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    Nossa ética

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    Um homem da ciência não deve ter desejos nem afeições, somente um mero coração de pedra (Charles Darwin).

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Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...

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O modelo de colonização do Brasil diz muito do que somos.

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Inicio essa exposição fazendo alusão a dois provérbios da sabedoria popular. O primeiro, em tom de inferência, diz “Diga com quem andas e te direis quem é!” e o segundo admite que “Quem se junta a porcos, farelo comerá!”. Alguém, inadvertidamente, poderá argumentar qual a relação dos citados provérbios com a temática proposta? E esse questionamento será elucidado ao longo dessa exposição. 

Conforme consta dos relatos históricos, o que hoje se denomina República Federativa do Brasil foi outrora um território supostamente descoberto pelos Portugueses na data de 21 de abril de 1500; o que equivale dizer que já se passaram 519 anos desde o ato / momento reconhecido como simbólico de apoderamento do referido território. Vale dizer, também, que ser colonizado não foi algo inédito e específico do Brasil. Aliás, esse foi o formato pelo qual Estados importantes da geopolítica mundial se constituíram, tendo como exemplo emblemático os Estados Unidos da América (EUA). Então, se o Brasil e os Estados Unidos da América já foram colônias e hoje são nações independentes, porque são tão diferentes? A resposta para essa pergunta pode estar na maneira como esses dois territórios foram tratados enquanto colônias. 

Relata a história que a maneira como Portugal tratou o Brasil enquanto colônia impregnou na sociedade em formação a ideia de que as coisas podiam ser feitas de qualquer jeito; ao que chamamos hoje do “jeitinho brasileiro”. Também incutiram na nossa personalidade, enquanto sociedade em formação, que era importante levar vantagem em tudo o que pudesse na lógica da “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Ou seja, o modelo colonizador português foi pautado na exploração e depredação não só de recursos naturais mas também de valores morais elementares para se constituir uma sociedade saudável. Até mesmo a igreja católica contribuiu negativamente na implementação do atual DNA da sociedade brasileira quando apoiou a escravidão e quando fez contrabando de ouro nos chamados “santos do pau oco”. 

Há relatos que, de maneira regular, os delinquentes (ladrões, assassinos, estupradores) condenados pela justiça portuguesa eram sentenciados a cumprir a pena na colônia portuguesa – ou seja, no Brasil – e foram essas pessoas que partilharam seu material genético com escravos e nativos (indígenas). De modo que nós somos o produto desses cruzamentos. 

Quanto ao território que hoje constitui os Estados Unidos da América, sabemos que foi colonizado pela coroa Britânica numa lógica completamente antagônica ao que ocorreu no Brasil. Os ingleses decidiram implementar o desenvolvimento da região, mediante povoamento, utilizando grupos familiares de refugiados religiosos onde o ideal de fixação estava associado ao desejo de prosperidade e desenvolvimento social, na perspectiva de reproduzir no território americano a forma de vida que possuíam na Europa. Existia o ideal / diretriz de acumulação de bens vinculado à valorização do trabalho, poupança e capitalização. Do investimento na colônia os lucros gerados pela produção ficavam na própria colônia e apenas tributos eram direcionados à metrópole. A produção colonial atendia à satisfação das necessidades internas e se organizava em pequenas propriedades, com a utilização do trabalho livre e familiar. Enfim, foi implementada na colônia uma consciência da autonomia e desenvolvimento precoce do ideal de emancipação.

Não quero com isso dizer que os nossos problemas de caráter ético e moral são intransponíveis e que o nosso futuro está condenado pelo nosso passado. Isso não pode nos produzir desalento, pois os organismos vivos passam constantemente por mutações genéticas e novas combinações sempre são possíveis, para o bem e para o mal. Aliás já é perceptível, nas novas gerações, posturas e atitudes bem diferentes em relação ao nosso passado recente. Em verdade, a mudança de atitude e comportamento que imaginamos para a nossa classe política não será impulsionada pela geração adulta atual; pois os políticos atuais nos representam, literalmente! 

O problema é que o tempo requerido para mudanças perceptíveis no padrão de uma sociedade humana não corresponde ao tempo biológico de cada indivíduos. Como o nosso tempo de vida é relativamente curto, somos induzidos a pensar que estamos condenados a sermos essa sociedade medíocre e hipócrita onde seus "cidadãos" reproduzem com fidelidade as mesmas praticas coloniais da "farinha pouca, meu pirão primeiro".

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Pesquisa científica deve ser reavaliada.

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A ATUAL ESTRUTURA DE APOIO À PESQUISAS MUITAS VEZES LEVA A ESTUDOS IMPRODUTIVOS; MAS HÁ SOLUÇÃO!

No início deste ano, uma série de artigos divulgados em The Lancet relatou que 85% dos US$ 265 bilhões gastos anualmente em pesquisas médicas são desperdiçados. Isso não se deve a fraudes, embora seja verdade que retrações [de pesquisas] estejam em ascensão. O que ocorre é que com frequência excessiva não acontece absolutamente nada depois da publicação dos resultados iniciais de um estudo. Não há trabalhos de acompanhamento (follow-up) para replicar ou expandir uma descoberta, e ninguém aproveita os resultados para desenvolver novas tecnologias. O problema não é apenas o que acontece após a publicação — cientistas muitas vezes têm dificuldade de fazer as perguntas certas e traçar ou projetar seus estudos corretamente para respondê-las. Um número excessivo de estudos neurocientíficos testa objetos de estudo insuficientes para chegar a conclusões sólidas. Pesquisadores publicam artigos sobre centenas de tratamentos para doenças que funcionam em modelos animais, mas não em humanos. E empresas farmacêuticas são incapazes de reproduzir os alvos de drogas promissoras publicados pelas melhores instituições acadêmicas. Como seria de se esperar, o crescente reconhecimento de que algo deu errado no laboratório resultou em apelos para “mais pesquisas sobre pesquisas” (ou seja, meta-pesquisas), tentativas de encontrar protocolos que garantam que os estudos revisados por pares sejam, de fato, válidos.


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Ensaio sobre a curiosidade humana

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Desde as primeiras iniciativas, quando o ser humano tentou explicar o mundo em que vivia a partir de suas próprias capacidades de análise e percepção, a natureza sempre se apresentou como ponto de partida de toda e qualquer reflexão. Assim, em maior ou menor grau, o “ser curioso” próprio da condição humana é movido pelo interesse permanente de investigar o mundo que o cerca, seja por dilantelismo ou por necessidade.

Foram os gregos os pioneiros na tentativa de superar explicações míticas sobre a origem do cosmos, bem como para protestar contra o determinismo atribuído à condição humana diante da “incontestável vontade” dos deuses.


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Cientista precisa saber escrever.

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O Brasil deixa de publicar muitos trabalhos científicos de alta qualidade em revistas de grande impacto simplesmente por não redigir adequadamente. Esta foi a afirmação de Carl Webster, do Centro de Pesquisa em Aquicultura da Universidade do Estado do Kentucky, Estados Unidos, no 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquaciência 2012), realizado em Palmas (TO) de 1º a 5 de julho.

Webster, que ministrou um curso sobre redação de artigos científicos durante o evento, é o editor responsável pela World Aquaculture Magazine, revista da Sociedade Mundial de Aquicultura (WAS, na sigla em inglês) e afirmou que saber dividir uma pesquisa em partes que possam interessar a diferentes periódicos científicos e relacioná-las entre elas é um dos atributos mais valorizados pelos revisores.

O primeiro passo, segundo Webster, é selecionar o assunto a ser tratado de acordo com a publicação. “Dizer que a amônia apresenta toxicidade para o pirarucu, por exemplo, não é novidade alguma, mas se você fizer um artigo sobre a fisiologia ou histologia relacionada ao assunto, o interesse será grande”, disse.

O organizador do curso, José Eurico Possebon Cyrino, professor associado do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), concorda: Em vez de focar os artigos em espécies exclusivas do Brasil, Cyrino recomenda selecionar detalhes da pesquisa que sejam comuns a outros peixes, o que pode fazer toda a diferença durante uma seleção para publicação.

Cyrino, que coordena atualmente três projetos apoiados pela FAPESP na modalidade Auxilio à Pesquisa – Regular, após ter concluído diversos outros, é o responsável pela publicação dos anais do Aquaciência e aponta para uma deficiência na formação do pesquisador em todo o país, a redação científica. “É preciso mostrar aos graduandos e pós-graduandos a importância de se escrever bem um artigo científico, sob o risco de o trabalho não ter a repercussão que merece”, alertou Cyrino ao ministrar o curso que dividiu com Webster.

Webster, por sua vez, ressaltou a alta qualidade da pesquisa brasileira em aquicultura, apesar das dificuldades na escrita. “O Brasil faz um ótimo trabalho de investigação na área, e poderia publicar muito mais”, afirmou.

A despeito das dificuldades dos brasileiros, a qualidade de um trabalho pode suplantar as barreiras linguísticas, de acordo com ele. “Não descarto um artigo potencialmente bom por estar mal escrito, todavia um paper bem escrito faz muita diferença na hora da escolha”, disse.

Webster aconselha aos que dominam pouco o inglês a sempre submeter o artigo a um colega fluente antes de enviá-lo a uma revista. Adaptar o artigo a cada publicação é outra dica. Por esse motivo, não é aconselhável enviar para uma revista um artigo originalmente escrito para outra. Cada uma possui peculiaridades e objetivos que precisam ser observados. E pelo mesmo motivo, o cientista aconselha a leitura atenta das normas de cada publicação. “Muitos trabalhos são rejeitados por não observar regras básicas estabelecidas pelos editores”, apontou.

Segundo Webster, na hora de escolher a publicação é importante verificar o fator de impacto, que é o indicador de citações que o veículo teve durante o período de dois anos. Desse modo, publicar em revistas de reputação ruim pode afetar negativamente o trabalho. No entanto, o fator de impacto não é tudo, pois é necessário ver se o trabalho é adaptado àquela revista. “Um fator de impacto alto provoca em vários países uma avalanche de trabalhos submetidos à revista e muitos deles não têm muito a ver com a proposta da publicação”.

Webster alertou para a necessidade de sempre restringir cada artigo a um único tema central. “Uma pesquisa pode apresentar inúmeros experimentos, contanto que tenha um único foco”, aconselhou. Por outro lado, quanto aos parâmetros é preferível que sejam abundantes e componham um banco de dados que apoiem a pesquisa. Cyrino, por sua vez, propôs aos participantes a aquisição de bons dicionários em inglês, de preferência ilustrados, o que facilita encontrar partes anatômicas dos animais, por exemplo, e apresentou uma extensa lista de livros de apoio voltados à escrita científica.

Entre as suas dicas finais, o professor Cyrino (USP) desaconselhou o uso de tradutores automáticos encontrados na internet e chamou a atenção para um equívoco comum em submissões internacionais, a titulação de doutorado: “Se você não fez doutorado nos Estados Unidos ou no Reino Unido, não escreva a sigla PhD em sua titulação, mas doutor em ciência”. Segundo Cyrino, o título PhD pressupõe fluência na redação científica na língua inglesa e, caso o autor não apresente essa habilidade no texto, ele frustrará bastante o avaliador.

Referências:
O texto acima é uma adaptação da matéria publicada pela Agência FAPESP (http://agencia.fapesp.br/15832) no dia 30 de julho de 2012, sob a responsabilidade de Fábio Reynol, assessor de comunicação da Embrapa Pesca e Aquicultura do Estado de Tocantins.



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Internação Domiciliar: Que paradigma é esse?

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Imagine que você está enfermo e precisa de cuidados que só podem ser dispensados dentro da estrutura de um hospital. Imagine agora que você pode dispor desses mesmos cuidados fora do ambiente hospitalar, dentro do seu próprio domicílio e sob o aconchego da sua família. Imaginou? Pois é; até algum tempo atrás (10 anos?) isso não passava de um sonho, ou seja, se a doença tinha indicação de internação a única opção era o hospital.
Porém, a cada dia se constata que hospital é um dos piores locais para alguém recuperar a saúde. Aí podem argumentar... Você deve estar se referido aos hospitais públicos do SUS, superlotados, sem higiene e com atendimento precário, onde o indivíduo chega com uma doença e ganha outras.
Eu digo que não... Refiro-me a qualquer hospital. Desde o público mantido pelo pelo SUS até o hospital privado "Top de Linha", guardadas as devidas proporções! Para os micróbios, hospital é sempre hospital: Lugar onde existem organismos humanos fragilizados e utilização de medicamentos (antibióticos e quimioterápicos) que fortalecem linhagens microbianas, dando origem à entidades biológicas praticamente indestrutíveis que são os microrganismos multirresistentes.
Então, embora para alguns pareça paradoxal, à medida em que a atenção à saúde se qualifica, percebe-se que o indivíduo doente deve permanecer no hospital pelo tempo mínimo e estritamente necessário, apenas para estabilizar um quadro. Se não há risco de morte...


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E se a água acabar ... !?

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Quem diria...algo tão simples e ao mesmo tempo fundamental e, porque não dizer, vital! Até parece um capricho da natureza, o ser humano ter que submeter a sua  arrogância e a sua prepotência a um singelo copo de água.
É fato que não existe vida sem água. Sendo assim, nenhum ser vivo sobrevive na ausência desse líquido quimicamente tão simples. É fato, também, que alguns seres vivos toleram a restrição de água por longos períodos de tempo, como é o caso do rato do deserto e o camelo. Assim como há, também, seres que precisam viver literalmente dentro da água ou que possuem mais de 90% do seu peso corporal constituído de água. A espécie humana é uma das mais dependentes, sobretudo nos estágios iniciais de vida, onde a água chega a compor cerca de 80% do peso corporal.
Acho que não há o que se questionar nessa relação de dependência, quando se considera a esfera dos animais ditos irracionais. Afinal, eles não trazem o orgulho, a presunção e o excesso de vaidade em sua constituição biológica. Esses animais se comportam - até porque são - como uma extensão da natureza que os originou. Ou seja, esses organismos vivem em função da natureza.
Merece observação sim, essa relação de dependência da água, quando consideramos a espécie humana. Isso porque o homem não se considera uma extensão da natureza. Pelo contrário, acha que a natureza é uma dádiva que está aí apenas e tão somente para o seu deleite.
Mas será que, a essa altura, já nos damos conta que a água é um recurso finito? Será que temos a real consciência que não existe uma substância que a substitua? Que não existe modelo matemático que simule a vida sem a água!
Na minha opinião estamos sim construindo essa consciência, mas a relação entre consciência e inconsciência   quanto ao uso racional da água ainda está bastante desigual, de modo que prevalece o uso depredatório desse insumo estratégico. Se não conseguirmos rapidamente reverter a lógica prevalente do desperdício, da contaminação e destruição de mananciais talvez tenhamos que assistir em breve disputas ferozes entre nações e pessoas por uma porção desse liquido vital.
Se eu poder optar, não quero estar aqui para assistir isso!


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