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    Nossa ética

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Postagem em Destaque.

Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...

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Eugenia... Você foi selecionado?!

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Não é esporádico lermos ou ouvirmos a expressão "O conhecimento liberta!". Talvez os melhores representantes desse aforismo sejam o filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.) a quem é atribuída a frase Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses e, no Novo Testamento, mais precisamente em João (8:32) onde registra-se a seguinte citação atribuída a Jesus: E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Seria muita presunção desse modesto texto discorrer sobre a natureza da verdade! Trata-se de conceito desafiador e que inquieta a humanidade desde os primórdios, sobretudo quando é assumindo o viés religioso. Assim, em pleno Século XXI, ainda se discute se a verdade é real e absoluta ou relativa e ilusória, tal qual faziam os filósofos na antiga Grécia.

Já no campo científico a inquietação acerca da verdade foi, praticamente, pacificada na primeira metade do século XVII quando da publicação de um tratado do filósofo René Descartes (1637), intitulado Discurso sobre o método, que trata de um método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência. A partir da publicação de Descartes, portanto, a ciência assume o seu caráter relativo e ilusório em relação à verdade.

Passando agora a discorrer, efetivamente, sobre o tema da postagem, parece inevitável a necessidade de definir o termo Eugenia, cuja autoria é atribuída a Francis Galton (1822-1911) e quer dizer, literalmente, "Bem Nascido". Para Galton, trata-se do estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Além de ser primo de Charles Darwin, o inglês Galton foi antropólogo, matemático e estatístico. Ao introduzir o conceito de eugenia, ele propôs a substituição das forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, por uma seleção consciente e que a humanidade deveria usar todo conhecimento adquirido pelo estudo e pelo acúmulo evolutivo dos tempos passados a fim de promover o progresso físico e moral no futuro.

O tema é quente, controverso, polêmico e, por isso, inevitável. Mas, arrisco-me dizer que se não fossem os acontecimentos nefastos patrocinados por Adolf Hitler, na Alemanha Nazista durante a II Guerra Mundial, envolvendo a perspectiva de pureza de raça, talvez esse assunto não fosse envolto em tanta polêmica. A eugenia na dimensão da ideologia da pureza racial, patrocinada pelo regime político nazista e que culminou no holocausto, representa uma página que espera-se envergonhar para sempre a humanidade.

Já no universo científico existe uma corrida frenética ao desenvolvimento de técnicas de melhoramento genético que, após confirmadas a eficácia e eficiência, são implementados largamente em micróbios, plantas e animais. Ainda existem ressalvas e questionamentos éticos quanto ao seu uso nos seres humanos, chegando-se ao ponto de alguns cientistas declararem ser impossível mudar a natureza humana, ou seja, a maneira de pensar, sentir, agir, etc,.

É inegável o progresso que a Biologia Molecular vem experimentando após a descoberta da estrutura tridimensional da molécula do DNA (Ácido Desoxirribonucleico), por James Watson e Francis Crick, em 1953. Outro feito de valor incomensurável para o futuro da humanidade foi o sequenciamento do genoma humano - denominado Projeto Genoma - que demorou 50 anos até o desenvolvimento e domínio das técnicas biomoleculares adequadas; tempo relativamente pequeno no âmbito da história da ciência.

Parece evidente que as bases para a manipulação gênica já estão inteiramente sob o controle da ciência. A descoberta de Watson & Crick abriu uma nova era para a ciência e vem causando uma verdadeira revolução na investigação científica relacionada às ciências da vida. Ou seja, o que aconteceu até agora está longe de ser o final da história e sim o início de mais um capítulo.

Uma área alvo de muita atenção, tensão e preocupações relativas aos avanços já acumulados é a Embriologia e Reprodução. Basicamente, apenas preceitos ético, morais e religiosos estão contendo o conhecimento acumulado nessa área, para que permaneça restrito ao ambiente acadêmico. Considerando o extraordinário avanço da Biologia Molecular, parece ser impossível prever como será o processo de geração de seres humanos daqui a 100 anos, uma vez que o congelamento de embriões, a fecundação in vitro, a barriga de aluguel romperam a barreira da resistência social e podemos dizer que já são práticas relativamente corriqueiras. A escolha do sexo (sexagem) também está disponível na fecundação in vitro, se for desejo do cliente! A clonagem humana ainda ostenta a condição de inadmissível / inaceitável! Mas animais de estimação já são clonados em várias partes do mundo. Parece que o individuo humano resultante da fusão aleatória de um gameta masculino - dentre milhões possíveis - com um gameta feminino, no futuro não tão distante, será apenas mais uma opção de reprodução disponível, comercialmente.

Numa outra extremidade; e esta de maior consenso social, vemos a moderna Biologia Molecular, representada pela descoberta da estrutura em dupla hélice da molécula de DNA e pelo projeto genoma, apontar para outros horizontes igualmente fascinantes como a possibilidade de síntese de medicamentos personalizados de acordo com o código genético de cada indivíduo; aumentando a eficiência / eficácia e melhorando o perfil toxicológico.

Retomando o inicio do texto, reconheço que o conhecimento liberta e a ignorância aprisiona. Mas, também, sou de opinião que cada um é escravo do conhecimento ou da ignorância que tem.

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Referencias consultadas. 
DEL CONT, Valdeir. Francis Galton: eugenia e hereditariedade. Sci. stud.,  São Paulo ,  v. 6, n. 2, p. 201-218,  June  2008.
A descoberta do DNA e o projeto genoma. Rev. Assoc. Med. Bras.,  São Paulo ,  v. 51, n. 1, p. 1,  Feb.  2005.



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Sua barriga está disponível para Aluguel?

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A partir do século XX, é impressionante a velocidade com que a ficção vira realidade no mundo. Tudo o que se pode imaginar é ou será realizável no futuro. Imagine qualquer coisa agora e o futuro se encarrega de dar vida à sua imaginação. 
E a sociedade evolui em todos os sentidos, quebrando barreiras e rompendo limites: No artigo intitulado "Enfim... Gestação humana in vitro!" é possível ler um texto que aborda a possibilidade de gestação em ambiente in vitro e, portanto, fora do útero. A façanha ainda  povoa o território da ficção científica, mas não é utopia. Acho que seria o ápice da revolução feminista. A mulher livre do desconforto e dos contratempos de uma gestação, podendo fazer a opção entre a gestão in vivo ou in vitro. (...)


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Tudo parece perfeito... Mas o câncer pode estar lá.

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Óvulo envolvido por espermatozoides.
Quando nos referimos ao organismo humano nem sempre nos damos conta dos números astronômicos que envolvem a sua constituição. Você sabia que um indivíduo adulto da espécie humana possui aproximadamente 100.000.000.000.000 (cem trilhões) de células? E que ao longo da vida, um indivíduo humano pode chegar a produzir 10.000.000.000.000.000 (dez quatrilhões) de células? O interessante é que tudo começa com apenas uma célula denominada ovo ou zigoto, que é o resultado da fusão de uma célula produzida pelo macho (espermatozoide) com uma célula produzida pela fêmea (óvulo). A partir dessa estratégia da natureza, todos os eventos biológicos que poderão acontecer no organismo resultante dessa fusão celular estão determinados. Estou falando de um determinismo relativo e não absoluto! Alguma coisa parecida com a chance de ganhar na loteria, onde todos nascem com chance de ganhar, mas pra ganhar precisa jogar!

A célula, na sua diminuta dimensão, é de uma complexidade incrível, uma vez que dispõe de microestruturas capazes de realizar importantes funções como produção de energia, produção de substâncias de utilidade para a própria célula ou de ação no meio extracelular - que controlam as funções do organismo - ou até mesmo para manter o equilíbrio físico-químico (equilíbrio hidrossalino, equilíbrio ácido-básico) fundamentais à preservação da vida.
Célula animal esquemática

A célula, portanto, é o nível organizacional mais elementar capaz de executar todas as atividades vitais que são executadas pelo organismo que ela constitui. Assim, se a organização da célula for de alguma forma perturbada a sua função fica comprometida e as conseqüências desse comprometimento variam de acordo com a extensão da perturbação, cujo ápice é a morte celular. Provavelmente a região mais delicada da célula seja o núcleo, pois é nesse compartimento que se encontra a estrutura responsável pela regulação e manutenção da célula. O núcleo pode, sem qualquer exagero, ser comparado ao cérebro humano, pois as responsabilidades e as decisões do núcleo celular definem a sobrevivência e a qualidade de vida da célula, tal como acontece com as decisões racionais humanas. O que torna o núcleo uma estrutura vital para a célula é a presença do material genético, que são os ácidos nucléicos RNA (Ácido Ribonucléico) e DNA (Ácido Desoxirribonucléico). Os ácidos nucléicos são de uma simplicidade e complexidade impressionantes. Simples porque são constituídos por apenas quatro tipos de moléculas (nucleotídios). Complexos porque com apenas esses quatro tipos de moléculas é possível coordenar a síntese de todas as proteínas necessárias à célula e, conseqüentemente, transmitir as informações genéticas de ascendentes a descendentes. Lembra que falei anteriormente da fusão do óvulo e do espermatozóide? É essa fusão que possibilita a mistura do material e garante que os organismos gerados sejam distintos, ou seja, indivíduos.

Esquema de duplicação do DNA
Alie-se a tudo isso que achamos impressionante o fato de que todas as células humanas têm a capacidade de gerar cópias de si mesma preservando, consequentemente, toda a identidade definida a partir da fecundação. Isso só é possível porque o material genético, mais precisamente o DNA, tem a capacidade de autoduplicação. A autoduplicação do DNA garante a perpetuação e a evolução biológica da espécie humana. Isso porque cada espermatozoide e cada óvulo produzido pelo organismo possui uma combinação de material genético diferente. Considerando que a junção dessas duas células é aleatória, temos infinitas possibilidades de combinações.

Esquema de reprodução sexuada
Mas quando falamos de evolução biológica, nos vem instantaneamente a noção de perfeição, pureza, melhoramento. E não está errado... apenas está incompleta a compreensão! Para explicar,digo que só conseguimos evoluir, melhorar, porque a nossa forma de reprodução é sexuada. Se reproduzíssemos assexuadamente, já teríamos sido extintos. Só que quando reproduzimos sexuadamente juntamos as "coisas" boas e as "coisas" ruins de dois organismos. A essas "coisas" damos o nome de gens. Os gens ficam contidos dentro das células, compondo o DNA e podem a qualquer momento da vida ser acionados e produzir um efeito no respectivo organismo. E o efeito poder ser a alteração do comportamento de determinadas células, fazendo com que elas deixem de executar as tarefas para as quais estavam programadas e passem a ter uma vida independente e desregrada, ao que chamamos genericamente de Câncer. Independente porque não obedecem mais a lógica do sistema orgânico. Desregrada porque não conhecem limites e fazem de tudo pra se manter vivas. A agressividade dessas células transformadas varia e algumas células se tornam tão vorazes que levam o organismo à morte em pouco tempo. O interessante é que até o momento em que esses gens são ativados tudo parece perfeito... Mas o câncer pode estar lá!



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Será que o futuro da espécie humana é o hermafroditismo?

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Considerando a possibilidade de ter as minhas postagens lidas por pessoas de gênero, formação cultural, intelectual, religiosa e status social diversos - o que aliás muito me agrada! - parece claro que preciso iniciar trazendo a definição de hermafroditismo, tema central dessa composição. A definição que vou apresentar foi construída a partir da consulta à enciclopédia Wikipédia e dicionário Michaelis, ressaltando que encontrei problemas na definição das duas fontes.


Denomina-se hermafrodita o ser vivo - animal ou vegetal - que possui as estruturas reprodutoras competentes para gerar gametas, fecundá-los e gestar (no caso de animal) um embrião que resultará em novo indivíduo igualmente hermafrodita. No caso dos vegetais, a gestação é feita quando a semente é depositada em substrato adequado e em condições adequadas. Genericamente os organismo hermafroditas são classificados em monoicos, pois apresentam as estruturas sexuais (funcionantes) de dois sexos em um mesmo indivíduo. Em oposição temos os organismos dioicos, representados pelo indivíduo do sexo masculino (macho) e sexo feminino (fêmea), separadamente. Em posição intermediária podemos encontrar indivíduos pseudo-hermafroditas, que como o termo sugere, trata-se de uma condição de falso hermafroditismo, pois o organismo em questão possui uma definição sexual genética (macho ou fêmea), embora apresente estruturas sexuais de ambos os sexos. Assim, o pseudo-hermafroditismo se configura pelo fato de apenas um dos conjuntos de estruturas sexuais funcionar - enquanto o outro conjunto é atrofiado - ou até mesmo pela esterilidade do indivíduo. Esta anormalidade está relacionada à desordens no processo embriogênico motivadas por mutações. O pseudo-hermafroditismo, portanto, só ocorre em organismos dioicos. Uma vez dirimidas as possíveis dúvidas conceituais, surge a pergunte que não quer calar: Por que a natureza (Deus, se assim quiser!) optou pela evolução de organismos hermafroditas?

Na minha opinião, a resposta está na necessidade de rápido povoamento do meio ambiente por organismos que deveriam fazer parte da base de cadeias tróficas. Acho que a minha resposta é sustentável...o problema é que entro em conflito com o título dessa postagem, uma vez que a espécie humana está no topo da cadeia alimentar. Mas vou tentar sair dessa enrascada. Senão vejamos: Para qualquer espécie perpetuar nesse ambiente em que vivemos a estratégia básica é reproduzir, reproduzir, reproduzir...Já falei em postagens anteriores que - pelo menos do ponto de vista biológico - não considero Homo sapiens a mais ou a menos importante das espécies. Organismos que estão na base da cadeia alimentar (exemplos: fitoplâncton / zooplancton) são devoradas em velocidade tão grande que a natureza entraria em colapso e em extinção se a reposição alimentar não fosse eficientemente garantida. Apenas duas formas de reprodução são capazes de garantir rápida reposição de indivíduos  A reprodução assexuada (cissiparidade) e a reprodução a partir de organismos monoicos (hermafroditas).

O problema é que, mesmo atribuindo ao homem o status de onívoro e predador de qualquer espécie, um fato não se contesta: A taxa de natalidade humana cai a cada ano. Não somente em função de planejamento executado pelos casais heterossexuais, mas também pelo vertiginoso aumento das manifestações homossexuais a partir do final do século XX. Diferentemente do que ocorre nos seres hermafroditas verdadeiros, a espécie humana precisa se encontrar, copular, fecundar, gestar e parir para perpetuar. Assim, se a tendência da humanidade for na direção do homossexualismo poderemos evoluir para um dos seguintes caminhos: 1) indivíduos (macho e fêmea) sem gametas viáveis e, portanto, incapazes de cumprir o ciclo biológico; 2) indivíduos monoicos que garantirão a manutenção da espécie humana; 3) indivíduos fecundados e gestados em laboratórios que também garantirão a perpetuação da espécie humana.


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