Um produto elaborado para ser utilizado como sangue artificial, provavelmente, será mais seguro no que diz respeito aos riscos biológicos; além do que deverá ter um período de validade bastante superior ao do sangue natural. Por fim, este produto sintético não deverá possuir antígenos e isso dispensará a necessidade de realizar tipagem sanguínea.
Mas “inventar” um produto artificial comparável ao sangue humano não é tarefa fácil! Isso porque o sangue humano é um tecido extremamente complexo, repleto de células do sistema imunológico e de uma infinidade de proteínas. Entretanto é consenso que, para ser utilizado numa situação de urgência / emergência, o sangue artificial não precisa ter a mesma complexidade do produto original. Assim, os pesquisadores estão particularmente interessados em um produto composto basicamente de células vermelhas (hemácias), por entender que seria adequado para uma resposta imediata objetivando a manutenção da vida à partir de transfusão.
As hemácias são células anucleadas e arredondadas e representam o principal constituinte da fração sólida do sangue, conferindo-lhe a cor vermelha característica devido à concentração de moléculas de uma proteína denominada hemoglobina, cuja principal função é transportar oxigênio e gás carbônico entre os pulmões e todo o organismo.
➽A Universidade de Essex, no Reino Unido, através de um projeto de biologia sintética denominado "HaemO2" vem empenhada no desenvolvimento de um produto com características de sangue artificial que se baseia numa molécula de hemoglobina modificada, criada através da inserção de genes em bactérias E. coli cultivadas em laboratório. As bactérias produzem a proteína desejada durante sua atividade metabólica normal, e mais tarde os cientistas colhem as células vermelhas transformadas, que são purificadas e concentradas para serem usadas no produto final.“O Hemopure proporciona uma forma alternativa de distribuir oxigênio para os tecidos do organismo quando células vermelhas compatíveis não estão disponíveis ou quando os médicos ou pacientes preferem evitar a transfusão de sangue habitual”, afirma Douglas Sayles, diretor de comunicações da Biopure, empresa de Massachusetts fabricante do composto.
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