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Manguezais: a grande maternidade da natureza.

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Vista de Aracaju com resquício de manguezal que margeia a Av. Beira Mar.
Quando algo está desorganizado, bagunçado, caótico, etc, é comum ouvirmos a expressão "Isso aqui tá um mangue!". E esta atribuição pejorativa, deve ter contribuído, em parte, para que historicamente a sociedade atribuísse pouco valor a essa formação vegetal natural que estende ao longo da costa brasileira, numa linha de transição entre a terra e o mar. 

Do ponto de vista biológico, o manguezal é um dos mais ricos ecossistemas terrestres, ou seja, possui elementos não vivos (água, gases atmosféricos, sais minerais, radiação solar) e seres vivos (plantas, animais e microorganismos) que interagem formando um sistema estável e sustentável, imprescindível para a vida marinha. 

A definição de mangue pode ser dada a partir de uma paisagem vista como um mar de lama, onde floresce um tipo de vegetação arbórea que forma imensos bosques ou espalha-se em pequenas faixas às margens dos oceanos, estuários, lagoas e marés, habitados por milhares de espécies de peixes, moluscos, crustáceos e animais microscópicos e, segundo dados oficiais, o Brasil possui cerca de 25.000 km de florestas de manguezais, que vão do Cabo Orange, no extremo norte do Amapá, até o rio Araranguá no litoral de Santa Catarina (figura abaixo).

Os manguezais são um dos ecossistemas mais importantes e ricos do planeta, povoados por muitos animais e plantas exóticas. Abrigam e alimentam a fauna marinha composta por peixes grandes e pequenos, crustáceos, ostras, mariscos e caranguejos que se reproduzem em abundância e se alimentam das raízes nodosas das árvores e de suas folhas gordas, trituram os materiais orgânicos do solo e com suas carapaças e seus esqueletos calcários desempenham importante papel para a estruturação e consolidação do solo, contribuindo para o equilíbrio ecológico. Para a natureza, os mangues podem ser considerados uma espécie de maternidade do mar, da fauna e da flora, e para o homem uma importante fonte de alimento, garantindo a sobrevivência da grande população ribeirinha de pescadores.

Os primeiros registros da existência de manguezais na costa brasileira datam da época do descobrimento do Brasil, em 1500, quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal, D. Manuel, sobre a exuberante beleza geográfica e a abundante riqueza natural da nova terra conquistada, da gente que nela habitava, da fartura de alimentos que nela havia e da fauna e da flora que nela existiam. Aves como o pelicano, o guará, as garças brancas e azuis, e os colhereiros, também escolhem as florestas dos mangues para se abrigar e viver na época da reprodução.

Além da fundamental função de berçário da vida marinha, o mangue desempenha outras funções primordiais, quais sejam: evitar a destruição do litoral pela fúria do mar em tempo de maré alta; proteger as áreas ribeirinhas dos rios no período das chuvas; filtrar poluentes evitando que produtos tóxicos sejam despejados diretamente no mar e muitas outras formas de proteção ambiental.

Porém, nas últimas décadas, a intervenção humana tem causado prejuízos avassaladores ao meio ambiente. E como todo ecossistema brasileiro, o mangue também tornou-se vítima passiva da degradação ambiental decorrente da pesca e da caça predatórias, desmatamento, assoreamento, erosão, aterramento, lixo urbano, despejos industriais, derramamento de óleo entre outros. A degradação dos mangues vem causando grande desequilíbrio à fauna marinha de toda costa litorânea brasileira, comprovada pela escassez dos estoques naturais de camarões, peixes, lagostas, caranguejos, siris e muitos outros crustáceos e moluscos habitantes dos mangues e, sobretudo, pelo aumento de incidência de ataques de tubarões a banhistas.

Calçadão da Praia Formosa - Bairro 13 de Julho, Aracaju-SE
Aracaju, a exemplo de outras cidades litorâneas, possuía extensas áreas do seu território ocupadas por mangues e sofreu com a degradação dessa importante formação vegetal ao longo do tempo, sob o apelo da especulação imobiliária. Recentemente uma extensa área localizada às margens do rio Sergipe e outrora ocupada por mangue fui urbanizada pelo poder municipal (figura ao lado) e a população passou a usufruir de excelente área de lazer.

Estudos feitos por biólogos e ambientalistas mostram que a chegada dos colonizadores portugueses e a crescente urbanização e ocupação essencialmente predatória dos franceses, espanhóis, holandeses, foi um marco histórico não somente para o processo de colonização mas também para o início da degradação e destruição da biodiversidade do ecossistema brasileiro.

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Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Mangues. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 24 de julho. 2016.



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