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| Concentração de amostra em ultracentrífuga. |
Antônio é um biólogo experiente e trabalha há muito tempo na seção de bacteriologia de um grande laboratório. Certo dia, ocupou-se da tarefa de concentrar uma amostra de
Neisseria meningitidis sp, utilizando para isso uma centrífuga colocada em cima de uma bancada do laboratório. Antônio centrifugou a amostra, distribuiu o concentrado em microtubos, identificou os microtubos e colocou em um freezer, onde seriam mantidos sob congelamento. Alguns dias depois Antônio desenvolveu um quadro de febre intensa com calafrios, e foi internado. Duas horas depois, Antônio morreu com um quadro típico de meningite. Teste de PCR (reação em cadeia da polimerase) revelaram que ele havia sido contaminado pelo agente com o qual havia trabalhado.
O relato acima, mesmo sendo uma peça de ficção, causa espanto, arrepios e pode de fato acontecer com qualquer profissional da área da saúde, principalmente, com os profissionais de laboratório que manipulam amostras concentradas de qualquer patógeno.
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| N. meningitidis vista em Microscopia Eletrônica de varredura. |
Pelo relato acima, fica evidente a virulência da cepa de
Neisseria meningitidis sp manipulada. pelo nosso profissional hipotético. Uma cepa agressiva e letal que levou o técnico à morte em pouco tempo, antes mesmo da confirmação diagnóstica.
O fato é que as meningites provocadas por bactérias da espécie Neisseria meningitidis são, genericamente, as mais graves, com tempo de incubação bastante breve e rápida evolução para um quadro agudo de septicemia geralmente irreversível.
Essas questões serão tratadas no I Simpósio Brasileiro sobre Meningites Bacterianas que está sendo organizado pela Sociedade Brasileira de Microbiologia para ser realizado nos dias 01 e 02 de abril de 2011 em São Paulo.
Nesses dois dias, especialistas e pesquisadores discutirão os principais aspectos da meningite bacteriana: Epidemiologia, diagnóstico, tratamento e prevenção.
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| Punção Lombar para retirada de Liquor (LCR). |
No Brasil, de acordo com as estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 49% dos pacientes com meningite bacteriana morrem e 30 % dos que sobrevivem ficam com sequelas que incluem: paralisia cerebral, epilepsia, doença renal, surdez e atraso no desenvolvimento.
Por se tratar de uma doença de evolução muito aguda, a rapidez na introdução do tratamento específico é determinante e influencia o prognóstico do paciente, reduzindo as possibilidades e intensidade de sequelas. Essa rapidez depende do esclarecimento laboratorial do diagnóstico, estabelecendo o agente causador e por estas razões, é fundamental a existência de testes diagnósticos tão rápidos quanto seguros para a identificação dos agentes etiológicos da meningite bacteriana. Além dos benefícios ao paciente, como introdução mais ágil da terapêutica específica, melhor prognóstico e redução do risco de sequelas neurológicas, o rápido esclarecimento do caso reduz consideravelmente os custos com tratamento e o tempo de hospitalização.
Mais informações sobre o simpósio podem ser obtidas no endereço:
http://www.sbmicrobiologia.org.br