• Nossa ética

    Nossa ética

    O autor assume integralmente a responsabilidade pelos conteúdos publicados nesta página.

  • Uma convicção

    Uma convicção

    Um homem da ciência não deve ter desejos nem afeições, somente um mero coração de pedra (Charles Darwin).

  • Exatidão

    Exatidão

    Não questione a natureza...! Apenas respeite e contemple.

  • Simplicidade

    Simplicidade

    Na natureza o exuberante pode ser extremamente simples.

  • Uma certeza

    Uma certeza

    Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão as suas doenças (Hipócrates).

  • Uma crença

    Uma crença

    A razão ou o juízo é a única coisa que nos faz homens e nos distingue dos animais (René Descartes).

  • Uma determinação

    Uma determinação

    O determinismo genético é implacável e dele não se pode escapar. Se serve de consolo, é possível evitar ou retardar a expressão do gene.

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Translate this page

Morte celular programada: Eu, matador de mim!?

0 comentários


"Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia". Esta frase, cuja autoria é atribuída a William Shakespeare, parece adequada para inciar esse texto que fará alusão à morte celular programada; também conhecida como apoptose ou suicídio celular. Trata-se de evento bioquímico que ocorre no nível celular dos organismos multicelulares. É apenas um dos inúmeros eventos celulares sobre os quais não temos capacidade de gestão e que são fundamentais para a integridade dos sistemas orgânicos.


Para um individuo com formação no campo das ciências naturais não é confuso compreender que o corpo humano é constituído de centenas de tipos de células, todas originárias de um óvulo fertilizado. Sabemos, assim, que durante o processo de embriogênese e o período fetal, o número de células cresce vertiginosamente e, posteriormente, elas amadurecem e especializam-se para constituir os vários tecidos e órgãos que formam o corpo. No entanto, muitas células também surgem na fase adulta do organismo. Assim, tanto a geração de novas células como a morte celular são processos fisiológicos, tanto no feto quanto no adulto, mantendo a quantidade apropriada de células nos tecidos. Essa delicada eliminação controlada de células denomina-se apoptose ou morte celular programada ou suicídio celular.

Membranas interdigitais de pés humanos em formação
e que são removidas mediante apoptose.
Há células que morrem porque estão doentes. Porém, como dissemos, células saudáveis são sacrificadas em benefício do organismo. Um exemplo elucidativo ocorre durante a formação das nossas mãos pois, para que se formem corretamente, células saudáveis precisam morrer para possibilitar a definição de contorno que dá funcionalidade aos dedos. A programação de morte de células saudáveis também é comum nos organismos cujo desenvolvimento envolve metamorfose a exemplo da regressão da cauda do girino para torna-se sapo adulto.

Um passo importante para a compreensão dos mecanismos biológicos da regulação da morte celular programada foi dado pelos cientistas Sydney Brenner (Britânico), Robert Horvitz (Americano) e John E. Sulston (Britânico). Utilizando como modelo experimental o nematódeo Caenorhabditis elegans (C. elegans) os pesquisadores realizaram descobertas fundamentais sobre a regulação genética do desenvolvimento dos órgãos e do suicídio celular, mediante acompanhamento da divisão e diferenciação celulares desde o ovo fertilizado até o animal adulto. Identificaram genes-chave na regulação do desenvolvimento de órgãos e da morte celular programada no modelo experimental e demonstraram que existem genes correspondentes em espécies mais complexas como o homem.

Sydney Brenner atua no The Molecular Sciences Institute, em Berkeley, Califórnia e definiu que o Caenorhabditis elegans era uma boa espécie para servir de modelo experimental de organismo. A partir dos estudos foi possível descobrir que ao longo do desenvolvimento o verme acumulava 1.090 células somáticas, das quais 131 morriam, sobrando 959 no final. Trata-se de animal multicelular, relativamente simples, microscópico e transparente, que pode ser facilmente observado em microscópio durante seu desenvolvimento. Sendo contemporâneo à descoberta da estrutura do DNA, Brenner decidiu dedicar-se à tentativa de desenvolver um sistema biológico que possibilitasse visualizar a relação entre genes e proteínas no desenvolvimento dos tecidos e dos órgãos, desde a fase embrionária. Em 1974 demonstrou que mutações em alguns genes específicos do C. elegans podiam ser induzidas através do uso de um composto químico chamado EMS (Ethyl Methane Sulphonate), e que diferentes mutações poderiam estar relacionadas a genes específicos e a determinados efeitos no desenvolvimento dos órgãos. A utilização de C. elegans possibilitou analisar as relações genéticas entre a divisão celular, a diferenciação e o desenvolvimento dos órgãos mediante acompanhamento direto pela visualização ao microscópio.

John Sulston, do The Wellcome Trust Sanger Institute, de Cambridge, Inglaterra, ampliou o trabalho de Brenner com o C. elegans e desenvolveu técnicas para estudar todas as divisões celulares no referido nemátodo; desde o estágio embrionário à fase adulta. Assim, em 1976, descreveu a linhagem celular para uma parte do desenvolvimento do sistema nervoso do animal e provou que a linhagem é invariável, ou seja, em todos os vermes ocorreriam a divisão e a morte das mesmas células, sempre no mesmo tempo programado. Sulston foi o primeiro a identificar uma mutação num gene envolvido no processo de morte celular.

Esquema de apoptose em C. elegans
Robert Horvitz, por sua vez, atuando no Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, EUA) descobriu, mapeou, descreveu e caracterizou os genes (EGL-1, CED-4, CED-3, CED-9) como sendo genes-chave no controle da morte celular em C. elegans e, portanto, responsáveis pela morte 131 células normais ao longo da vida do verme modelo. De acordo com os achados de Horvitz; os três primeiros genes são os indutores à morte. O gene CED-4 ativa o CED-3, que é conhecido também como molécula efetora, conduzindo, assim, à morte. O gene CED-9 é o que impede que o CED-4 ative o CED-3, funcionando dessa forma para aquelas células que não devem morrer. Quando uma célula realmente tem que morrer, é o EGL-1 que entra em ação para evitar que o CED-9 “sequestre” o CED-4.
Esquema de C. elegans; espécie de lombriga que serviu de modelo para os cientistas Sydney Brenner, Robert Horvitz e John Sulston desvendarem mistérios do processo de morte celular programada. 
Com essas descobertas já foi possível verificar que existem genes correspondentes em espécies mais complexas e até no homem. No caso do verme, a molécula executora é só o CED-3, no caso de mamíferos já foram clonadas 14 moléculas que possuem a mesma formação estrutural e funcional. E há uma família de proteases – enzimas que quebram proteínas – chamadas caspases, que podem ser subdivididas em dois grupos: o que é relacionado a processos inflamatórios e um outro relacionado à morte celular programada ou apoptose. As caspases envolvidas no processo de apoptose em mamíferos ainda são subdividas em dois subgrupos, chamadas de iniciadores e executores do processo, o que ilustra a maior complexidade do processo em animais superiores.

O conhecimento da morte celular programada tem ajudado a compreender mecanismos utilizados por alguns vírus e bactérias para invadir células humanas. Também é sabido que no caso da Aids, de doenças neurodegenerativas e do infarte no miocárdio, por exemplo, células são perdidas como um resultado do número excessivo de mortes. Ao contrário, doenças como alguns tipos de câncer são caracterizadas por uma extrema redução no número de mortes celulares, mantendo vivas as que deveriam morrer. Atualmente, a pesquisa sobre morte celular programada é intensa, principalmente no campo da procura pela cura do câncer.

A importâncias dos achados de Sydney Brenner, Robert Horvitz e John E. Sulston é inegável para a pesquisa médica e têm ajudado a esclarecer a patogênese de muitas doenças; motivo pelo qual os cientistas foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 2002.


Referências:






Read more

Manguezais: a grande maternidade da natureza.

0 comentários


Vista de Aracaju com resquício de manguezal que margeia a Av. Beira Mar.
Quando algo está desorganizado, bagunçado, caótico, etc, é comum ouvirmos a expressão "Isso aqui tá um mangue!". E esta atribuição pejorativa, deve ter contribuído, em parte, para que historicamente a sociedade atribuísse pouco valor a essa formação vegetal natural que estende ao longo da costa brasileira, numa linha de transição entre a terra e o mar. 

Do ponto de vista biológico, o manguezal é um dos mais ricos ecossistemas terrestres, ou seja, possui elementos não vivos (água, gases atmosféricos, sais minerais, radiação solar) e seres vivos (plantas, animais e microorganismos) que interagem formando um sistema estável e sustentável, imprescindível para a vida marinha. 

A definição de mangue pode ser dada a partir de uma paisagem vista como um mar de lama, onde floresce um tipo de vegetação arbórea que forma imensos bosques ou espalha-se em pequenas faixas às margens dos oceanos, estuários, lagoas e marés, habitados por milhares de espécies de peixes, moluscos, crustáceos e animais microscópicos e, segundo dados oficiais, o Brasil possui cerca de 25.000 km de florestas de manguezais, que vão do Cabo Orange, no extremo norte do Amapá, até o rio Araranguá no litoral de Santa Catarina (figura abaixo).

Os manguezais são um dos ecossistemas mais importantes e ricos do planeta, povoados por muitos animais e plantas exóticas. Abrigam e alimentam a fauna marinha composta por peixes grandes e pequenos, crustáceos, ostras, mariscos e caranguejos que se reproduzem em abundância e se alimentam das raízes nodosas das árvores e de suas folhas gordas, trituram os materiais orgânicos do solo e com suas carapaças e seus esqueletos calcários desempenham importante papel para a estruturação e consolidação do solo, contribuindo para o equilíbrio ecológico. Para a natureza, os mangues podem ser considerados uma espécie de maternidade do mar, da fauna e da flora, e para o homem uma importante fonte de alimento, garantindo a sobrevivência da grande população ribeirinha de pescadores.

Os primeiros registros da existência de manguezais na costa brasileira datam da época do descobrimento do Brasil, em 1500, quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal, D. Manuel, sobre a exuberante beleza geográfica e a abundante riqueza natural da nova terra conquistada, da gente que nela habitava, da fartura de alimentos que nela havia e da fauna e da flora que nela existiam. Aves como o pelicano, o guará, as garças brancas e azuis, e os colhereiros, também escolhem as florestas dos mangues para se abrigar e viver na época da reprodução.

Além da fundamental função de berçário da vida marinha, o mangue desempenha outras funções primordiais, quais sejam: evitar a destruição do litoral pela fúria do mar em tempo de maré alta; proteger as áreas ribeirinhas dos rios no período das chuvas; filtrar poluentes evitando que produtos tóxicos sejam despejados diretamente no mar e muitas outras formas de proteção ambiental.

Porém, nas últimas décadas, a intervenção humana tem causado prejuízos avassaladores ao meio ambiente. E como todo ecossistema brasileiro, o mangue também tornou-se vítima passiva da degradação ambiental decorrente da pesca e da caça predatórias, desmatamento, assoreamento, erosão, aterramento, lixo urbano, despejos industriais, derramamento de óleo entre outros. A degradação dos mangues vem causando grande desequilíbrio à fauna marinha de toda costa litorânea brasileira, comprovada pela escassez dos estoques naturais de camarões, peixes, lagostas, caranguejos, siris e muitos outros crustáceos e moluscos habitantes dos mangues e, sobretudo, pelo aumento de incidência de ataques de tubarões a banhistas.

Calçadão da Praia Formosa - Bairro 13 de Julho, Aracaju-SE
Aracaju, a exemplo de outras cidades litorâneas, possuía extensas áreas do seu território ocupadas por mangues e sofreu com a degradação dessa importante formação vegetal ao longo do tempo, sob o apelo da especulação imobiliária. Recentemente uma extensa área localizada às margens do rio Sergipe e outrora ocupada por mangue fui urbanizada pelo poder municipal (figura ao lado) e a população passou a usufruir de excelente área de lazer.

Estudos feitos por biólogos e ambientalistas mostram que a chegada dos colonizadores portugueses e a crescente urbanização e ocupação essencialmente predatória dos franceses, espanhóis, holandeses, foi um marco histórico não somente para o processo de colonização mas também para o início da degradação e destruição da biodiversidade do ecossistema brasileiro.

------------
Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Mangues. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 24 de julho. 2016.



Read more
Artigos que já foram publicados.

Próxima Publicação.

O mundo e as doenças negligenciadas: quem negligencia o quê!?

Abstinência Acidentes Ácido Aedes aegypt água água. AIDS ameaça Amizade Analfabeto anencefalia antibióticos antropofagia aplicabilidade artigos átomos bactérias bactérias. Baratas Barriga de Aluguel barro biogenético biologia biossegurança Biossociologia bioterrorismo canibalismo Casos CDC ciência cobaia cobaias comportamento congelamento de embriões contaminação Controle controle biológico Corpo Humano Corrupção Cortantes criacionismo cromosomas Cultivo Microbiano Cultural curiosidade darwin Degradação Dengue dependência diagnostico DNA doenças Drogaditos Drogas Ecologia edifícios doentes eliminação Eliminação da hanseníase Embrião embriogênese empatia entropia epidemia equidade Equilibrio era bacteriologica esperma espermatozóide espermograma estigma. ética Etologia evolução evolucionismo Exame extinção Família Faxineiro. fecundação fertilização feto Ficção filosofia follow-up Funeral gametas genética genoma Geoprocessamento gestação Governo hanseniase hermafrodita hermafroditismo HIV Home Care homeostase Homossexual homossexualismo hospital Hospital. Incidentes infecção infecção. infectividade Infertilidade influenza inimigo inseto integralidade Laboratório larvicidas Laudo Lavoisier letalidade LIBRAS Lula Meio Ambiente Meningite método microbios micróbios micróbios. Ministério da Saúde morte Mulher Mulher. mutação mycobacterium natureza natureza. neisseria OMS óvulo palavras pandemia parasitismo parasitismo. patogênicos PCR pensamentos pesquisa Pesquisa em hanseníase placebo Plano de Saúde plano funeral PNPIC pobreza Política POP Pragas predador preservação profilaxia Profissão Prostituta PTS publicação Qualidade Qualidade de Vida Queimadura Radiação Radical Ratos reações bioquimicas Religião replicabilidade Resíduos Orgânicos resultados Risco Biológico saúde saúde coletiva Saúde Pública Seca seleção natural sequelas Sertão simbiose simetria sobrevivência Sobrevivência. Sociedade Sociobiologia surdo SUS SUS. Sustentabilidade tabu talidomida tecnologia. Telefone celular. telessaude terapeutico. Território Traficante Truvada tuberculose tubos de ensaio universalidade Urbanização Urubu vacina vasectomia veneno Vício. vida vida. Vigilância Epidemiológica virulência Vírus zoonoses

Estimativas globais de interesse do campo da Saúde Coletiva

Pílulas para Filosofar...