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    Nossa ética

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    O autor assume integralmente a responsabilidade pelos conteúdos publicados nesta página.

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    Um homem da ciência não deve ter desejos nem afeições, somente um mero coração de pedra (Charles Darwin).

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Postagem em Destaque.

Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...

Mostrando postagens com marcador biologia. Mostrar todas as postagens
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Um "Freio de Arrumação" se faz necessário.

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A figura acima é uma fotografia da galáxia Via Láctea, tirada pelo telescópio Hubble. Como já sabemos, a via láctea é apenas uma das milhares de galáxias existentes no universo. Ainda não se sabe, exatamente, quantas dessas formações existem e, considerando-se que o universo é infinito, nunca saberemos.

O planeta terra está em algum lugar nesta galáxia, no meio de estrelas, cometas, outros planetas e demais corpos celestes. Nem tente visualizar a terra nesta foto porque não será possível. Outras galáxias já identificadas e batizadas, como a galáxia de Andrômeda (figura abaixo), possuem composição estrutural semelhante à nossa galáxia via láctea. Ou seja; possuem planetas, estrelas, cometas etc; o que nos sugere deduzir que se trata de uma organização estrutural elementar do universo.

A partir do exposto algumas questões, inevitavelmente, povoam o nosso imaginário: 1) existe alguma forma de vida humana ou não humana fora da terra? 2) se não existe vida fora da terra, existem condições de habitabilidade para a espécie humana em outro lugar do universo que não seja terra?

No momento em que se inicia um ciclo - ano 2022 - novo no calendário dos humanos e que as pessoas, geralmente, se permitem alguns minutos de reflexão, parece conveniente entendermos onde estamos no universo para percebermos a enormidade da nossa pequenez e fragilidade. Claro que os projetos pessoais e até individuais são importantes! Mas esses projetos de nada valerão, caso a terra venha a se tornar um lugar inviável para sustentar a frágil vida humana.

A terra está se tornando SIM um lugar inviável para abrigar a vida humana! Tanto do ponto de vista meramente biológico como social. A dimensão biológica diz respeito ao comprometimento no fornecimento de água potável, biodisponibilidade de oxigênio e desequilíbrio de gases que promovem "efeito estufa" (CO2, CH4, CFC). A dimensão social refere-se à fome, miséria e toda a sorte de perseguição política e religiosa. Se serve de consolo, sabemos que o ser humano é capaz de dar um "Freio de Arrumação" e reorientar os rumos. Na verdade; somente o "Animal Humano" é capaz realizar essa tarefa, que já está atrasada.

A terra no Sistema Solar.
É uma péssima ideia esperar que o outro mude de atitude e comportamento primeiro.


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Sem imunização vacinal a prevenção vira loteria.

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QUEM RECUSA VACINA PASSA A CONTAR, APENAS, COM A SORTE!

Recentemente passamos a acompanhar no Brasil o que a epidemiologia denomina "reemergência" de doenças infectocontagiosas. Não bastasse serem doenças que, até algum tempo atrás, estavam epidemiologicamente controladas, percebemos que a reemergência é de doenças preveníveis por vacinas que são eficientes, produzidas e disponibilizadas regularmente e gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde / SUS.

Diante do turbilhão de informações e notícias falsas que nos chegam diariamente é natural nos questionarmos: De onde surgiu essa orientação contrária à imunização vacinal? Quais os argumentos da fonte dessa orientação? Será que a fonte dessa orientação se baseia em parâmetros científicos que tem como lastro a microbiologia, a imunologia, a genética e a fisiologia?

É sabido que a homeopatia desaconselha a imunização vacinal; mas não significa que eles deslegitimam a elaboração de memória imunológica por parte do organismo. Eles apenas defendem que a imunidade seja elaborada naturalmente, mediante contato eventual do organismo com o corpo estranho (vírus, bactéria, fungo, protozoário, etc). O problema é que esse contato eventual pode resultar em infecção e doença. Ao adoecer o indivíduo (seja criança ou adulto) que não morrer da doença, provavelmente ficará imunizado em relação àquele agente específico. Mas a infecção poderá resultar em doença com evolução fatal!

Em defesa da não vacinação alguém poderá argumentar que pessoas tem efeitos adversos e até morrem ao tomar vacina. Eu digo que isso é verdade. Também digo que o universo de pessoas que morrerão será bem maior devido à falta de proteção vacinal.

Por mais que alguém argumente que é arriscado se vacinar eu digo que o risco da vacinação é estatisticamente baixo. Já o risco de adoecer e morrer de uma doença imunoprevinível é estatisticamente alto e não vale a pena correr esse risco!

Enfim; é mais seguro ser imunizado por meio da vacina do que por meio da doença.


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Controle biológico deve ser a regra e não a exceção!

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#controlebiologicoetudo
Eis os temidos "Marimbondos Vermelhos"!.
Se fôssemos capazes de entender a sua linguagem compreenderíamos que não querem nada conosco! Diriam, eles; Não mexam comigo e não incomodaremos!

Eu encontrei esse ninho, ontem (15.06.2019), numa árvore dentro de um terreno que possuo no interior do Estado. E é claro que não vou eliminá-lo! Afinal, são ótimos predadores de aranhas, formigas, e outros artrópodes. Sou de opinião que o controle biológico deve ser a regra e não a exceção.

Mas a dieta também inclui néctar e pólen, o que nos permite concluir que são polinizadores e, consequentemente, viabilizam a fecundação de flores, a produção de frutos e a diversificação vegetal.

#controlebiologicoetudo
Esses indivíduos também são conhecidos, popularmente, como Marimbondos Cavalo dado ao seu enorme tamanho (10 a 15 mm) e poder da peçonha que, em casos extremos, pode causar a morte da vitima.

Uma vez que sou biólogo e pra não correr o risco de alguém comentar que não coloquei a identificação científica do espécime, aí vai.
Reino: Animalia.
Filo: Arthropoda.
Classe: Insecta.
Ordem: Hymenoptera
Familia: Pompilidae.
Gênero / Espécie: Pepsis fabricius


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Referência:
https://uniprag.com.br/pragas-urbanas/abelhas-vespas-e-marimbondos/





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Eugenia... Você foi selecionado?!

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Não é esporádico lermos ou ouvirmos a expressão "O conhecimento liberta!". Talvez os melhores representantes desse aforismo sejam o filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.) a quem é atribuída a frase Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses e, no Novo Testamento, mais precisamente em João (8:32) onde registra-se a seguinte citação atribuída a Jesus: E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Seria muita presunção desse modesto texto discorrer sobre a natureza da verdade! Trata-se de conceito desafiador e que inquieta a humanidade desde os primórdios, sobretudo quando é assumindo o viés religioso. Assim, em pleno Século XXI, ainda se discute se a verdade é real e absoluta ou relativa e ilusória, tal qual faziam os filósofos na antiga Grécia.

Já no campo científico a inquietação acerca da verdade foi, praticamente, pacificada na primeira metade do século XVII quando da publicação de um tratado do filósofo René Descartes (1637), intitulado Discurso sobre o método, que trata de um método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência. A partir da publicação de Descartes, portanto, a ciência assume o seu caráter relativo e ilusório em relação à verdade.

Passando agora a discorrer, efetivamente, sobre o tema da postagem, parece inevitável a necessidade de definir o termo Eugenia, cuja autoria é atribuída a Francis Galton (1822-1911) e quer dizer, literalmente, "Bem Nascido". Para Galton, trata-se do estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Além de ser primo de Charles Darwin, o inglês Galton foi antropólogo, matemático e estatístico. Ao introduzir o conceito de eugenia, ele propôs a substituição das forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, por uma seleção consciente e que a humanidade deveria usar todo conhecimento adquirido pelo estudo e pelo acúmulo evolutivo dos tempos passados a fim de promover o progresso físico e moral no futuro.

O tema é quente, controverso, polêmico e, por isso, inevitável. Mas, arrisco-me dizer que se não fossem os acontecimentos nefastos patrocinados por Adolf Hitler, na Alemanha Nazista durante a II Guerra Mundial, envolvendo a perspectiva de pureza de raça, talvez esse assunto não fosse envolto em tanta polêmica. A eugenia na dimensão da ideologia da pureza racial, patrocinada pelo regime político nazista e que culminou no holocausto, representa uma página que espera-se envergonhar para sempre a humanidade.

Já no universo científico existe uma corrida frenética ao desenvolvimento de técnicas de melhoramento genético que, após confirmadas a eficácia e eficiência, são implementados largamente em micróbios, plantas e animais. Ainda existem ressalvas e questionamentos éticos quanto ao seu uso nos seres humanos, chegando-se ao ponto de alguns cientistas declararem ser impossível mudar a natureza humana, ou seja, a maneira de pensar, sentir, agir, etc,.

É inegável o progresso que a Biologia Molecular vem experimentando após a descoberta da estrutura tridimensional da molécula do DNA (Ácido Desoxirribonucleico), por James Watson e Francis Crick, em 1953. Outro feito de valor incomensurável para o futuro da humanidade foi o sequenciamento do genoma humano - denominado Projeto Genoma - que demorou 50 anos até o desenvolvimento e domínio das técnicas biomoleculares adequadas; tempo relativamente pequeno no âmbito da história da ciência.

Parece evidente que as bases para a manipulação gênica já estão inteiramente sob o controle da ciência. A descoberta de Watson & Crick abriu uma nova era para a ciência e vem causando uma verdadeira revolução na investigação científica relacionada às ciências da vida. Ou seja, o que aconteceu até agora está longe de ser o final da história e sim o início de mais um capítulo.

Uma área alvo de muita atenção, tensão e preocupações relativas aos avanços já acumulados é a Embriologia e Reprodução. Basicamente, apenas preceitos ético, morais e religiosos estão contendo o conhecimento acumulado nessa área, para que permaneça restrito ao ambiente acadêmico. Considerando o extraordinário avanço da Biologia Molecular, parece ser impossível prever como será o processo de geração de seres humanos daqui a 100 anos, uma vez que o congelamento de embriões, a fecundação in vitro, a barriga de aluguel romperam a barreira da resistência social e podemos dizer que já são práticas relativamente corriqueiras. A escolha do sexo (sexagem) também está disponível na fecundação in vitro, se for desejo do cliente! A clonagem humana ainda ostenta a condição de inadmissível / inaceitável! Mas animais de estimação já são clonados em várias partes do mundo. Parece que o individuo humano resultante da fusão aleatória de um gameta masculino - dentre milhões possíveis - com um gameta feminino, no futuro não tão distante, será apenas mais uma opção de reprodução disponível, comercialmente.

Numa outra extremidade; e esta de maior consenso social, vemos a moderna Biologia Molecular, representada pela descoberta da estrutura em dupla hélice da molécula de DNA e pelo projeto genoma, apontar para outros horizontes igualmente fascinantes como a possibilidade de síntese de medicamentos personalizados de acordo com o código genético de cada indivíduo; aumentando a eficiência / eficácia e melhorando o perfil toxicológico.

Retomando o inicio do texto, reconheço que o conhecimento liberta e a ignorância aprisiona. Mas, também, sou de opinião que cada um é escravo do conhecimento ou da ignorância que tem.

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Referencias consultadas. 
DEL CONT, Valdeir. Francis Galton: eugenia e hereditariedade. Sci. stud.,  São Paulo ,  v. 6, n. 2, p. 201-218,  June  2008.
A descoberta do DNA e o projeto genoma. Rev. Assoc. Med. Bras.,  São Paulo ,  v. 51, n. 1, p. 1,  Feb.  2005.



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Autopreservação: a tônica da natureza.

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Ser normal e saudável não depende exatamente da sorte! Sorte é acaso e, na biologia, o precedente, embora não seja determinante, influencia - muito ou pouco - o descendente! Hipócrates (460 a.C - 370 a.C) já enunciava isso através da frase "Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão as suas doenças."



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A ilusão da superioridade humana.

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A farsa da superioridade humana está caindo por terra... E isso é bom pra própria humanidade!



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Efeito bumerangue: será esta a lógica da natureza?

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Eu já ouvi dizerem que a natureza é vingativa... Também já ouvi que a natureza sempre toma de volta o que lhe pertence. Outra frase relativamente comum diz que "Nada acontece por acaso". Consideradas as proporções devidas, acho que essas frases de domínio público guardam, nas entrelinhas, alguma coerência e, em maior ou menor intensidade, relacionam-se à Terceira Lei de Neuwton (Lei da Ação e Reação).

De acordo com essa Lei, se um corpo A exerce uma força sobre um corpo B (força de ação), o corpo A também experimenta uma força emanada do corpo B (força de reação) de mesma intensidade e direção, mas em sentido oposto.

Talvez o "x" da questão em relação às frases que utilizei para iniciar esta postagem recaia, mais uma vez, na sensação de superioridade que o homem imagina ter sobre tudo, quando, na verdade, somos apenas mais um corpo obedecendo à Terceira Lei de Newton e tantas outras regras que regulam a dinâmica da lógica da natureza. Por isso ficamos tentando encontrar explicações para justificar os nossos fracassos na interação com o universo.


Podemos até verbalizar que a natureza é caótica, mas isso se deve ao fato de, enquanto míseros mortais, sermos incapazes de analisar o todo. A nossa ignorância sobre o todo, portanto, obriga-nos a nos posicionar de forma extremamente reducionista e imediatista quando consideramos eventos naturais complexos a exemplo de terremotos, furacões, maremotos, erupções vulcânicas; ou mesmo eventos menos complexos como a queda de um raio, tempestades com inundações, quedas de barreiras, etc. Assim, chega a ser compreensivo ouvirmos falar em vingança da natureza ou alguma frase semelhante... Ainda mais quando a suposta vítima é o "todo poderoso" ser humano.

Exemplo de estrutura fractal.
O fato é que a matemática e a física modernas já conseguem afirmar que a natureza se organiza e funciona a partir de padrões simétricos. Algo como fractais que são estruturas que repetem sua organização infinitamente em escalas cada vez menores, onde cada fragmento é igual ao todo, e cujo limite é o átomo. A natureza, portanto, possui uma ordem intrínseca imutável e tudo o que ocorreu, ocorre e irá ocorrer foi e será com o intuito de manter essa ordem.

Tem melhor exemplo de simetria do que a molécula de DNA? A simetria está presente em tudo na natureza, sempre expressando equilíbrio: o dia e a noite, o quente e o frio, o sólido e o líquido, o vaivém das marés - os exemplos são infinitos.

Considerando que a lógica da natureza é pautada em padrões simétricos que se harmonizam em escalas extremamente grandes é compreensível que a manutenção desses padrões demande comprometimento de quantidades volumosas de energia potencial que, quando necessário, são dispendidas com o objetivo de restabelecer a "ordem natural" por ventura perturbada pela ação humana. Sim; o homem é o único animal capaz de perturbar a ordem natural! Os demais seres vivos são literalmente regidos pela "batuta" da natureza. O homem interfere e modifica o ambiente, ao seu prazer, pautado em critérios que quase sempre estão em distonia com o natural. Até parece ação deliberada de desafio, senão vejamos: 1) desviar curso de rios para realizar construções físicas; 2) aterrar áreas que alagam naturalmente; 3) edificar em áreas de encostas e promover a remoção de cobertura vegetal dessas encostas; 4) edificar em áreas sabidamente abaixo do nível do mar; 5) edificar em áreas de junção de placas tectônicas; 5) permitir aglomerados urbanos em imediações de vulcões ativos; 6) alterar parâmetros físicos do ambiente a exemplo de temperatura e pressão, mediante produção e emissão na atmosfera, no solo, nos rios e mares de gases e outros produtos químicos. A lista de exemplos é extensa!

Então; considerando que cada célula, em um organismo multicelular, busca manter-se em harmonia com o referido organismo - ao que chamamos de homeostase - a terra faz o mesmo em relação ao sistema solar e por extensão à via láctea. Assim, eu pergunto: que importância a terra vai dar ao ser humano quando ela tiver que realizar alguma tarefa objetivando manter ou restabelecer o seu equilíbrio em relação ao universo?

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Para redigir esse artigo o autor se inspirou no texto "Simetria: lógica na natureza" publicado em https://super.abril.com.br/ciencia/simetria-logica-na-natureza/



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Morte celular programada: Eu, matador de mim!?

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"Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia". Esta frase, cuja autoria é atribuída a William Shakespeare, parece adequada para inciar esse texto que fará alusão à morte celular programada; também conhecida como apoptose ou suicídio celular. Trata-se de evento bioquímico que ocorre no nível celular dos organismos multicelulares. É apenas um dos inúmeros eventos celulares sobre os quais não temos capacidade de gestão e que são fundamentais para a integridade dos sistemas orgânicos.


Para um individuo com formação no campo das ciências naturais não é confuso compreender que o corpo humano é constituído de centenas de tipos de células, todas originárias de um óvulo fertilizado. Sabemos, assim, que durante o processo de embriogênese e o período fetal, o número de células cresce vertiginosamente e, posteriormente, elas amadurecem e especializam-se para constituir os vários tecidos e órgãos que formam o corpo. No entanto, muitas células também surgem na fase adulta do organismo. Assim, tanto a geração de novas células como a morte celular são processos fisiológicos, tanto no feto quanto no adulto, mantendo a quantidade apropriada de células nos tecidos. Essa delicada eliminação controlada de células denomina-se apoptose ou morte celular programada ou suicídio celular.

Membranas interdigitais de pés humanos em formação
e que são removidas mediante apoptose.
Há células que morrem porque estão doentes. Porém, como dissemos, células saudáveis são sacrificadas em benefício do organismo. Um exemplo elucidativo ocorre durante a formação das nossas mãos pois, para que se formem corretamente, células saudáveis precisam morrer para possibilitar a definição de contorno que dá funcionalidade aos dedos. A programação de morte de células saudáveis também é comum nos organismos cujo desenvolvimento envolve metamorfose a exemplo da regressão da cauda do girino para torna-se sapo adulto.

Um passo importante para a compreensão dos mecanismos biológicos da regulação da morte celular programada foi dado pelos cientistas Sydney Brenner (Britânico), Robert Horvitz (Americano) e John E. Sulston (Britânico). Utilizando como modelo experimental o nematódeo Caenorhabditis elegans (C. elegans) os pesquisadores realizaram descobertas fundamentais sobre a regulação genética do desenvolvimento dos órgãos e do suicídio celular, mediante acompanhamento da divisão e diferenciação celulares desde o ovo fertilizado até o animal adulto. Identificaram genes-chave na regulação do desenvolvimento de órgãos e da morte celular programada no modelo experimental e demonstraram que existem genes correspondentes em espécies mais complexas como o homem.

Sydney Brenner atua no The Molecular Sciences Institute, em Berkeley, Califórnia e definiu que o Caenorhabditis elegans era uma boa espécie para servir de modelo experimental de organismo. A partir dos estudos foi possível descobrir que ao longo do desenvolvimento o verme acumulava 1.090 células somáticas, das quais 131 morriam, sobrando 959 no final. Trata-se de animal multicelular, relativamente simples, microscópico e transparente, que pode ser facilmente observado em microscópio durante seu desenvolvimento. Sendo contemporâneo à descoberta da estrutura do DNA, Brenner decidiu dedicar-se à tentativa de desenvolver um sistema biológico que possibilitasse visualizar a relação entre genes e proteínas no desenvolvimento dos tecidos e dos órgãos, desde a fase embrionária. Em 1974 demonstrou que mutações em alguns genes específicos do C. elegans podiam ser induzidas através do uso de um composto químico chamado EMS (Ethyl Methane Sulphonate), e que diferentes mutações poderiam estar relacionadas a genes específicos e a determinados efeitos no desenvolvimento dos órgãos. A utilização de C. elegans possibilitou analisar as relações genéticas entre a divisão celular, a diferenciação e o desenvolvimento dos órgãos mediante acompanhamento direto pela visualização ao microscópio.

John Sulston, do The Wellcome Trust Sanger Institute, de Cambridge, Inglaterra, ampliou o trabalho de Brenner com o C. elegans e desenvolveu técnicas para estudar todas as divisões celulares no referido nemátodo; desde o estágio embrionário à fase adulta. Assim, em 1976, descreveu a linhagem celular para uma parte do desenvolvimento do sistema nervoso do animal e provou que a linhagem é invariável, ou seja, em todos os vermes ocorreriam a divisão e a morte das mesmas células, sempre no mesmo tempo programado. Sulston foi o primeiro a identificar uma mutação num gene envolvido no processo de morte celular.

Esquema de apoptose em C. elegans
Robert Horvitz, por sua vez, atuando no Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, EUA) descobriu, mapeou, descreveu e caracterizou os genes (EGL-1, CED-4, CED-3, CED-9) como sendo genes-chave no controle da morte celular em C. elegans e, portanto, responsáveis pela morte 131 células normais ao longo da vida do verme modelo. De acordo com os achados de Horvitz; os três primeiros genes são os indutores à morte. O gene CED-4 ativa o CED-3, que é conhecido também como molécula efetora, conduzindo, assim, à morte. O gene CED-9 é o que impede que o CED-4 ative o CED-3, funcionando dessa forma para aquelas células que não devem morrer. Quando uma célula realmente tem que morrer, é o EGL-1 que entra em ação para evitar que o CED-9 “sequestre” o CED-4.
Esquema de C. elegans; espécie de lombriga que serviu de modelo para os cientistas Sydney Brenner, Robert Horvitz e John Sulston desvendarem mistérios do processo de morte celular programada. 
Com essas descobertas já foi possível verificar que existem genes correspondentes em espécies mais complexas e até no homem. No caso do verme, a molécula executora é só o CED-3, no caso de mamíferos já foram clonadas 14 moléculas que possuem a mesma formação estrutural e funcional. E há uma família de proteases – enzimas que quebram proteínas – chamadas caspases, que podem ser subdivididas em dois grupos: o que é relacionado a processos inflamatórios e um outro relacionado à morte celular programada ou apoptose. As caspases envolvidas no processo de apoptose em mamíferos ainda são subdividas em dois subgrupos, chamadas de iniciadores e executores do processo, o que ilustra a maior complexidade do processo em animais superiores.

O conhecimento da morte celular programada tem ajudado a compreender mecanismos utilizados por alguns vírus e bactérias para invadir células humanas. Também é sabido que no caso da Aids, de doenças neurodegenerativas e do infarte no miocárdio, por exemplo, células são perdidas como um resultado do número excessivo de mortes. Ao contrário, doenças como alguns tipos de câncer são caracterizadas por uma extrema redução no número de mortes celulares, mantendo vivas as que deveriam morrer. Atualmente, a pesquisa sobre morte celular programada é intensa, principalmente no campo da procura pela cura do câncer.

A importâncias dos achados de Sydney Brenner, Robert Horvitz e John E. Sulston é inegável para a pesquisa médica e têm ajudado a esclarecer a patogênese de muitas doenças; motivo pelo qual os cientistas foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 2002.


Referências:






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Quando a biologia revela a individualidade humana.

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Uma discussão recente mas que ganha consistência no âmbito do Sistema Único de Saúde / SUS é a proposta do Plano Terapêutico Singular (PTS). Trata-se de proposta arrojada e que eu, particularmente, considero o suprassumo da atenção à saúde, uma vez que almeja abordar e contemplar o indivíduo nos seus aspectos singulares de necessidades de saúde, considerando as necessidades biológicas, subjetivas e sociais do indivíduo.
Estava nos meus planos escrever e postar alguma coisa autoral a respeito do PTS e hoje, 01 de junho de 2014, fui surpreendido com uma matéria na mídia escrita que é um desdobramento do Projeto Genoma Humano e que considero relacionada com a proposta avançada e prevista no SUS em relação ao Plano Terapêutico Singular (PTS). A matéria aborda uma questão ainda polêmica mas que precisa ser apresentada à sociedade. Por isso, decidi transcrever a matéria na íntegra para explorá-la em postagens posteriores. Segue:


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A cobaia e o livre arbítrio.

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Genericamente, os dicionários definem razão como sendo o conjunto das faculdades anímicas que permitem distinguir o homem dos outros animais. Aprofundando um pouco mais a conceituação, seria a capacidade de compreender as relações entre as coisas e de distinguir o verdadeiro do falso, o certo do errado, o bem do mal. Razão é raciocínio, pensamento, opinião, julgamento, juízo. E a espécie humana se enche de vaidade por ser a detentora desse digamos "atributo exclusivo", uma vez que abomina o fato de a ciência atribuir-lhe cada vez menos importância relativa, quando comparada ao conjunto de seres vivos necessários para o adequado funcionamento da máquina biológica que rege a natureza.

Nesse contexto de auto intitulação de - a espécie mais importante - está embutida uma nefasta compreensão de que tudo na natureza só existe para a satisfação humana e, consequentemente, tudo é passível de destruição. O homem pode destruir florestas, matar rios, extinguir espécies, maltratar outros animais. O ser superior pode fazer tudo porque ele foi criado à imagem e semelhança de Deus. Ninguém disse isso a ele, mas é isso que o homem acha! Quem não se lembra de reportagens veiculadas em rede nacional em que animais foram espancados até a morte pelos "seus donos" ou amarrados a pára-choque de carro e arrastados pelas ruas?!


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Dia do Biólogo!

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No dia 03 de setembro é comemorado o DIA do BIÓLOGO. Na ocasião, retransmito o poster publicado hoje pela empresa Biosystems em homenagem aos profissionais.


Tentei localizar o responsável pelo texto abaixo para atribuir-lhe os devidos créditos mas não consegui e estou referindo como anônimo:
"Los biólogos son las personas dedicadas al estudio de la biología, la disciplina científica que abarca un amplio espectro de campos de estudio que, a menudo, se tratan como disciplinas independientes. Todas ellas juntas, estudian la vida en un amplio rango de escalas. Los biólogos estudian a los seres vivos y, más específicamente, su origen, su evolución y sus propiedades: génesis, nutrición, morfogénesis, reproducción y patogenia. Se ocupa tanto de la descripción de las características y los comportamientos de los organismos individuales como de las especies en su conjunto".
Essa é minha homenagem... Parabéns biólogos e biólogas do Brasil!


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Tecnologia promete revolucionar o tratamento da infertilidade masculina.

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Cientistas da Yokohama City University, no Japão, conseguiram pela primeira vez cultivar em laboratório espermatozoides funcionais de ratos, a partir de estágios iniciais. Se a técnica inovadora puder ser transferida com êxito em gametas humanos, ela poderá revolucionar o tratamento da infertilidade masculina. Segundo Takuya Sato, líder da pesquisa, a técnica consistiu em extrair células germinativas dos testículos de ratos recém-nascidos, e que, portanto, ainda não tinham iniciado a produção de espermatozóides. O pesquisador semeou as células primordiais em um gel constituído de substâncias nutritivas e hormônios como o soro fetal bovino e testosterona. Os ratos recém-nascidos foram modificados para que uma proteína presente apenas nos espermatozóides funcionais assumisse a cor verde. Em pouco menos de um mês, a equipe do Dr. Takuya Sato constatou que as células colocadas no gel haviam assumido a cor esverdeadas, comprovando que os espermatozóides haviam se desenvolvido.
Túbulos seminíferos de testículos de rato
Em seguida os cientistas, fecundaram óvulos de ratazanas com esses espermatozóides e o resultado foi o desenvolvimento de embriões saudáveis. Quando esses embriões foram implantados em fêmeas, produziram uma prole saudável que foi capaz de acasalar e dar à luz filhotes saudáveis. Os pesquisadores confirmaram ainda que essas células poderiam ser congeladas para uso futuro sem qualquer dano. A pesquisa foi publicada na  revista científica Nature.
"As pessoas estão tentando fazer isso há anos, mas é preciso uma enorme quantidade de tentativas", explica Erwin Goldberg, um biólogo celular da Universidade de Northwestern, em Chicago, que não esteve envolvido no estudo. 
Bateria de cultivo celular
A chave para o sucesso da equipe de Sato, explica Goldberg, foi a paciência: eles continuaram a mistura de produtos químicos no laboratório, até que encontraram exatamente a receita certa para manter vivas as células dos testículos em laboratório e satisfazer todas as suas necessidades nutricionais. Agora, se os pesquisadores conseguirem converter células germinais de um homem infértil em espermatozóides, eles podem ser capazes de identificar exatamente o que vai mal no desenvolvimento do esperma e corrigir o problema, afirma Martin Dym, biólogo de reprodução da Universidade de Georgetown, em Washington, também nos Estados Unidos.
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Fonte : Revista Nature


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Como vai o seu instinto antropofágico?

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O meu desejo é que você jamais precise pensar em comer carne humana para garantir a sua sobrevivência em uma situação extremamente adversa pois, se precisar, provavelmente, você comerá! Isso não é fragmento de uma sinopse de um filme de terror... Estou apenas querendo dizer que o ser humano dito "civilizado" quando acuado e sob pressão pode agir e reagir como o mais irracional dos animais. E isso inclui a possibilidade de saciar a forme - que o levará à morte - ingerindo a carne de seu semelhante, ou seja, praticando antropofagia. A importância que vejo em destacar o "Homem Civilizado" tem sentido, na medida em que antropofagia é prática ritual em aglomerados de humanos selvagens como tribos africanas e tribos indígenas. Mas é preciso dizer que os humanos selvagens não são irracionais! Eles raciocinam dentro dos limites definidos pela sua percepção, sobretudo percepção cultural. Aliás, a capacidade de percepção do seu entorno e os valores culturais também funcionam como lastros que delimitam a razão entre os humanos civilizados.
Uma vez que nesse texto farei referência aos termos antropofagia e canibalismo, que são semelhantes, mas guardam uma diferença importante, considero necessário diferenciá-los: Antropofagia é uma expressão de origem Grega cujo prefixo Antropo designa homem e o sufixo Fagia / Fago significa comer. Antropofagia é, então, o ato de o ser humano comer a carne de outro individuo da sua espécie. Quando o ato de ingerir carne de outro individuo de mesma espécie ocorre entre animais não humanos denomina-se canibalismo. É usual e correto se referir a antropofagia como canibalismo, porém, não é correto referir-se à canibalismo como antropofagia, já que antropofagia é restrito à espécie humana.
Feitos os esclarecimentos digo que, entre os animais destituídos de razão, também denominados animais inferiores, o canibalismo é prática relativamente contumaz e pode ter várias motivações, uma delas é a restrição ou privação de alimento. Lembro-me da época de acadêmico de Ciências Biológicas (bacharelado), lá pelos anos de 1992...  A minha turma era composta de sete alunos e durante a disciplina Etologia (ramo da biologia que estuda o comportamento animal) a turma recebeu do professor uma gaiola contendo um casal de ratos e recebemos instruções para realizar o nosso primeiro experimento biológico. As instruções foram as seguintes: 1) A gaiola deve ser colocada e mantida em local agradável no que diz respeito a temperatura, umidade e luminosidade; 2) A área da gaiola jamais deverá ser alterada; 2) Os animais deverão receber diariamente e em horário definido, durante o semestre letivo, uma quantidade fixa de ração e água que serão superiores às necessidades diárias dos dois animais; 3) A equipe deve efetuar registros de tudo o que for observado no comportamento desses animais. Para que o leitor acompanhe o raciocínio, vou fazer algumas considerações sobre a biologia dos roedores: São animais com grande capacidade de adaptação e que em situações ideais atingem rapidamente o clímax reprodutivo, resultando em ninhadas em períodos dentro do limite extremo da capacidade da espécie. Na verdade, o incremento reprodutivo é um comportamento elementar em qualquer espécie biológica, uma vez que estamos falando de estratégia de perpetuação. Isso tanto é verdade que os micróbios - em situações favoráveis - dispensam a reprodução sexuada e recorrem à reprodução assexuada (cissiparidade/bipartição) para garantir o rápido povoamento do território parasitado. E apenas em um segundo momento da colonização é dada importância à troca de gens para garantir variabilidade.
Mas, voltando para o nosso experimento com o casal de ratos, os dias passavam e tudo acontecia conforme planejado, ou seja, gaiola bastante ampla para dois indivíduos, excesso de água, excesso de ração, temperatura e umidade ideais controladas, tudo perfeito! A resposta biológica irracional não foi outra senão início e incremento no limite extremo da função reprodutiva: A ratazana era fecundada, gestava, paria, iniciava nova gestação... Os filhotes atingiam a maturidade sexual precocemente e também entravam no ciclo reprodutivo. Até que os problemas começaram a aparecer: O espaço que antes era abundante já ficou insuficiente. A ração e a água também já não suprem as necessidades da população confinada. O que era favorável passou a ser desfavorável e o nível de tensão e estresse aumentam, o que é constatado pelo aumento da agressividade e inquietação dos animais no confinamento... A partir de então, as ninhadas que vão surgindo são devoradas pelos próprios indivíduos no esforço pela sobrevivência. Nesse ambiente o canibalismo passa a ser a válvula que controla a população, ajustando-a às condições impostas pelo ambiente.
O que relatamos até então está perfeitamente enquadrado no que chamamos de comportamento instintivo. Mas o que é instinto? Esse comportamento é controlável? É comportamento restrito aos animais irracionais? O homem pode abrir mão de seu comportamento racional e agir por instinto?
Instinto é palavra de origem no Latin (instinctu) e designa estímulo ou impulso natural e involuntário pelo qual os animais, incluindo o homem, executam certos atos sem consciência e, portanto,  sem reflexão sobre as conseqüências. Pode também significar uma aptidão inata, ou seja, de nascença. Mas, geralmente, a resposta instintiva está associada à necessidade de autopreservação, ou seja, de sobrevivência. O detalhe é que as experiências, as sensações, as emoções aprimoram o instinto e esse aperfeiçoamento é transmitido dentro da espécie como herança biológica. Isso explica, por exemplo, porque um animal reconhece e identifica outro animal de outra espécie como inimigo natural e que deste deve fugir, impelido pelo instinto de sobrevivência.
Não se questiona o processo evolutivo pelo qual passou o Homo sapiens (nome científico atribuído à espécie humana) desde o seu brotamento a partir do ancestral primata comum. Nos momentos iniciais da nossa espécie a diferença de comportamento e de atitudes em comparação com os outros animais eram mínimas. No caso do Homo sapiens, o arcabouço constitutivo do sistema nervoso possibilitou que o processo evolutivo aprimorasse substancialmente esse compartimento, dotando o homem da capacidade de   raciocínio e reflexão. Ou seja, a espécie humana passou a se diferenciar das demais espécies por ter a consciência do aqui e do agora. As sua atitudes deixaram de ser mediadas apenas pelo instinto. Na verdade, o instinto passou a ser um componente secundário, integrante do sistema nervoso vegetativo. A pergunta que fica é a seguinte: Porque o processo evolutivo não suprimiu do DNA humano as sequências que determinam as atitudes instintivas? A pergunta é muito interessante, mas a resposta é obvia... há situações na interação do homem com o ambiente em que a decisão tem que ser tomada em milionésimos de segundo, sob pena de causar danos irreparáveis ao organismo, inclusive a morte. Sendo assim, associar instinto à sobrevivência é por demais apropriado.
Por isso, mesmo após milhares de anos de evolução, trazemos no nosso código genético, de forma latente, os genes que modulam o nosso impulso antropofágico: Em uma situação ideal, com todas as variáveis sob o controle da razão, não pensamos e sequer admitimos a possibilidade de ingerir a carne do nosso semelhante. Mas numa situação de estresse extremo, quando as variáveis que julgamos importantes estão desfavoráveis, o componente racional do nosso sistema nervoso é desligado, pois está em jogo a condição mais elementar de perpetuação da espécie que é a sobrevivência. Aí a antropofagia que era algo inadmissível para o nosso componente racional passa a ser considerada, admitida.
O exemplo mais emblemático de antropofagia entre humanos civilizados é retratado a partir de um acidente aéreo que ocorreu na Cordilheira dos Andes em 1972. Os relatos dão conta que com a queda de um avião de passageiros algumas pessoas sobreviveram e após vários dias sem qualquer perspectiva de socorro e uma vez tendo consumido todo o alimento disponível à bordo, os sobreviventes passaram a se alimentar de carne humana daqueles que faleceram com o acidente. Nesse caso a decisão de consumir carne humana também foi influenciada pelo fato de os corpos não terem apodrecidos, uma vez que a região onde aconteceu acidente possui temperaturas extremamente baixas que promoveu a conservação dos copos. Relata-se, inclusive, que os sobreviventes utilizaram fragmentos da fuselagem do avião como utensílio de corte. Pelo que me consta, esse acidente virou roteiro de filme, mas não assisti.


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Incidentes de Biossegurança: Uma série para reflexão.

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Mais uma vez retomo nas minhas postagens o tema Biossegurança. Esse é um assunto no qual me especializei e considero dos mais importantes para todas as profissões / profissionais que de alguma forma manipulam material químico, físico ou biológico na rotina dos seus trabalhos, onde podemos incluir: medicina, enfermagem, odontologia, farmácia / bioquímica, nutrição, medicina veterinária, biologia, agronomia, química. Os profissionais de nível médio relacionados a esses cursos também estão considerados.

Em meados do ano 2000, quando decidi por me especializar nesse assunto, tinha esse tema no cotidiano do meu trabalho, pois atuava como presidente da Comissão de Biossegurança de um laboratório de saúde pública. Passados dez anos, avalio que pouco mudou no perfil dos trabalhadores, incluindo os recém formados, quando o assunto é proteção individual e coletiva no ambiente insalubre dos laboratórios, hospitais, clínicas e correlatos. E a justificativa é sempre a mesma: Sempre procedi assim e nunca aconteceu nada! Na verdade muitos anos passarão, acidentes acontecerão, profissionais continuarão sendo infectados e adoecerão. E a explicação é relativamente simples, embora não justifique: Diferentemente do operário da construção civil, que quando negligencia da segurança a consequência é evidente e imediata, como por exemplo a queda do andaime com múltiplas fraturas, uma descarga elétrica com graves queimadura, etc, o operário da saúde não percebe imediatamente as consequências da sua negligência ou imprudência, pois os acidentes biológicos nem sempre produzem efeito imediato. A evolução às vezes é sutil, porém insidiosa, podendo levar anos até a manifestação clínica.

O objetivo então é apresentar e comentar uma séria de casos envolvendo incidentes de biossegurança. Os incidentes que serão apresentados são peças de ficção, mas que devem ocorrer nos inúmeros ambientes de trabalho onde labutam esses profissionais. Incidentes que às vezes são omitidos e não viram estatísticas.
A série que vou apresentar será constituída de 14 casos que selecionei de 26 casos que foram objeto de estudo em uma capacitação de biossegurança que participei como aluno em 2001, cujo instrutores foram dois técnicos do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC-Atlanta).

A seguir listo a ordem dos casos e o assunto que será abordado. O caso nº 1 envolverá a exposição acidental a material perfuro cortante.O caso nº 2 tratará de queimadura envolvendo a manipulação de ácido sulfúrico. O caso nº 3 abordará um incidente num laboratório de zoonoses que resultou em contaminação com vírus do Herpes B. O caso nº 4 aborda o risco da execução do trabalho sem planejamento. O caso nº 5 trata de um acidente envolvendo a manipulação de um rato contaminado com S. pneumoniae. O caso nº 6 envolve a inoculação em placas de agar para testes de sensibilidade. O caso nº 7 retrata uma contaminação acidental por Neisseria meningitidis. O caso nº 8 ilustra um acidente com chipanzé infectado com hepatite C . O caso nº 9 aborda acidente com a arrumação de materiais dentro de um laboratório. O caso nº 10 ilustra acidente com centrífuga e contaminação pelo vírus Arena. O caso nº 11 retrata uma situação envolvendo os riscos de desinformação ou informação precária dentro de um laboratório. O caso nº 12 envolve acidente em uma câmara de fumigação. O caso nº 13 retrata acidente envolvendo manipulação de éter etílico. Por fim, o caso nº 14 aborda acidente envolvendo transporte de produtos. Com a apresentação dessa série de casos esperamos estar contribuindo para a mudança de atitude e comportamento dos profissionais da saúde.


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Vieste do pó e ao pó voltará... Se não entendeu eu explico!

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Sou claro, quando o assunto é religião, e não deixo subentendidas as minhas restrições, o que não significa dizer que sou ateu, muito pelo contrário! Tenho a minha convicção de Deus, que em nada se assemelha ao Deus estereotipado e difundido. Não pensem, porém, que sou contra a qualquer forma de manifestação religiosa. Vivemos mergulhados e envolvidos com tantos problemas comuns à existência humana que a religião se constitui excelente apoio e porque não dizer, válvula de fuga.O problema são os excessos! Reconheço a Bíblia Sagrada como a obra literária mais fantásticas já produzida, e até costumo utilizar em sala de aula passagens dos seus diversos livros, para ilustrar aspectos relacionados à biologia, e com isso desfaço assim o tabu de que ciência e religião são incompatíveis.

Na verdade, costumamos nos referir à bíblia como um livro de texto complexo em função da linguagem excessivamente rebuscada, metafórica e de difícil compreensão. Isso é fato, e o título dessa postagem é bem emblemático dessa constatação, senão vejamos; Vieste do pó e ao pó voltará! Pra começar, pó lembra terra, barro, então alguém pode concluir que o homem foi gerado a partir do barro (sopro de Deus!) e que logo em seguida, a partir da costela desse primeiro homem gerado do barro, Deus fez surgir a primeira mulher. Ao morrer o homem (e a mulher) é enterrado, decompõe-se e se integra à terra, ou seja, ao barro que lhe deu origem. Explicação perfeitamente aceitável para um adepto da Teoria Criacionista.

Ocorre que como biólogo, confesso que tenho uma forte inclinação paro o evolucionismo (Teoria Evolucionista), mas acabei de falar que utilizo trechos da bíblia para ilustrar aulas de biologia. Também falei que discordo da opinião de incompatibilidade entre ciência e religião. Como então explicar o paradoxo? Na minha opinião não há contradição pois essa magistral e enigmática frase " Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos ao pó voltarão", que consta do capítulo 3 do livro de Eclesiastes tornou-se perfeitamente explicável à luz da biologia após o desenvolvimento científico que culminou com a descoberta do átomo, dos elementos químicos e dos micróbios. Em outras palavras, digo que o desenvolvimento científico é um forte aliado na interpretação dos enigmas contidos nos textos bíblicos!

Nascer e morrer são os dois extremos da condição humana e, por extensão, de qualquer ser vivo. Tudo o que está antes da vida e depois da morte não é de conhecimento da ciência e figura no fértil território da especulação, inclusive da especulação religiosa! No entanto, à luz da ciência, não há mais dúvidas a respeito da nossa constituição bioquímica, com predomínio de elementos químicos como carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre.
São esses elementos e outros, em menor proporção, que se organizam adequadamente para formar moléculas de complexidades variáveis, as quais viabilizarão a organização celular que é a base da constituição do corpo humano (e de todos os organismos unicelulares ou pluricelulares). Por sua vez, quando um elemento químico não está quimicamente ligado a outro, ou seja, está sozinho, recebe a denominação de átomos. Eis a essência da questão! O pó referido no capítulo 3 de Eclesiastes diz respeito à astronômica quantidade de átomos que - quando devidamente agregados em moléculas - dão origem a um organismo e o mantém vivo. Por ocasião da morte, as ligações químicas que mantém esses elementos químicos unidos são quebradas e os respectivos átomos são devolvidos à natureza para que se envolvam em outras reações bioquímicas, possibilitando a geração de outras vidas.

Sendo assim, não podemos nos surpreender se um átomo de carbono que em um dado momento se encontrava constituindo o organismo de um ser humano for encontrado em uma segunda ocasião constituindo o organismo de um vegetal ou até de um micróbio. Isso porque, uma vez retornado à condição de pó (poeira de átomos), esses átomos estão disponíveis para serem utilizados na organização de outros organismos, corroborando a célebre frase de Lavoisier de que "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".

Os micróbios, por fim, desempenham papel fundamental nesse processo de devolução dos átomos à natureza. À ação microbiana chamamos de decomposição. São eles que realizam todo o processo que vou aqui denominar entropia, pois consiste em desmontar as células mortas até o nível atômico, quando então os elementos químicos que as constituíam ficam disponíveis para reutilização.


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