• clique e saiba mais!

    Nossa ética

    Nossa ética

    O autor assume integralmente a responsabilidade pelos conteúdos publicados nesta página.

  • Convicção

    Convicção

    Um homem da ciência não deve ter desejos nem afeições, somente um mero coração de pedra (Charles Darwin).

  • Exatidão

    Exatidão

    Não questione a natureza...! Apenas respeite e contemple.

  • Simplicidade

    Simplicidade

    Na natureza o exuberante pode ser extremamente simples.

  • Determinismo

    Determinismo

    O determinismo genético é implacável e dele não se pode escapar!? Para o bem ou para o mal; interferências psíquicas, sociais e culturais podem evitar ou retardar a expressão do gene.

  • Certeza

    Certeza

    Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão as suas doenças (Hipócrates).

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Traduza para o seu idioma! / Translate into your language!

Postagem em Destaque.

Saúde não tem preço, mas tem custos; e o custo é alto!

Antes de discorrer sobre o tema proposto, parece oportuno problematizar em busca do entendimento acerca do que seriam "preço" e...

Mostrando postagens com marcador Pesquisa Científica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pesquisa Científica. Mostrar todas as postagens

Os testes para diagnóstico de COVID-19 e as pseudo controvérsias.

0 comentários


Importa pouco a experiência clínica para reconhecer sinais e sintomas de COVID-19 uma vez que, na fase inicial, eles seguem um padrão genérico comum a praticamente qualquer virose respiratória. Se quisermos falar em achado patognomônico, talvez já seja possível associar a imagem do pulmão comprometido, através da tomografia computadorizada, que evidencia aspecto de "vidro fosco".

O fato é que o diagnóstico de COVID-19 é essencialmente laboratorial. Quando muito, é possível enquadrar o paciente dentro da definição de "Caso clínico", cujo enfoque é epidemiológico, para orientar a tomada de decisão em Saúde Pública. Entretanto, ao falarmos em diagnóstico laboratorial, tem-se algumas possibilidades de testes e isso produz muita confusão na cabeça das pessoas. Já no âmbito das autoridades sanitárias isso não pode ser motivo de controvérsia!

Nenhuma autoridade sanitária - deve ou deveria! - aconselhar uma autoridade política (prefeito, governador, presidente) a passar para a população a ideia de que os testes imunológicos: imunocromatografia (teste rápido), imunoensaio enzimático (ELIZA) e quimiluminescência são suficientes para o adequado manejo dessa enfermidade.

Somente exames fundamentados em métodos baseados em Biologia Molecular são capazes de identificar o material genético do agente etiológico presente na amostra clínica e, portanto, ratificar com segurança a infecção com ou sem doença. A precisão é tamanha que, através do exame RT-PCR, a presença do Sars-CoV-2 pode ser detectada a partir de 24 horas de contaminação. Entretanto o sucesso do exame está condicionado à qualidade da amostra.

Vender para a população a ideia da suficiência desses testes imunológicos no manejo da COVID-19 pode resultar na pior estratégia de controle, dado ao potencial que esses testes tem de produzir uma informação que agrada ao paciente (por exemplo, você não está infectado!), mas que não representa a realidade.

No momento em que a população manifesta forte resistência a qualquer orientação de isolamento social como medida profilática, a informação resiste como imprescindível para apoiar as atitudes e comportamentos públicos, considerando que tratamento e vacina para o enfrentamento ao COVID-19 ainda figuram no território do desejo.


Leia-me

Sangue... Ninguém precisa, até precisar.

0 comentários


O esforço que a humanidade empreende pelo desenvolvimento de um produto comparável ao sangue humano é histórico e os motivos justificam. Talvez o motivo mais importante seja a insuficiência de sangue para transfusões nos hospitais em todo o mundo, apesar de milhares de doações serem feitas diariamente. Outros motivos não menos importantes: 1) mesmo imaginando um cenário em que doações suficientes fossem feitas, existem impedimentos concretos para o salvamento de vidas em alguns lugares devido à falta de estrutura mínima para o adequado cuidado com o sangue doado; 2) o curto prazo de validade do sangue doado que é de aproximadamente 5 dias para plaquetas, 35 dias para hemácias e 24 meses para plasma congelado; 3) os riscos biológicos envolvidos na administração do sangue natural, principalmente quando se trata de receptores imunocomprometidos; e 4) a necessidade de rigor com o processo de tipagem sanguínea de doador e receptor e o tempo requerido para a execução desse procedimento.

Um produto elaborado para ser utilizado como sangue artificial, provavelmente, será mais seguro no que diz respeito aos riscos biológicos; além do que deverá ter um período de validade bastante superior ao do sangue natural. Por fim, este produto sintético não deverá possuir antígenos e isso dispensará a necessidade de realizar tipagem sanguínea.

Mas “inventar” um produto artificial comparável ao sangue humano não é tarefa fácil! Isso porque o sangue humano é um tecido extremamente complexo, repleto de células do sistema imunológico e de uma infinidade de proteínas. Entretanto é consenso que, para ser utilizado numa situação de urgência / emergência, o sangue artificial não precisa ter a mesma complexidade do produto original. Assim, os pesquisadores estão particularmente interessados em um produto composto basicamente de células vermelhas (hemácias), por entender que seria adequado para uma resposta imediata objetivando a manutenção da vida à partir de transfusão.

As hemácias são células anucleadas e arredondadas e representam o principal constituinte da fração sólida do sangue, conferindo-lhe a cor vermelha característica devido à concentração de moléculas de uma proteína denominada hemoglobina, cuja principal função é transportar oxigênio e gás carbônico entre os pulmões e todo o organismo.

Tentativas anteriores de desenvolver sangue artificial utilizando-se hemoglobinas "livres" foram frustradas ao se constatar que essas moléculas se decompõem em compostos de ferro reativo e radicais livres quando não estão contidas pelas paredes de uma célula, podendo produzir efeitos colaterais tóxicos. Estão em curso algumas experiências que vale a pena destacar:

➽A Universidade de Essex, no Reino Unido, através de um projeto de biologia sintética denominado "HaemO2" vem empenhada no desenvolvimento de um produto com características de sangue artificial que se baseia numa molécula de hemoglobina modificada, criada através da inserção de genes em bactérias E. coli cultivadas em laboratório. As bactérias produzem a proteína desejada durante sua atividade metabólica normal, e mais tarde os cientistas colhem as células vermelhas transformadas, que são purificadas e concentradas para serem usadas no produto final.

➽Pesquisadores da Universidade de Bristol (Grã-Bretanha) desenvolveram uma técnica, baseada em células-tronco, capaz de produzir glóbulos vermelhos prematuros "imortalizados" que podem ser cultivados em quantidades ilimitadas, o que sinaliza com uma possibilidade real de produção em massa. Já é possível produzir alguns litros de sangue no laboratório; mas há uma grande diferença entre isso e o enorme volume necessário para suprir a demanda a rede hospitalar. No momento, portanto, o desafio é traduzir a técnica para a produção em escala industrial.

➽Cientistas da Universidade de Edimburgo (Escócia) desenvolveram um método de fazer células-tronco adultas da medula óssea e cultivá-las em laboratório para produzir células que se parecem e agem semelhantes às células vermelhas do sangue. O método ainda passa por aperfeiçoamento técnico que consideram o uso de células-tronco retiradas de embriões, ou células da pele reprogramadas, em vez de células adultas porque, embora o produto final não imite sangue vermelho tão bem, pode ser cultivado em quantidades muito maiores no laboratório.

➽Até mesmo soluções radicais como o desenvolvimento de um composto completamente artificial que execute com segurança as mesmas funções-chave do sangue estão sendo consideradas em algum lugar do mundo. Isso poderia envolver a inserção de hemoglobina sintéticas em uma estrutura celular também sintética, ou utilizar um produto químico para manter a hemoglobina estável para que possa ser injetada sem a necessidade de glóbulos vermelhos.

Rússia e África do Sul já utilizam um subproduto artificial desenvolvido nos Estados Unidos e elaborado a partir do sangue bovino. As autoridades sanitárias americanas, entretanto, não liberaram a utilização no referido país porque testes demonstraram que o produto aumenta o risco de acidente vascular cerebral, pancreatite e problemas cardíacos.

“O Hemopure proporciona uma forma alternativa de distribuir oxigênio para os tecidos do organismo quando células vermelhas compatíveis não estão disponíveis ou quando os médicos ou pacientes preferem evitar a transfusão de sangue habitual”, afirma Douglas Sayles, diretor de comunicações da Biopure, empresa de Massachusetts fabricante do composto.

Como se vê são várias as frentes de estudos no mundo o que nos autoriza imaginar que logo teremos uma substância segura que substitua, ao menos provisoriamente, o sangue natural até que uma transfusão definitiva possa ser realizada. O fato é que, embora seja um substituto imperfeito do sangue natural, o sangue artificial deverá revolucionar as perspectivas de prognósticos envolvendo a prestação de socorro em catástrofes, guerras, desastres, etc. Mesmo em ambiente hospitalar ou ambulatorial o recurso poderá ser usado em situações específicas principalmente em regiões onde bancos de sangue não estão disponíveis.

------------------
Créditos:
http://hypescience.com/sangue-artificial/
https://super.abril.com.br/ciencia/parece-mas-nao-e-3/



Leia-me

Pesquisa científica deve ser reavaliada.

0 comentários


A ATUAL ESTRUTURA DE APOIO À PESQUISAS MUITAS VEZES LEVA A ESTUDOS IMPRODUTIVOS; MAS HÁ SOLUÇÃO!

No início deste ano, uma série de artigos divulgados em The Lancet relatou que 85% dos US$ 265 bilhões gastos anualmente em pesquisas médicas são desperdiçados. Isso não se deve a fraudes, embora seja verdade que retrações [de pesquisas] estejam em ascensão. O que ocorre é que com frequência excessiva não acontece absolutamente nada depois da publicação dos resultados iniciais de um estudo. Não há trabalhos de acompanhamento (follow-up) para replicar ou expandir uma descoberta, e ninguém aproveita os resultados para desenvolver novas tecnologias. O problema não é apenas o que acontece após a publicação — cientistas muitas vezes têm dificuldade de fazer as perguntas certas e traçar ou projetar seus estudos corretamente para respondê-las. Um número excessivo de estudos neurocientíficos testa objetos de estudo insuficientes para chegar a conclusões sólidas. Pesquisadores publicam artigos sobre centenas de tratamentos para doenças que funcionam em modelos animais, mas não em humanos. E empresas farmacêuticas são incapazes de reproduzir os alvos de drogas promissoras publicados pelas melhores instituições acadêmicas. Como seria de se esperar, o crescente reconhecimento de que algo deu errado no laboratório resultou em apelos para “mais pesquisas sobre pesquisas” (ou seja, meta-pesquisas), tentativas de encontrar protocolos que garantam que os estudos revisados por pares sejam, de fato, válidos.


Leia-me

No SUS tem práticas integrativas.

0 comentários





O Ministério da Saúde, em 03 de maio de 2006, publicou a portaria Nº 971 que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, contemplando as áreas de Homeopatia, Plantas Medicinais e Fitoterapia, Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Medicina Antroposófica e Termalismo Social – Crenoterapia, promovendo a institucionalização destas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa iniciativa foi resultado da crescente demanda da população brasileira, por meio das Conferências Nacionais de Saúde, das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) aos Estados-membros e da necessidade de normatização das experiências existentes no SUS. A PNPIC foi aprovada na 11ª Conferência Nacional de Saúde.


Leia-me

Cientista precisa saber escrever.

0 comentários


O Brasil deixa de publicar muitos trabalhos científicos de alta qualidade em revistas de grande impacto simplesmente por não redigir adequadamente. Esta foi a afirmação de Carl Webster, do Centro de Pesquisa em Aquicultura da Universidade do Estado do Kentucky, Estados Unidos, no 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquaciência 2012), realizado em Palmas (TO) de 1º a 5 de julho.

Webster, que ministrou um curso sobre redação de artigos científicos durante o evento, é o editor responsável pela World Aquaculture Magazine, revista da Sociedade Mundial de Aquicultura (WAS, na sigla em inglês) e afirmou que saber dividir uma pesquisa em partes que possam interessar a diferentes periódicos científicos e relacioná-las entre elas é um dos atributos mais valorizados pelos revisores.

O primeiro passo, segundo Webster, é selecionar o assunto a ser tratado de acordo com a publicação. “Dizer que a amônia apresenta toxicidade para o pirarucu, por exemplo, não é novidade alguma, mas se você fizer um artigo sobre a fisiologia ou histologia relacionada ao assunto, o interesse será grande”, disse.

O organizador do curso, José Eurico Possebon Cyrino, professor associado do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), concorda: Em vez de focar os artigos em espécies exclusivas do Brasil, Cyrino recomenda selecionar detalhes da pesquisa que sejam comuns a outros peixes, o que pode fazer toda a diferença durante uma seleção para publicação.

Cyrino, que coordena atualmente três projetos apoiados pela FAPESP na modalidade Auxilio à Pesquisa – Regular, após ter concluído diversos outros, é o responsável pela publicação dos anais do Aquaciência e aponta para uma deficiência na formação do pesquisador em todo o país, a redação científica. “É preciso mostrar aos graduandos e pós-graduandos a importância de se escrever bem um artigo científico, sob o risco de o trabalho não ter a repercussão que merece”, alertou Cyrino ao ministrar o curso que dividiu com Webster.

Webster, por sua vez, ressaltou a alta qualidade da pesquisa brasileira em aquicultura, apesar das dificuldades na escrita. “O Brasil faz um ótimo trabalho de investigação na área, e poderia publicar muito mais”, afirmou.

A despeito das dificuldades dos brasileiros, a qualidade de um trabalho pode suplantar as barreiras linguísticas, de acordo com ele. “Não descarto um artigo potencialmente bom por estar mal escrito, todavia um paper bem escrito faz muita diferença na hora da escolha”, disse.

Webster aconselha aos que dominam pouco o inglês a sempre submeter o artigo a um colega fluente antes de enviá-lo a uma revista. Adaptar o artigo a cada publicação é outra dica. Por esse motivo, não é aconselhável enviar para uma revista um artigo originalmente escrito para outra. Cada uma possui peculiaridades e objetivos que precisam ser observados. E pelo mesmo motivo, o cientista aconselha a leitura atenta das normas de cada publicação. “Muitos trabalhos são rejeitados por não observar regras básicas estabelecidas pelos editores”, apontou.

Segundo Webster, na hora de escolher a publicação é importante verificar o fator de impacto, que é o indicador de citações que o veículo teve durante o período de dois anos. Desse modo, publicar em revistas de reputação ruim pode afetar negativamente o trabalho. No entanto, o fator de impacto não é tudo, pois é necessário ver se o trabalho é adaptado àquela revista. “Um fator de impacto alto provoca em vários países uma avalanche de trabalhos submetidos à revista e muitos deles não têm muito a ver com a proposta da publicação”.

Webster alertou para a necessidade de sempre restringir cada artigo a um único tema central. “Uma pesquisa pode apresentar inúmeros experimentos, contanto que tenha um único foco”, aconselhou. Por outro lado, quanto aos parâmetros é preferível que sejam abundantes e componham um banco de dados que apoiem a pesquisa. Cyrino, por sua vez, propôs aos participantes a aquisição de bons dicionários em inglês, de preferência ilustrados, o que facilita encontrar partes anatômicas dos animais, por exemplo, e apresentou uma extensa lista de livros de apoio voltados à escrita científica.

Entre as suas dicas finais, o professor Cyrino (USP) desaconselhou o uso de tradutores automáticos encontrados na internet e chamou a atenção para um equívoco comum em submissões internacionais, a titulação de doutorado: “Se você não fez doutorado nos Estados Unidos ou no Reino Unido, não escreva a sigla PhD em sua titulação, mas doutor em ciência”. Segundo Cyrino, o título PhD pressupõe fluência na redação científica na língua inglesa e, caso o autor não apresente essa habilidade no texto, ele frustrará bastante o avaliador.

Referências:
O texto acima é uma adaptação da matéria publicada pela Agência FAPESP (http://agencia.fapesp.br/15832) no dia 30 de julho de 2012, sob a responsabilidade de Fábio Reynol, assessor de comunicação da Embrapa Pesca e Aquicultura do Estado de Tocantins.



Leia-me

Pioneiras da Ciência no Brasil / Bertha Lutz

0 comentários


Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894, filha do cientista e pioneiro da Medicina Tropical Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler. Ainda adolescente, foi completar a sua educação na Europa, onde tomou contato com a explosiva campanha sufragista inglesa. Em 1918, na cidade de Paris licenciou-se em Sciences na universidade da Sorbonne e retornou para o Brasil. Desde seu regresso em 1918, aos 24 anos, Bertha tornou-se uma defensora incansável dos direitos da mulher na Brasil. Suas idéias começaram a ser divulgadas para a sociedade brasileira com a publicação de um artigo em resposta a um colunista de um jornal carioca, segundo o qual os progressos femininos nos Estados Unidos da América e na Inglaterra não exerciam grande influência na vida das mulheres brasileiras. Em sua indignada resposta, publicada na Revista da Semana, em dezembro de 1918, Bertha conclamava as mulheres brasileiras a fundarem uma associação para lutar por seus direitos.

Em 1919, prestou concurso público para bióloga do Museu Nacional, passando a ser a segunda brasileira a ingressar no serviço público. Nessa instituição trabalhou por quarenta e seis anos e nela construiu uma reputação internacional como cientista. Ainda neste ano Bertha representou o Brasil, junto com a paulista Olga de Paiva Meirano Conselho Feminino Internacional, órgão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), onde foram aprovados os princípios de salário igual para ambos os sexos e a inclusão da mulher no serviço de proteção aos trabalhadores. No Brasil, juntamente com outras mulheres, criou, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, embrião da poderosa Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF, com Bertha na presidência esta organização liderou a campanha sufragista no país. Ao longo de seus anos de intensa militância Bertha tentou conciliar a atividade política com seu interesse profissional e aproveitava sempre as viagens para realizar estudos referentes à sua especialidade no exterior.

Nos anos 1920, as mais importantes batalhas da luta pelo direito ao voto foram travadas no Congresso Nacional. Em 12 de novembro daquele ano, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, por cinco votos contra dois, um projeto de lei que estendia o direito de voto às mulheres. Bertha e suas colaboradoras compareceram ao ato de votação e se posicionaram frente a frente com os senadores durante a sessão. Levaram consigo um abaixo assinado com cerca de 2 mil assinaturas de mulheres, colhidas em todo o país. O documento foi amplamente divulgado na imprensa, como forma de pressionar os congressistas a aprovar a matéria. Apesar dos esforços das feministas, o projeto em curso no Senado não foi transformado em lei.

Bertha decidiu cursar Direito na Faculdade do Rio de Janeiro e graduou-se advogada em 1933. Em 1930, um projeto que estendia às mulheres o direito de voto chegou a ser aprovado em segunda discussão naquela casa, mas o movimento político de outubro de 1930 suspendeu as atividades parlamentares. No ano seguinte, quando as forças políticas democráticas pressionavam pela realização de eleições, Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório nomeou Bertha para integrar uma comissão de juristas encarregada de elaborar o Código Eleitoral. Por pouco o direito de voto às mulheres não foi incorporado ao texto legal, uma vez que os membros da comissão se dividiram entre duas posições com respeito ao sufrágio feminino: de um lado aqueles que defendiam que a matéria deveria ser examinada pela Assembléia Constituinte – ou seja, as mulheres não poderiam eleger representantes para a Constituinte – e de outro, a posição defendida por Bertha, os que pleiteavam a imediata inclusão da matéria no bojo do novo Código. Finalmente, em fevereiro de 1932, Getúlio Vargas assinou o decreto do novo Código Eleitoral, onde estava previsto o direito de voto às mulheres. Dando continuidade à ação política empreendida pela FBPF, empenhada em garantir e ampliar as conquistas obtidas, as participantes da entidade se articularam para ter voz na elaboração da nova Constituição, tendo conseguido cerca de cinco mil assinaturas solicitando a nomeação de Bertha para a comissão de juristas encarregada de redigir o ante-projeto da Constituição.

A 14 de outubro de 1934 promoveram-se eleições gerais: estiveram em disputa os cargos de governador, passando por vagas para as Assembléias Constituintes estaduais e para a Câmara Federal. Bertha candidatou-se à Câmara Federal, mas não conseguiu ser eleita, alcançando a primeira suplência. A 28 de julho de 1936, Bertha Lutz assumiu o mandato de deputada federal, na vaga deixada pelo deputado titular, Cândido Pessoa, que falecera.

Como legisladora, Bertha apresentou o projeto de lei do Estatuto da Mulher, que reformava a legislação brasileira quanto ao papel do trabalho feminino. Conseguiu ser escolhida para presidir a Comissão Especial do Estatuto da Mulher, o que facilitou o trâmite do projeto que chegou a passar em primeira discussão na Câmara em outubro de 1937. Propôs, também, a criação doDepartamento do Trabalho Feminino, maternidade, Infância e Lar, como forma de oferecer de assistência pública eficiente à mãe, à criança.

A decretação do Estado Novo abortou a carreira de Bertha como parlamentar e arrefeceu a capacidade de mobilização da FBPF. Bertha foi gradualmente se afastando da direção cotidiana da FBPF, até deixar definitivamente o cargo de presidenta da entidade em 1942. Manteve-se ao longo da segunda metade do século fiel à luta das mulheres pela cidadania. Em 1944 representou o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, realizada na Filadélfia (USA), como membro da Comissão de Assuntos Femininos. Em 1945, foi delegada plenipotenciária do Brasil junto a Conferência de São Francisco. Em 1951 foi premiada como título de “Mulher das Américas” e, em 1952, foi a representante do Brasil na Comissão de Estatutos da Mulher das Nações Unidas, comissão criada por iniciativa sua. Em 1953 foi eleita delegada do Brasil junto à Comissão Interamericana de Mulheres da União Panamericana de Repúblicas. Quando repercutindo as lutas do movimento feminista internacional a ONU (Nações Unidas) estabeleceu o ano de 1975 como o “Ano Internacional da Mulher”; Bertha já doente foi convidada pelo governo brasileiro, numa justa homenagem, a integrar a delegação brasileira no primeiro Congresso Internacional da Mulher, promovido pelas Nações Unidas (ONU), realizado na capital do México. Este foi o seu último ato em prol da melhoria da condição feminina. Bertha nunca casou. Provavelmente, a ativista política e cientista abdicou do casamento e de constituir família devido às dificuldades de conciliar todos esses papéis.

Como cientista, Bertha atuou por quatro décadas como docente e pesquisadora do Museu Nacional, no Rio de Janeiro e nessa atividade foi reconhecida internacionalmente por sua valiosa contribuição na pesquisa zoológica, especificamente de espécies anfíbias brasileiras. Descobriu entre outras a Liolaremus Lutzae (lagartixa de praia), várias Hylas, entre outras H.Squalirostris, e Perpusilla. Um dos seus mais importantes trabalhos científicos foi “Estudos sobre a Biologia Floral da Mangífera Índica L”, tese para o Concurso de Botânica do Ministério da Agricultura. Publicou vários artigos sobre a coleção de Anfíbios Anuros do seu pai, Adolpho Lutz, bem como organizou o primeiro herbário dele, num projeto financiado pelo recém criado Conselho Nacional de Pesquisas (o atual CNPq). Foi uma apaixonada pela botânica, como pode ser comprovado pela leitura dos relatórios do Museu Nacional (Lopes et alli, 2004). Faleceu no Rio de Janeiro a 16 de setembro de 1976.

Escreveu, dentre outros: Índice dos Archivos do Museu Nacional, Archivos do Museu Nacional, [S.I], v.26, p.277-290, 1919;Estudos sobre a Biologia Floral da Mangífera Índica L, tese para o Concurso de Botânica do Ministério da Agricultura, Archivos do Museu Nacional, [S.I], v.26, p.125-158, 1926; Wilde Life in Brazil, em Natural History vol. XXXII, nº 6, 1932; A nacionalidade da mulher casada. Seção de estudos jurídicos da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Rio de Janeiro: Pongetti, 1933;Estatuto da Mulher, (projeto de lei) Câmara dos Deputados 1936/37.

Fontes: 
Arquivo da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), Arquivo Nacional; Lopes, Maria Margaret et alli, Revista Gênero, NUTEG/UFF, v.5, n.1, 2 semestre de 2004. Rachel Soihet. Bertha Lutz e a ascensão social da mulher, 1919-1937, Dissertação de Mestrado História/UFF; Rodrigues, J.B.,Cascudo, A Mulher brasileira: direitos políticos e civis, 1962.Elaborado por Teresa Cristina de Novaes Marques (UnB).


Leia-me

Pioneiras da Ciência no Brasil

0 comentários


No último dia 12 de março, durante evento de lançamento do Programa Mulheres: Viver sem violência, o governo federal assinou um acordo de cooperação técnica voltado para o desenvolvimento de ações que fortaleçam a participação feminina nas áreas ligadas à ciência e tecnologia, A cooperação prevê a elaboração de chamada pública para apoio a projetos de extensão universitária e a realização de feira direcionada a divulgação dos projetos femininos. Além da presidente Dilma Rousseff, a assinatura do acordo envolveu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), o Ministério da Educação (MEC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Petrobrás.

Assinatura do Acordo / foto Marcelo Gondim
O acordo objetiva estabelecer condições de cooperação mútua para o desenvolvimento do Programa Meninas e Jovens Fazendo Ciência, que visa ampliar o número de jovens mulheres nas profissões e carreiras científicas e tecnológicas, e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino de ciências nas escolas públicas. A partir do acordo:
  • A SPM  representada pela ministra Eleonora Menecucci será responsável por coordenar e monitorar as ações, participar da elaboração do texto da chamada pública e promover as atividades. 
  • Ao MCTI representado pelo ministro Marco Antonio Raupp caberá indicar os Institutos de Pesquisa que integrarão a chamada, que será consolidada pelo CNPq.
  • O MEC representado pelo ministro Aloizio Mercadante será responsável por indicar as escolas do ensino médio para escolha dos coordenadores ou pesquisadores que definirão suas equipes nos projetos de extensão universitária e indicar instituições federais que executarão a Feira de Projeto. 
  • Já a Petrobras representada pela presidente Graça Foster deve indicar mulheres e dirigentes de empresas para participar da Feira de Projetos e sugerir visitas destinadas as alunas que participarem dos projetos.
Em homenagem ao Acordo, o CNPq organizou e disponibilizou em seu portal uma excelente compilação reunindo as principais figuras femininas envolvidas com ciência e tecnologia. O elenco inclui agrônomas, biólogas, economistas, físicas, historiadoras, matemáticas, médicas, psicólogas, químicas,.... Confira


Leia-me
  • Já foi publicado...
    A definir...
    BRAVERY Epic Powerful Cinematic Orchestral Music.

    O painel abaixo registra o país e o número de pessoas do referido país que visitaram o site pela primeira vez.
    Bem vindos / bienvenidos / Bienvenue / 欢迎 / Welcome / Willkommen / benvenuto / ...
    free counters

    Siga-nos se for capaz...!