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Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!
Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...
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A partir do século XX, é impressionante a velocidade com que a ficção vira realidade no mundo. Tudo o que se pode imaginar é ou será realizável no futuro. Imagine qualquer coisa agora e o futuro se encarrega de dar vida à sua imaginação.
E a sociedade evolui em todos os sentidos, quebrando barreiras e rompendo limites: No artigo intitulado "Enfim... Gestação humana in vitro!" é possível ler um texto que aborda a possibilidade de gestação em ambiente in vitro e, portanto, fora do útero. A façanha ainda povoa o território da ficção científica, mas não é utopia. Acho que seria o ápice da revolução feminista. A mulher livre do desconforto e dos contratempos de uma gestação, podendo fazer a opção entre a gestão in vivo ou in vitro. (...)
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Enfim, acabaram-se os problemas com a infertilidade e os desconfortos da gestação (...). Laboratório especializado em reprodução humana anuncia que desenvolveu tecnologia e garante realizar fecundação e gestação humana "in vitro".Calma gente...estou brincando, pelo menos por enquanto! Não sei se vocês sabem, mas a ciência já domina a tecnologia da sexagem (identificação do cromossoma sexual dos gametas) e a tecnologia da fertilização in vitro. Sabem o que isso significa? Significa que em laboratório já é possível identificar em uma amostra de esperma os gametas que trazem o cromossoma sexual X e Y. Com isso pode-se definir, antecipadamente, o sexo do indivíduo a ser gerado por inseminação artificial, uma vez que é da junção do gameta masculino de cromossoma X ou Y com o óvulo (sempre X) que se tem o zigoto de combinação XY (sexo masculino) ou XX (sexo feminino).
A fertilização in vitro e a inseminação artificial foram evoluções tecnológicas importantes para a humanidade, pois resolveram sérios problemas de infertilidade entre casais desejosos de constituir família, mas que tinham problemas intransponíveis de infertilidade relacionados a pelo menos um dos membros do casal heterossexual. No entanto, a evolução não vai parar por aí! O próximo passo nessa linha evolutiva é a Gestação Humana in vitro. O que falta para isso é apenas a reprodução, em laboratório, das condições bioquímicas e biofísicas do ambiente intrauterino, o que não será uma tarefa fácil, dada a complexidade do liquido amniótico e das intensas interações bioquímicas e biofísicas que envolvem mãe-embrião e mãe-feto.
Mas vamos deixar a mente fluir e nos imaginarmos no ano 2500 com todos esses problemas de ordem técnica equacionados. Nesse tempo, as clinicas de fertilização estarão anunciando na mídia que dispõem dos recursos tecnológicos para realizar sexagem, fertilização e gestação in vitro. As mulheres, então, terão as opções da gestação nos moldes tradicionais ou a gestação em laboratório, livre dos desconfortos e dos contratempos do período gestacional fisiológico. Mas alguém pode perguntar: Como seria isso na prática? Respondo que, guardadas as devidas proporções, seria semelhante ao cultivo microbiano, que é realizado na rotina dos laboratórios de microbiologia, ou seja, a amostra, nesse caso o óvulo fecundado (zigoto) será depositado em um pequeno tubo de ensaio contendo uma solução aquosa sintética de líquido amniótico e colocado para incubar sob as mais rigorosas condições de temperatura, pressão, umidade, atmosfera gasosa, etc. Com o transcurso das semanas de gestação serão realizados vários repiques para tubos maiores, como também será renovado o volume de liquido gestacional para garantir a perfeita embriogênese. A mãe, por sua vez, será artificialmente estimulada a produzir os hormônios normais dessa fase, inclusive para garantir a lactação e consequentemente a amamentação, tão logo o feto conclua o seu desenvolvimento e deixe o último tubo de ensaio....vocês duvidam? É esperar pra ver!
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O Laboratório Terra S.A. não tem intenção de confundir os seus leitores, mas acha importante disponibilizar essa entrevista que foi publicada na FOLHA DE SÃO PAULO, edição de 08/03/1987.
Nessa entrevista o biólogo francês Dr. Jacques Testard, pesquisador do Inserm, Instituto Especializado em Inseminação Artificial, membro da equipe do Hospital Antoine-Belcere, em Clamart (subúrbio parisiense), e um dos melhores especialistas mundiais em fecundação “in vitro”, rasgou o verbo! Ele afirma que decidiu parar com suas pesquisas com embriões humanos porque considera que a pesquisa científica tem de reconhecer os limites que a ética e a dignidade humana impõe ao estudioso.
Foi a primeira vez que um cientista especializado nas técnicas da procriação artificial mostrou “vivas inquietudes” face à evolução de sua disciplina e propôs uma “moratória internacional”. “Eu não irei mais longe. Não tentarei outras “premières”. Minha última proeza foi o congelamento de embriões humanos.” Jacques Testart disse que “Trata-se de uma posição minoritária no mundo científico. Outros continuarão. Não porque sejam melhores, mas pela vontade de ver seus nomes nos jornais e aparecer na televisão. Eu reivindico uma lógica de “não descoberta”, uma ética de “não-pesquisa”. Sei que será um “suicídio profissional”, mas não faz mal: chegou a hora de dizer em alto e bom tom que não existe pesquisa neutra e que só suas aplicações são boas ou ruins. Este postulado é mentiroso e perigoso. Se me demonstrarem que uma única vez uma descoberta que correspondia a um desejo não foi aplicada, então recomeçarei…”.
Eis a Entrevista:
Folha – Cinco anos após o nascimento de Amandine, o primeiro bebê-proveta francês, fecundado “in vitro” pela equipe do Hospital de Clamart, o senhor anuncia no livro “Oeuf Transparent” (“Ovo Transparente”, em português, da “Édition Flammarion”) que “ viveremos o momento da pausa da auto-limitação do pesquisador”. Por quê?
Jacques Testart – Se prosseguirmos, chegaremos rapidamente a uma nova situação, que nada tem a ver com a primeira função da fecundação “in vitro”: responder a um diagnóstico e dar um filho a um casal estéril. Amanhã veremos nascer o bebê “prêt-à-porter” e, dentro de alguns anos, poderemos oferecer ovos “à la carte”, com sexo determinado, em conformidade com normas garantidas. Nossos filhos serão escolhidos como cachorros no canil: cor de pelo, tamanho das patas, forma das orelhas. Eu não pretendo, por exemplo, cortar um ovo humano em dois, retirar uma ou várias células de um óvulo fecundado para determinar o sexo da criança a nascer ou para fazer o diagnóstico de uma anomalia genética. Prefiro dedicar-me ao aperfeiçoamento das técnicas existentes e a desenvolver, nos animais, os estudos sobre congelamento dos óvulos.
Folha – Qual é exatamente o perigo?
Testart – A perspectiva do bebê sob medida me inquieta. Uma equipe científica multidisciplinar francesa anunciou recentemente a descoberta de uma técnica de diagnóstico do sexo dos embriões bovinos. É um primeiro passo para a determinação futura do sexo do embrião humano. No início, esta técnica será proposta como um progresso médico para as doenças hereditárias ligadas ao sexo. Depois, as pessoas passarão a se interessar pela fecundação “in vitro” para escolher o sexo dos seus filhos e os especialistas serão tentados a “fabricar” gêmeos. Um dia saberemos agir sobre o embrião e assim substituir um gene por outro, para corrigir tal ou tal malformação. Então, o termo “fabricar bebês” perderá as aspas. Encontramo-nos diante de uma encruzilhada: Seguir adiante significa satisfazer, a médio prazo, o sonho dos biólogos de fazer homens sob medida, na mais perfeita lógica hitleriana. A técnica nos oferecerá “ovos à la carta”. E no cardápio biogenético as propostas serão infinitas: podemos imaginar a fecundação do óvulo pelo óvulo (sem a presença do espermatozóide), a auto-procriação feminina (que permitirá à mulher ter um filho que será sua cópia genética), a gestação humana no ventre de um animal, e até, por que não, a gravidez masculina.
Folha – Existem na França e em outros países que praticam a fecundação “in vitro” comitês de Ética encarregados de estudar este tipo de problema. Por que eles não se manifestam?
Testart – Os comitês de Ética, que não têm poder legal, também se sentem ultrapassados pelos avanços científicos. Por exemplo, eles ainda não se manifestaram sobre o congelamento de embriões, que se tornou corriqueiro. Quando uma mulher engravida, o que fazer com os embriões congelados? Na falta de resposta nós decidimos caso por caso, de comum acordo com o casal. Em setembro de 84, a equipe do Hospital Belcere publicou um método de micro-injeção de espermatozóide no óvulo. O comitê de Ética respondeu negativamente, dizendo que era prematuro e pedindo novos estudos em animais. Resultado: hoje, na França, várias equipes aplicam esta técnica, sem terem aguardado nossas conclusões. Assistimos atualmente a uma tal volúpia entre as equipes médicas que ninguém respeita as regras éticas, ninguém tem tempo para perder com reflexão. Por isso proponho uma moratória imediata das experiências.
Folha – Qual é exatamente o perigo?
Testart – A perspectiva do bebê sob medida me inquieta. Uma equipe científica multidisciplinar francesa anunciou recentemente a descoberta de uma técnica de diagnóstico do sexo dos embriões bovinos. É um primeiro passo para a determinação futura do sexo do embrião humano. No início, esta técnica será proposta como um progresso médico para as doenças hereditárias ligadas ao sexo. Depois, as pessoas passarão a se interessar pela fecundação “in vitro” para escolher o sexo dos seus filhos e os especialistas serão tentados a “fabricar” gêmeos. Um dia saberemos agir sobre o embrião e assim substituir um gene por outro, para corrigir tal ou tal malformação. Então, o termo “fabricar bebês” perderá as aspas. Encontramo-nos diante de uma encruzilhada: Seguir adiante significa satisfazer, a médio prazo, o sonho dos biólogos de fazer homens sob medida, na mais perfeita lógica hitleriana. A técnica nos oferecerá “ovos à la carta”. E no cardápio biogenético as propostas serão infinitas: podemos imaginar a fecundação do óvulo pelo óvulo (sem a presença do espermatozóide), a auto-procriação feminina (que permitirá à mulher ter um filho que será sua cópia genética), a gestação humana no ventre de um animal, e até, por que não, a gravidez masculina.
Folha – Existem na França e em outros países que praticam a fecundação “in vitro” comitês de Ética encarregados de estudar este tipo de problema. Por que eles não se manifestam?
Testart – Os comitês de Ética, que não têm poder legal, também se sentem ultrapassados pelos avanços científicos. Por exemplo, eles ainda não se manifestaram sobre o congelamento de embriões, que se tornou corriqueiro. Quando uma mulher engravida, o que fazer com os embriões congelados? Na falta de resposta nós decidimos caso por caso, de comum acordo com o casal. Em setembro de 84, a equipe do Hospital Belcere publicou um método de micro-injeção de espermatozóide no óvulo. O comitê de Ética respondeu negativamente, dizendo que era prematuro e pedindo novos estudos em animais. Resultado: hoje, na França, várias equipes aplicam esta técnica, sem terem aguardado nossas conclusões. Assistimos atualmente a uma tal volúpia entre as equipes médicas que ninguém respeita as regras éticas, ninguém tem tempo para perder com reflexão. Por isso proponho uma moratória imediata das experiências.
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