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A dependência humana de água é vital e sem floresta não haverá água.

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A CONTRIBUIÇÃO DOS VEGETAIS NA GERAÇÃO E MANUTENÇÃO DA VIDA HUMANA NA TERRA É DECISIVA. A PARTICIPAÇÃO DOS ANIMAIS HUMANOS NA DESTRUIÇÃO DA VIDA VEGETAL, TAMBÉM É DECISIVA.

É fato que os biólogos sempre foram criticados e até perseguidos por setores da sociedade sob a acusação de "Impedirem o Progresso" com as suas implicações românticas relacionadas ao meio ambiente.

Para quem não tem formação na área das Ciências Biológicas, digo que esta é uma das formações mais holísticas da academia. Para resumir, durante a graduação, o acadêmico transita pelos Reinos: Monera (algas + bactérias), Protista (protozoários), Fungi (fungos), Plantae ou Vegetalia (vegetais) e Metazoa ou Animalia (animais).

A despeito de qual área o biólogo venha escolher para se aprofundar no seu itinerário formativo / profissional, o encantamento pelo Reino Vegetal é praticamente uma unanimidade. Ou seja, para o biólogo não restam dúvidas que a vida na terra é INVIÁVEL sem as condições ambientais que sustentem, satisfatoriamente, o Reino Plantae.

Felizmente, desde os últimos cinquenta anos, a fileira de ambientalistas só tem se avolumado. Ela é bastante heterogênea e inclui políticos, artistas, religiosos, crianças, profissionais das diversas áreas e, evidentemente, pessoas com formação nas ciências naturais. Para ser mais preciso, o século XXI se apropriou, definitivamente, da agenda ambiental. Mas não devemos ser ingênuos de acreditar que essa mudança de atitude foi por puro romantismo. A motivação foram os sinais emanados, cada vez mais contundentes, de que as condições mínimas para a viabilidade da espécie humana na terra estão sendo esgotadas e a busca de condições para abrigar a vida humana fora da terra tem se mostrado infrutífera.

Se ainda restam dúvidas de que o Reino Vegetal é o sustentáculo da vida humana na terra, a figura acima resume, com bastante propriedade, as três atividades realizadas pelos vegetais, ao longo de 24 horas, e os produtos resultantes dessas atividades: CO2, O2 e H2O.


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E você...! Já cuidou da água hoje?

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No dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água, sinalizando para a necessidade de colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos. Assim, se na sua agenda não tem espaço para inserir alguma estratégia individual que resulte em uso racional da água, sugiro que repense suas atitudes e inclua a água na sua lista de prioridades. Nossa dependência em relação a este recurso natural é, simplesmente, extrema!

O vídeo abaixo, produzido pela Agência Nacional da Água (ANA), é uma pequena homenagem do Laboratório Terra S.A. ao Dia Mundial da Água que se comemora no dia 22 de março.






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Sem água somos todos miseráveis. Sim, somos!

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Laboratório Terra S.A. entende que é necessário ecoar todas as iniciativas e movimentos que incentivem a tomada de decisão no sentido do uso racional da água. O Instituto Akatu de responsabilidade social está veiculando o vídeo abaixo, que traz de maneira clara a mensagem da necessidade de uma atitude responsável em relação ao uso da água potável. Achamos que vale a pena replicar.

Sem água somos todos miseráveis? Sim, somos!
A morte é a única alternativa à ausência de água. A extinção da espécie humana é praticamente imediata. O fim de outras espécies, sobretudo micróbios, será a longo prazo.


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Dia do Biólogo!

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No dia 03 de setembro é comemorado o DIA do BIÓLOGO. Na ocasião, retransmito o poster publicado hoje pela empresa Biosystems em homenagem aos profissionais.


Tentei localizar o responsável pelo texto abaixo para atribuir-lhe os devidos créditos mas não consegui e estou referindo como anônimo:
"Los biólogos son las personas dedicadas al estudio de la biología, la disciplina científica que abarca un amplio espectro de campos de estudio que, a menudo, se tratan como disciplinas independientes. Todas ellas juntas, estudian la vida en un amplio rango de escalas. Los biólogos estudian a los seres vivos y, más específicamente, su origen, su evolución y sus propiedades: génesis, nutrición, morfogénesis, reproducción y patogenia. Se ocupa tanto de la descripción de las características y los comportamientos de los organismos individuales como de las especies en su conjunto".
Essa é minha homenagem... Parabéns biólogos e biólogas do Brasil!


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Está tudo errado no Sertão!

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Historiadores argumentam que a designação "sertão" à região semi-árida do nordeste brasileiro surgiu entre os séculos XVI e XVII e é fruto da contração da palavra "Desertão", que era utilizada pelos Portugueses, durante a colonização do Brasil, para enfatizar a grande diferença climática - clima quente e seco - semelhante ao clima de deserto, observada à medida em que se afastavam do litoral. Assim, o que era inicialmente "Desertão" passou para " De Sertão", ficando "Sertão".
O movimento migratório dos nossos colonizadores para o interior do país teve motivações políticas e econômicas que não nos cabe observar nesse texto. O fato é que, atualmente, essa faixa do território brasileiro, também denominada de semi-árido, é uma região bastante povoada, de solo extremamente fértil, que padece da oferta de ...


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Como vai o seu instinto antropofágico?

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O meu desejo é que você jamais precise pensar em comer carne humana para garantir a sua sobrevivência em uma situação extremamente adversa pois, se precisar, provavelmente, você comerá! Isso não é fragmento de uma sinopse de um filme de terror... Estou apenas querendo dizer que o ser humano dito "civilizado" quando acuado e sob pressão pode agir e reagir como o mais irracional dos animais. E isso inclui a possibilidade de saciar a forme - que o levará à morte - ingerindo a carne de seu semelhante, ou seja, praticando antropofagia. A importância que vejo em destacar o "Homem Civilizado" tem sentido, na medida em que antropofagia é prática ritual em aglomerados de humanos selvagens como tribos africanas e tribos indígenas. Mas é preciso dizer que os humanos selvagens não são irracionais! Eles raciocinam dentro dos limites definidos pela sua percepção, sobretudo percepção cultural. Aliás, a capacidade de percepção do seu entorno e os valores culturais também funcionam como lastros que delimitam a razão entre os humanos civilizados.
Uma vez que nesse texto farei referência aos termos antropofagia e canibalismo, que são semelhantes, mas guardam uma diferença importante, considero necessário diferenciá-los: Antropofagia é uma expressão de origem Grega cujo prefixo Antropo designa homem e o sufixo Fagia / Fago significa comer. Antropofagia é, então, o ato de o ser humano comer a carne de outro individuo da sua espécie. Quando o ato de ingerir carne de outro individuo de mesma espécie ocorre entre animais não humanos denomina-se canibalismo. É usual e correto se referir a antropofagia como canibalismo, porém, não é correto referir-se à canibalismo como antropofagia, já que antropofagia é restrito à espécie humana.
Feitos os esclarecimentos digo que, entre os animais destituídos de razão, também denominados animais inferiores, o canibalismo é prática relativamente contumaz e pode ter várias motivações, uma delas é a restrição ou privação de alimento. Lembro-me da época de acadêmico de Ciências Biológicas (bacharelado), lá pelos anos de 1992...  A minha turma era composta de sete alunos e durante a disciplina Etologia (ramo da biologia que estuda o comportamento animal) a turma recebeu do professor uma gaiola contendo um casal de ratos e recebemos instruções para realizar o nosso primeiro experimento biológico. As instruções foram as seguintes: 1) A gaiola deve ser colocada e mantida em local agradável no que diz respeito a temperatura, umidade e luminosidade; 2) A área da gaiola jamais deverá ser alterada; 2) Os animais deverão receber diariamente e em horário definido, durante o semestre letivo, uma quantidade fixa de ração e água que serão superiores às necessidades diárias dos dois animais; 3) A equipe deve efetuar registros de tudo o que for observado no comportamento desses animais. Para que o leitor acompanhe o raciocínio, vou fazer algumas considerações sobre a biologia dos roedores: São animais com grande capacidade de adaptação e que em situações ideais atingem rapidamente o clímax reprodutivo, resultando em ninhadas em períodos dentro do limite extremo da capacidade da espécie. Na verdade, o incremento reprodutivo é um comportamento elementar em qualquer espécie biológica, uma vez que estamos falando de estratégia de perpetuação. Isso tanto é verdade que os micróbios - em situações favoráveis - dispensam a reprodução sexuada e recorrem à reprodução assexuada (cissiparidade/bipartição) para garantir o rápido povoamento do território parasitado. E apenas em um segundo momento da colonização é dada importância à troca de gens para garantir variabilidade.
Mas, voltando para o nosso experimento com o casal de ratos, os dias passavam e tudo acontecia conforme planejado, ou seja, gaiola bastante ampla para dois indivíduos, excesso de água, excesso de ração, temperatura e umidade ideais controladas, tudo perfeito! A resposta biológica irracional não foi outra senão início e incremento no limite extremo da função reprodutiva: A ratazana era fecundada, gestava, paria, iniciava nova gestação... Os filhotes atingiam a maturidade sexual precocemente e também entravam no ciclo reprodutivo. Até que os problemas começaram a aparecer: O espaço que antes era abundante já ficou insuficiente. A ração e a água também já não suprem as necessidades da população confinada. O que era favorável passou a ser desfavorável e o nível de tensão e estresse aumentam, o que é constatado pelo aumento da agressividade e inquietação dos animais no confinamento... A partir de então, as ninhadas que vão surgindo são devoradas pelos próprios indivíduos no esforço pela sobrevivência. Nesse ambiente o canibalismo passa a ser a válvula que controla a população, ajustando-a às condições impostas pelo ambiente.
O que relatamos até então está perfeitamente enquadrado no que chamamos de comportamento instintivo. Mas o que é instinto? Esse comportamento é controlável? É comportamento restrito aos animais irracionais? O homem pode abrir mão de seu comportamento racional e agir por instinto?
Instinto é palavra de origem no Latin (instinctu) e designa estímulo ou impulso natural e involuntário pelo qual os animais, incluindo o homem, executam certos atos sem consciência e, portanto,  sem reflexão sobre as conseqüências. Pode também significar uma aptidão inata, ou seja, de nascença. Mas, geralmente, a resposta instintiva está associada à necessidade de autopreservação, ou seja, de sobrevivência. O detalhe é que as experiências, as sensações, as emoções aprimoram o instinto e esse aperfeiçoamento é transmitido dentro da espécie como herança biológica. Isso explica, por exemplo, porque um animal reconhece e identifica outro animal de outra espécie como inimigo natural e que deste deve fugir, impelido pelo instinto de sobrevivência.
Não se questiona o processo evolutivo pelo qual passou o Homo sapiens (nome científico atribuído à espécie humana) desde o seu brotamento a partir do ancestral primata comum. Nos momentos iniciais da nossa espécie a diferença de comportamento e de atitudes em comparação com os outros animais eram mínimas. No caso do Homo sapiens, o arcabouço constitutivo do sistema nervoso possibilitou que o processo evolutivo aprimorasse substancialmente esse compartimento, dotando o homem da capacidade de   raciocínio e reflexão. Ou seja, a espécie humana passou a se diferenciar das demais espécies por ter a consciência do aqui e do agora. As sua atitudes deixaram de ser mediadas apenas pelo instinto. Na verdade, o instinto passou a ser um componente secundário, integrante do sistema nervoso vegetativo. A pergunta que fica é a seguinte: Porque o processo evolutivo não suprimiu do DNA humano as sequências que determinam as atitudes instintivas? A pergunta é muito interessante, mas a resposta é obvia... há situações na interação do homem com o ambiente em que a decisão tem que ser tomada em milionésimos de segundo, sob pena de causar danos irreparáveis ao organismo, inclusive a morte. Sendo assim, associar instinto à sobrevivência é por demais apropriado.
Por isso, mesmo após milhares de anos de evolução, trazemos no nosso código genético, de forma latente, os genes que modulam o nosso impulso antropofágico: Em uma situação ideal, com todas as variáveis sob o controle da razão, não pensamos e sequer admitimos a possibilidade de ingerir a carne do nosso semelhante. Mas numa situação de estresse extremo, quando as variáveis que julgamos importantes estão desfavoráveis, o componente racional do nosso sistema nervoso é desligado, pois está em jogo a condição mais elementar de perpetuação da espécie que é a sobrevivência. Aí a antropofagia que era algo inadmissível para o nosso componente racional passa a ser considerada, admitida.
O exemplo mais emblemático de antropofagia entre humanos civilizados é retratado a partir de um acidente aéreo que ocorreu na Cordilheira dos Andes em 1972. Os relatos dão conta que com a queda de um avião de passageiros algumas pessoas sobreviveram e após vários dias sem qualquer perspectiva de socorro e uma vez tendo consumido todo o alimento disponível à bordo, os sobreviventes passaram a se alimentar de carne humana daqueles que faleceram com o acidente. Nesse caso a decisão de consumir carne humana também foi influenciada pelo fato de os corpos não terem apodrecidos, uma vez que a região onde aconteceu acidente possui temperaturas extremamente baixas que promoveu a conservação dos copos. Relata-se, inclusive, que os sobreviventes utilizaram fragmentos da fuselagem do avião como utensílio de corte. Pelo que me consta, esse acidente virou roteiro de filme, mas não assisti.


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Vida de Cobaia

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Pessoas próximas a mim - tipo colegas de trabalho, que alguns equivocadamente chamam de amigos - costumam dizer que eu transmito uma imagem de alguém, frio, racional, calculista. Alguns ainda, na  tentativa de encontrar uma justificativa para o meu, digamos, "perfil psicológico" perguntam qual o meu signo zodiacal. E quando respondo que sou do signo de Libra, alegam ser este o motivo, pois tem a ver com a posição dos astros no momento do meu nascimento, relacionando ascendência e descendência astral, blá, blá, blá (...) etc.

Se perguntarem o que acho de tudo isso, direi que entre o céu e a terra tudo é possível. Que os seres vivos influenciam e são influenciados dentro do seu habitat. Ou você ainda não parou para pensar que está tudo interligado? Que a todo instante observamos e somos observados (as)? Mas por que as pessoas se observam? O que esperam encontrar no outro que já não tenham? Quando esse comportamento é analisado sob a perspectiva dos animais "irracionais" dizemos genericamente que o objetivo da observação é a repetição. E os fins são variados: ataque, defesa, coorte... luta pela sobrevivência. O predador observa e aprende sobre a sua presa com o intuito de tornar eficiente a abordagem. A presa, por sua vez, aprimora seus conhecimentos sobre os hábitos do predador e com isso aprimora a sua defesa.

O fato é que, aceitemos ou não, somos todos cobaias. Desde o momento da concepção, quando ainda em nível celular somos fixados no tecido uterino (nidação) e somos submetidos a toda a sorte de pressões bioquímicas e biofísicas. Essa condição se mantém dentro da família quando somos testados pelos pais e demais agregados familiares. E a fase de testes não pára, apenas muda de lugar, pois continua na vida escolar, na vida social, no trabalho.

Da mesma forma, os animais ditos "irracionais" também são testados em seus respectivos ambientes. No entanto, existe uma diferença básica em relação a nós seres "racionais". É que as vezes eles precisam ser testados para definir quem é o mais forte, e o mais fraco é condenado à morte; O mais fraco não tem direito de reproduzir porque é recusado pela fêmea; o mais fraco fica com as sobras do prato principal. No mundo dos seres irracionais, ao mais forte tudo e ao mais fraco a morte. Fica então a pergunta: Será que quando, hipocritamente, condenamos o aborto e ao mesmo tempo aceitamos que pessoas sobrevivam em condições miseráveis não estamos sendo racionalmente irracionais?

Permitir que um ser vivo - neste caso ser humano - seja submetido à condições de vida totalmente desfavoráveis é análogo a submeter cobaias (mamífero roedor da família dos Cavídeos, muito empregado em experiências laboratoriais) a protocolos laboratoriais experimentais. No caso de um experimento utilizando-se animais de laboratório os argumentos são que os resultados trarão benefícios para toda humanidade. No caso de seres humanos; quais os argumentos?


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VENENOSOS

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O veneno é um furo na teoria da evolução. De acordo com o Darwinismo clássico os bichos desenvolvem, por seleção natural, as características que garantem a sua sobrevivência. Adquirem seus mecanismos de defesa e ataque num longo processo em que o acaso tem papel importante: a arma ou o disfarce que o salva dos seus predadores ou facilita o assédio às suas presas é reproduzido na sua descendência, ou na descendência dos que sobrevivem, e lentamente incorporado à espécie. Mas a teoria darwiniana de progressivo aparelhamento das espécies para a sobrevivência não explica o veneno. O veneno não evoluiu. O veneno esteve sempre lá.
Nenhum bicho venenoso pode alegar que a luta pela vida o fez assim. Que ele foi ficando venenoso com o tempo, que só descobriu que sua picada era tóxica por acidente, que nunca pensou etc. O veneno sugere que existe sim, o mal-intencionado nato. O ruim desde o princípio. E o que vale para serpentes vale para o ser humano. Sem querer entrar na velha discussão sobre o valor relativo da genética e da cultura na formação da personalidade, o fato é que não dá para evitar a constatação de que há pessoas venenosas, naturalmente venenosas, assim como há pessoas desafinadas.

A comparação não é descabida. Acredito que a mente é um produto cultural, e que descontadas coisas inexplicáveis como um gosto congênito por couve-flor ou pelo "Bolero" de Ravel, somos todos dotados de basicamente o mesmo material cefálico, pronto para ser moldado pelas circunstâncias. Mas então como é que ninguém aprende a ser afinado? Quem é desafinado não tem remédio. Nasce e está condenado a morrer desafinado. No peito de um desafinado também bate um coração, certo, e o desafinado não tem culpa de ser um desafio às teses psicológicas mais simpáticas. Mas é. Matemática se aprende, até alemão se apreende, mas desafinado nunca fica afinado. Como veneno, é de nascença. O que explica não apenas o crime patológico como as pequenas vilanias que nos cercam. A pura maldade inerente a tanto que se vê, ouve ou lê por aí. O insulto gratuito, a mentira infamante, a busca da notoriedade pela ofensa aos outros. Ressentimento ou amargura são características humanas adquiridas, compreensíveis, que explicam muito disto. Pura maldade, só o veneno explica.

Referência.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Globo. 24 de fevereiro de 2005.


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