simetria do que a molécula de DNA? A simetria está presente em tudo na natureza, sempre expressando equilíbrio: o dia e a noite, o quente e o frio, o sólido e o líquido, o vaivém das marés - os exemplos são infinitos.

Considerando que a lógica da natureza é pautada em padrões simétricos que se harmonizam em escalas extremamente grandes é compreensível que a manutenção desses padrões demande comprometimento de quantidades volumosas de energia potencial que, quando necessário, são dispendidas com o objetivo de restabelecer a "ordem natural" por ventura perturbada pela ação humana. Sim; o homem é o único animal capaz de perturbar a ordem natural! Os demais seres vivos são literalmente regidos pela "batuta" da natureza. O homem interfere e modifica o ambiente, ao seu prazer, pautado em critérios que quase sempre estão em distonia com o natural. Até parece ação deliberada de desafio, senão vejamos: 1) desviar curso de rios para realizar construções físicas; 2) aterrar áreas que alagam naturalmente; 3) edificar em áreas de encostas e promover a remoção de cobertura vegetal dessas encostas; 4) edificar em áreas sabidamente abaixo do nível do mar; 5) edificar em áreas de junção de placas tectônicas; 5) permitir aglomerados urbanos em imediações de vulcões ativos; 6) alterar parâmetros físicos do ambiente a exemplo de temperatura e pressão, mediante produção e emissão na atmosfera, no solo, nos rios e mares de gases e outros produtos químicos. A lista de exemplos é extensa!

Então; considerando que cada célula, em um organismo multicelular, busca manter-se em harmonia com o referido organismo - ao que chamamos de homeostase - a terra faz o mesmo em relação ao sistema solar e por extensão à via láctea. Assim, eu pergunto: que importância a terra vai dar ao ser humano quando ela tiver que realizar alguma tarefa objetivando manter ou restabelecer o seu equilíbrio em relação ao universo?

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Para redigir esse artigo o autor se inspirou no texto "Simetria: lógica na natureza" publicado em https://super.abril.com.br/ciencia/simetria-logica-na-natureza/



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E você...! Já cuidou da água hoje?

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No dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água, sinalizando para a necessidade de colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos. Assim, se na sua agenda não tem espaço para inserir alguma estratégia individual que resulte em uso racional da água, sugiro que repense suas atitudes e inclua a água na sua lista de prioridades. Nossa dependência em relação a este recurso natural é, simplesmente, extrema!

O vídeo abaixo, produzido pela Agência Nacional da Água (ANA), é uma pequena homenagem do Laboratório Terra S.A. ao Dia Mundial da Água que se comemora no dia 22 de março.






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Sangue... Ninguém precisa, até precisar.

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O esforço que a humanidade empreende pelo desenvolvimento de um produto comparável ao sangue humano é histórico e os motivos justificam. Talvez o motivo mais importante seja a insuficiência de sangue para transfusões nos hospitais em todo o mundo, apesar de milhares de doações serem feitas diariamente. Outros motivos não menos importantes: 1) mesmo imaginando um cenário em que doações suficientes fossem feitas, existem impedimentos concretos para o salvamento de vidas em alguns lugares devido à falta de estrutura mínima para o adequado cuidado com o sangue doado; 2) o curto prazo de validade do sangue doado que é de aproximadamente 5 dias para plaquetas, 35 dias para hemácias e 24 meses para plasma congelado; 3) os riscos biológicos envolvidos na administração do sangue natural, principalmente quando se trata de receptores imunocomprometidos; e 4) a necessidade de rigor com o processo de tipagem sanguínea de doador e receptor e o tempo requerido para a execução desse procedimento.

Um produto elaborado para ser utilizado como sangue artificial, provavelmente, será mais seguro no que diz respeito aos riscos biológicos; além do que deverá ter um período de validade bastante superior ao do sangue natural. Por fim, este produto sintético não deverá possuir antígenos e isso dispensará a necessidade de realizar tipagem sanguínea.

Mas “inventar” um produto artificial comparável ao sangue humano não é tarefa fácil! Isso porque o sangue humano é um tecido extremamente complexo, repleto de células do sistema imunológico e de uma infinidade de proteínas. Entretanto é consenso que, para ser utilizado numa situação de urgência / emergência, o sangue artificial não precisa ter a mesma complexidade do produto original. Assim, os pesquisadores estão particularmente interessados em um produto composto basicamente de células vermelhas (hemácias), por entender que seria adequado para uma resposta imediata objetivando a manutenção da vida à partir de transfusão.

As hemácias são células anucleadas e arredondadas e representam o principal constituinte da fração sólida do sangue, conferindo-lhe a cor vermelha característica devido à concentração de moléculas de uma proteína denominada hemoglobina, cuja principal função é transportar oxigênio e gás carbônico entre os pulmões e todo o organismo.

Tentativas anteriores de desenvolver sangue artificial utilizando-se hemoglobinas "livres" foram frustradas ao se constatar que essas moléculas se decompõem em compostos de ferro reativo e radicais livres quando não estão contidas pelas paredes de uma célula, podendo produzir efeitos colaterais tóxicos. Estão em curso algumas experiências que vale a pena destacar:

➽A Universidade de Essex, no Reino Unido, através de um projeto de biologia sintética denominado "HaemO2" vem empenhada no desenvolvimento de um produto com características de sangue artificial que se baseia numa molécula de hemoglobina modificada, criada através da inserção de genes em bactérias E. coli cultivadas em laboratório. As bactérias produzem a proteína desejada durante sua atividade metabólica normal, e mais tarde os cientistas colhem as células vermelhas transformadas, que são purificadas e concentradas para serem usadas no produto final.

➽Pesquisadores da Universidade de Bristol (Grã-Bretanha) desenvolveram uma técnica, baseada em células-tronco, capaz de produzir glóbulos vermelhos prematuros "imortalizados" que podem ser cultivados em quantidades ilimitadas, o que sinaliza com uma possibilidade real de produção em massa. Já é possível produzir alguns litros de sangue no laboratório; mas há uma grande diferença entre isso e o enorme volume necessário para suprir a demanda a rede hospitalar. No momento, portanto, o desafio é traduzir a técnica para a produção em escala industrial.

➽Cientistas da Universidade de Edimburgo (Escócia) desenvolveram um método de fazer células-tronco adultas da medula óssea e cultivá-las em laboratório para produzir células que se parecem e agem semelhantes às células vermelhas do sangue. O método ainda passa por aperfeiçoamento técnico que consideram o uso de células-tronco retiradas de embriões, ou células da pele reprogramadas, em vez de células adultas porque, embora o produto final não imite sangue vermelho tão bem, pode ser cultivado em quantidades muito maiores no laboratório.

➽Até mesmo soluções radicais como o desenvolvimento de um composto completamente artificial que execute com segurança as mesmas funções-chave do sangue estão sendo consideradas em algum lugar do mundo. Isso poderia envolver a inserção de hemoglobina sintéticas em uma estrutura celular também sintética, ou utilizar um produto químico para manter a hemoglobina estável para que possa ser injetada sem a necessidade de glóbulos vermelhos.

Rússia e África do Sul já utilizam um subproduto artificial desenvolvido nos Estados Unidos e elaborado a partir do sangue bovino. As autoridades sanitárias americanas, entretanto, não liberaram a utilização no referido país porque testes demonstraram que o produto aumenta o risco de acidente vascular cerebral, pancreatite e problemas cardíacos.

“O Hemopure proporciona uma forma alternativa de distribuir oxigênio para os tecidos do organismo quando células vermelhas compatíveis não estão disponíveis ou quando os médicos ou pacientes preferem evitar a transfusão de sangue habitual”, afirma Douglas Sayles, diretor de comunicações da Biopure, empresa de Massachusetts fabricante do composto.

Como se vê são várias as frentes de estudos no mundo o que nos autoriza imaginar que logo teremos uma substância segura que substitua, ao menos provisoriamente, o sangue natural até que uma transfusão definitiva possa ser realizada. O fato é que, embora seja um substituto imperfeito do sangue natural, o sangue artificial deverá revolucionar as perspectivas de prognósticos envolvendo a prestação de socorro em catástrofes, guerras, desastres, etc. Mesmo em ambiente hospitalar ou ambulatorial o recurso poderá ser usado em situações específicas principalmente em regiões onde bancos de sangue não estão disponíveis.

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Créditos:
http://hypescience.com/sangue-artificial/
https://super.abril.com.br/ciencia/parece-mas-nao-e-3/



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Incidentes de Biossegurança - Caso Nº 04.

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Mitch estava trabalhando sozinho no sábado a fim de terminar uma análise que seria entregue na segunda-feira. Durante toda a manhã, ele havia trabalhado como um louco porque às 14 horas levaria seu filho para jogar futebol. Quando o relógio marcava 13 horas ele havia acabado de retirar uma garrafa de oxitricloreto de fósforo (POT) da câmara de fumigação e, ao recolocar todos os produtos químicos que havia tirado para pegar a garrafa de POT, esta bateu na parte lateral da câmara, caiu no chão e quebrou. A área ao redor rapidamente ficou impregnada por uma por uma fumaça nociva e ardida que o fez tossir. Imediatamente, Mitch abriu totalmente as portas e ligou todas as câmaras de fumigação do laboratório. Assim que a fumaça começou a sair, ele colocou um aviso grande, limpou o líquido derramado e os cacos de vidro e jogou tudo no lixo do seu escritório juntamente com suas luvas. Finalmente, ele desligou todo o seu equipamento e foi embora levando seu jaleco para ser lavado em casa. Na segunda-feira de manhã ele chegou um pouco mais cedo, fez os cálculos finais e apresentou, pontualmente, o resultado ao seu chefe.

Questões:
1 - Quais os riscos?
2 - Porque o incidente / acidente aconteceu?
3 - Como poderia ser evitado?

Dois problemas sérios de segurança podem ser identificados no relato. Um deles é o fato de Mitch estar trabalhando sozinho no laboratório, não sendo possível concluir se o chefe do laboratório tinha conhecimento da transgressão a esta regra de segurança. Laboratórios são ambientes de risco e pelo menos duas pessoas precisam estar presentes quando atividades estão sendo desenvolvidas. Para potencializar o risco de acidente, o técnico estava extremamente apressado e corria contra o relógio para não se atrasar em um compromisso.

Outro comportamento que aumentou consideravelmente os riscos da atividade foi o fato de o técnico não ter se preparado adequadamente para realizar os ensaios. Parece que o mesmo estava acessando os reagentes e demais materiais de maneira aleatória, quando identificava a necessidade. O fato de precisar desarrumar a câmara de fumigação para ter acesso à garrafa de Oxitricloreto de Fósfoto (POT) foi determinante para o acidente que resultou na quebra da referida garrafa e a consequente impregnação do ambiente.

Oxitricloreto de Fósfoto (POT) é um líquido incolor de densidade ≅1,7 e cheiro irritante que em contato com o ar úmido libera vapores e se decompõe pela água. Foram essas características químicas do produto que provocaram tosse e, provavelmente, irritação de mucosa ocular no técnico Mitch se o mesmo não estava adequadamente paramentado com máscara contra gases e óculos de proteção. Ele também correu risco de sofre lesão perfuro-cortante com fragmentos de vidro resultantes da quebra da garrafa.

Ter aberto as portas, acionado as câmaras de fumigação, realizado a limpeza do local com colocação de aviso de alerta foram providências adequadas. Porém, o material resultante da limpeza não deveria ser colocado no recipiente de lixo do escritório. O pessoal do serviço de limpeza não espera que o lixo do escritório contenha material perfuro-cortante e sim material de escritório que é basicamente papel. O lixo do escritório, também, não deve conter material infectante.

Por fim, há controvérsias sobre levar o jaleco para ser lavado em casa. O ideal é que o serviço forneça jaleco descartável e na gramatura correta para oferecer a proteção adequada. .

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Para mais informações, acessar http://www.cdc.gov/herpesbvirus/



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