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Biossegurança na agenda do dia.

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Castelo de Manguinhos: Fundação Instituto Oswaldo Cruz
Realmente, o tema Biossegurança entrou definitivamente na agenda do dia. O fato é que a  abrangência desse assunto perpassa e matricia as diversas dimensões sociais culminando, inclusive, com preocupações de Estado, dada a possibilidade  de utilização de expedientes biológicos para a  intimidação de povos e nações através do Bioterrorismo, conforme relatei na postagen intitulada "...mais uma vez as SUPER BACTÉRIAS".
Mas nesse momento vou me ater apenas à discussão desse tema sob o enfoque do processo de trabalho que é desenvolvido nas centenas de Laboratórios de Saúde Pública espalhados pelo país, a exemplo da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (RJ), LACEN-SE, LACEN-BA, LACEN-PE, LACEN-GO, LACEN-SP, etc, que, logicamente não guarda qualquer relação direta com o bioterrorismo. Pelo contrário, esses ambientes, uma vez que são insalubres por natureza, é que podem se constituir em verdadeiras armadilhas para profissionais até comprometidos e responsáveis com suas tarefas, mas negligentes, imperitos ou imprudentes quando se refere à sua própria proteção e consequentemente à proteção coletiva, no que se refere à segurança biológica. 
Diversas espécies de colônias microbianas vistas ME
A compreensão da importância desse tema entre os colegas que labutam em laboratórios clínicos e porque não dizer entre os profissionais do campo da saúde é bastante incipiente e trafega na contra-mão do conhecimento científico desses profissionais. A explicação que trago para essa postura é simples e ao mesmo tempo preocupante pois, na minha opinião, o motivo pelo qual o profissional da saúde negligencia o risco biológico é o mesmo motivo do cidadão leigo, ou seja, o risco não está visível! O risco é microscópico. 
O problema ganham outra dimensão porque estamos falando de pessoas que conhecem o risco, conhecem e entendem de microbiologia. Sendo assim, como fazer para que assumam no cotidiano do seu trabalho uma postura preventiva em relação ao risco biológico inerente ao seu trabalho? Não estou dizendo que nesse assunto estamos na estaca zero. Muito já se avançou no Brasil, até por força de legislação, mas há um longo caminho a percorrer para que os ambientes sombrios e tenebrosos dos Laboratórios Biológicos, muito vezes bem retratados pela indústria cinematográfica, torne-se ambientes onde se produza ciência com os riscos sob controle.
LACEN-SE
Mais um passo concreto nessa direção foi dado pelo Ministério da Saúde ao publicar a recente Portaria nº 3.204 de 20 de outubro de 2010 (http://www.brasilsus.com.br/legislacoes/gm/105919-3204.html). A publicação dessa portaria é mais uma constatação de que a sociedade civil está preocupada com esse tema e, consequentemente, o governo federal está atento aos sinais emanados da sociedade.
A portaria de que me refiro aprova "Norma Técnica de Biossegurança para Laboratórios de Saúde Pública", entendendo-se aí qualquer laboratório que manipula amostras com fins de produzir relatórios (laudos) de interesse da saúde pública. Nesse bojo estão incluídos os Laboratórios Centrais (LACEN´s), os quais integram a Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública e demais laboratórios legalmente constituídos.
De acordo com a Portaria, as motivações do Ministério da Saúde para a sua publicação são: 1) a necessidade dos Laboratórios de Saúde Pública implantar e garantir a execução de medidas de Biossegurança; 2) as medidas de Biossegurança devem estar articuladas com o sistema de gestão da qualidade; 3) os objetivos os requisitos de Biossegurança para a aplicação por parte da Direção e profissionais dos Laboratórios de Saúde Pública devem estar claros; 4) respaldo das Portarias  nº 2606/GM/MS, de 28 de dezembro de 2005, e nº 70/SVS/MS, de 8 de julho de 2008, que exigem que os laboratórios implementem medidas de Biossegurança.
LACEN-BA
LACEN-GO

No Art. 2º a Portaria 3.204 determina que os Requisitos de Biossegurança elencados sejam observados e exigidos durante as atividades de avaliação e supervisão, realizadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde, às unidades laboratoriais das sub-redes vinculadas às Redes de Vigilância Epidemiológica e de Saúde Ambiental.
Se algum gestor ou dirigente de serviço laboratorial de alguma forma se amparava na ausência de legislação clara para nortear a sua conduta acerca desse assunto, não terá mais esse argumento. Terá que conhecer os requisitos gerais e zelar pela aplicação dos mesmo que em nada mudou para os estudiosos dessa área. A diferença é que agora estão amparados legalmente.
Para quem está tendo o primeiro contato com esse assunto, vale destacar um trecho do objetivo dos Requisitos Gerais: "... prevenir, controlar, reduzir e/ou eliminar os fatores de risco inerentes aos processos de trabalho que possam comprometer a saúde humana, animal, vegetal, o meio ambiente e a qualidade do trabalho realizado".
Por fim, essa Portaria também servirá para dirimir de uma vez por todas a idéia equivocada de que qualidade e biossegurança são grandezas distintas e que devem ser consideradas distintamente.Que fique claro que não dá para desvincular essas duas propriedades: Não é possível um trabalho de qualidade que negligencia os princípios de biossegurança. 


Esperma, um santo remédio... Quem diria!?

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Há muito estou convencido que na terra, nesse planeta que não passa de um laboratório natural, há substâncias ativas contra todos os problemas que acometem os organismos vivos, tanto os humanos como os demais animais e vegetais. Os antibióticos são o melhor exemplo disso! Os nossos antepassados, há séculos, se valeram das propriedades terapêuticas de ervas e de produtos oriundos de outros animais para resolver, ao seu modo, os seus problemas de saúde e muitos desses conhecimentos, até então apenas empíricos, estão sendo ratificados por protocolos científicos nos diversos laboratórios de pesquisa espalhados pelo mundo.

Nesses tempos em que o homem (sexo masculino, cromossomos XY) está ficando cada vez mais descartável do ponto de vista da sua importância para a reprodução da espécie, ver em (http://www.laboratorioterra.com/2009/09/gravidez-nove-meses-que-desconforto.html), a busca de alternativas para aumentar a utilidade do macho é crescente, senão vejamos: Recentemente recebi um news leater informando que nos Estados Unidos existem indústrias farmacêuticas investindo pesado em estudos com amostras de esperma humano, na perspectiva de desenvolver produtos de uso medicinal, cosmético e dietético a partir do sêmen. Os produtos, ainda em fase de testes, prometem reduzir colesterol, aumentar a higidez do sistema imunológico, proteger o sistema cardio-pulmonar devido a existência de Omega-3 e ainda tem propriedades anti-bacterianas. Como se não bastasse, já existem aproveitadores comercializando pela internet algo com o nome comercial de "Sweet Release": " Não há outro produto como este", assegura a publicitária do recém lançado produto que só é vendido através da internet em embalagens plásticas contendo 60 cápsulas ao preço de 42,76 euros (R$110,00).

Acho que as conclusões dos estudos confirmarão o que se escuta nas rodas de conversas "leigas" de que esperma faz bem para a pele, para o cabelo, etc. Mas as pessoas deveriam aguardar essas conclusões. Se esse produto não está disponível para venda nas farmácias é porque ainda não possui os necessários registros. A aquisição através através da internet não permite a suficiente garantia da procedência, sobretudo em relação à matéria-prima (esperma).

Fico, entretanto, imaginando quando esse produto entrar em escala industrial... Haverá uma verdadeira corrida dos homens aos bancos de coleta de esperma (laboratórios) em busca de alguns trocados. E os laboratórios provavelmente precisarão aumentar as suas equipes para atender à demanda. Quem já fez vasectomia vai perder a boquinha!


Micróbios: Não subestime essas entidades.

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Paramentação adequada
Por ocasião da Semana Internacional de Prevenção de Infecções, que acontece entre os dias 17 e 23 de outubro, e considerando a minha formação de microbiologista, acho que não posso me furtar de  postar alguma matéria alusiva a esse movimento.
O fato é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que em breve 1,4 milhão de pessoas em todo o mundo estarão sofrendo de infecções adquiridas em hospitais. Um estudo do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), publicado em março de 2007, estimou em 98.987 o número de mortes por infecções associadas aos cuidados da saúde nos Estados Unidos em 2002.
As infecções adquiridas em ambiente hospitalar (hospitais ou clínicas) são genericamente designadas de Infecção Associada aos Cuidados da Saúde (IACS) ou simplesmente Infecção Hospitalar. Porém, para avaliar a possibilidade de Infecção Hospitalar, esta deve ser desenvolvida pelo paciente durante a internação ou alguns dias após a sua estadia hospitalar.
As IACS são problemas globais, afetando tanto pacientes quanto profissionais da saúde. Preocupada com a questão, a Kimberly-Clark Healt Carelaborou uma lista de medidas preventivas que poder ser observadas antes, durante e depois de uma estadia hospitalar para minimizar a exposição às Infecções associadas aos cuidados da saúde (IACS) e bactérias relacionadas, como SARM:

Limpeza e higiene pessoal:
Lavar corretamente as mãos
  • Lave suas mãos. Esfregue por pelo menos 15 segundos com água morna e sabão. Use álcool-gel se você não tiver acesso a água e sabão.
  • De três a cinco dias antes de sua cirurgia, tome banhos diários com sabão contendo 4% de clorexidina, disponível em farmácias.
  • Quando já estiver no hospital: peça para a pessoa que te atender lavar as mãos antes de tocar em você – na sua presença. Exija isso tanto de médicos e enfermeiras que forem examiná-los quanto de visitantes que abracem, toquem ou ajudem você a se vestir, etc. Não tenha vergonha! Sua vida vale um segundo de constrangimento.
  • Certifique-se que a equipe médica esfregue a área da cirurgia antes do procedimento, pois bisturis e outros instrumentos cirúrgicos arrastam as bactérias da pele para a incisão.

Equipamento:
- Uma fonte comum de contaminação cruzada por bactérias são os estetoscópios, que normalmente não são limpos após usados em cada paciente, Assim como qualquer equipamento, eles precisam ser adequadamente limpos para a utilização segura.
- Certifique-se de que as equipes hospitalares limpem e desinfetem todas as superfícies que você deve tocar, como grades de cama, cortinas e pias. Evite colocar comida ou utensílios nos móveis ou na cama
- Certifique-se que o cateter esteja adequadamente limpo quando inserido e removido e de que outro, novo e limpo, seja inserido a cada 3 ou 4 dias. Se alguma irritação aparecer na área em que for inserido, comunique a enfermagem imediatamente.
- Monitore ataduras e drenos e avise prontamente a enfermagem se eles estiverem soltos ou molhados.
- Evite o uso de cateteres urinários o máximo possível. Caso você precise de um, peça que seja removido de um a dois dias – o quanto antes melhor.


Exames:
- Faça um exame para verificar a presença de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) pelo menos uma semana antes de ser internado. Você pode já ter SARM e não saber! É importante saber disso o quanto antes.
- Tenha a quantidade de açúcar sob controle se você tiver diabetes.
 
Medicação:
- Pergunte ao seu medico sobre a administração de antibióticos antes da cirurgia. Para algumas cirurgias, você pode receber uma dosagem antes da cirurgia para prevenir uma Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC).

Estética e Conforto:
Se você precisa de depilação, use depiladores elétricos no dia da cirurgia em vez de lâminas, pois, com essas últimas, são maiores as chances de cortes na pele, o que aumenta a exposição às bactérias que causam infecção.
- Peça a seu médico que lhe mantenha aquecido durante a cirurgia. Obviamente, você não irá sentir frio quando anestesiado, mas estudos provaram que procedimentos simples como manter os pacientes aquecidos diminui as chances de infecção.
- Peça a quem estiver tossindo que use máscara ou que fique pelo menos dois metros longe de você, a fim de que você não pegue uma infecção transmitida pelo ar.
- Embora visitas possam animar você, se familiares e amigos não estiverem se sentindo bem, peça a eles que esperem para visitá-lo quando estiverem melhor. Converse com eles por telefone enquanto se recupera.


Faça a sua parte, pois ninguém está seguro!


...mais uma vez, as SUPER BACTÉRIAS.

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Manipulação em Cabine de Segurança 
Acho que já vimos este filme... Se o leitor dessa postagem já era nascido na década de 1990 deve se lembrar da onda de Bioterrorismo que se espalhou pelo mundo, envolvendo envelopes apócrifos enviados através dos correios, contendo pó suspeito de contaminação por Bacillus anthracis. Nessa época eu trabalhava na Seção de Micobactérias do Instituto Parreiras Horta - IPH. O IPH é o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Estado de Sergipe. Nesse instituto eu também era responsável pela gestão de Biossegurança.

Ataque às torres gêmeas (EUA)

Por ser o laboratório oficial do estado, o IPH foi definido pelo Ministério da Saúde como responsável por receber todas as demandas relacionadas ao bioterrorismo e dar os devidos encaminhamentos. Lembro-me que ao todo foram doze ocorências envolvendo envelopes contendo pó. A maioria dos envelopes foi trazida para o IPH pelo pessoal do Corpo de Bombeiros, mas fui pessoalmente fazer o recolhimento do material no gabinete do Prefeito de Aracaju e no Aeroporto da cidade. Os envelopes continham amido de milho, que após análises revelavam-se inócuos, pois não existia material infeccioso. Parece que esse evento serviu para nos mostrar o quanto somos e estamos vulneráveis. A entrega dos envelopes a destinatários definidos mostrou-se uma estratégia simples e bastante eficiente, dada a capilaridade dos serviços dos correios em todo o mundo. Imaginem se misturado ao polvilho que era colocado nos envelopes existisse amostra de micróbio patogênico de grande poder de virulência. Digo isso porque em alguns lugares noticiou, realmente, a existência de Bacillus anthracis misturado ao polvilho. No entanto, sabemos que esse patógeno é de baixa virulência, dando a entender que a intenção era apenas comprovar a nossa fragilidade em termos proteção global. Tanto que, em seguida, outros eventos terroristas ocorreram no mundo, onde o mais emblemático talvez tenha sido o ataque aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, que culminou com a derrubada das duas torres do world trade center.
Simbolo de Biossegurança
O fato é que pesquisadores dentro de laboratórios espalhados pelo mundo  manipulam cepas microbianas altamente virulentas que, se caíssem nas mãos de terrorista, poderiam produzir epidemias e até pandemias que resultariam em mortes sem precedentes. Um exemplo de agente biológico altamente infectante é o vírus da varíola. Como sabemos, a doença já foi extinta no mundo, mas cepas virais estão guardadas em virotecas de laboratórios de segurança máxima (NB-IV) do mundo. Imaginemos a multiplicação desse vírus e a sua pulverização em uma área urbana com a utilização de um avião, por exemplo. Isso produziria uma catástrofe mundial, dada a alta infectividade e letalidade da infecção. A pergunta é: Será que esse material biológico está suficientemente seguro? Como vimos no caso do ataque às torres gêmeas, o altamente protegido espaço aéreo americano não conseguiu prever, deter e conter a tempo a invasão terrorista, e o resultado é do conhecimento de todos.
Eletromicrografia de micróbios
Hoje , 08 de outubro de 2010, a mídia divulga ocorrência de infecção por super bactéria que já resultou na morte de 18 pessoas em hospitais de Brasília. O detalhe é que, segundo as informações, essa bactéria é do gênero klebsiella, comum no sistema digestivo humano, mas sofreu alteração genética, tornando-se resistente aos antibióticos usuais (Jornal Hoje, Edição do dia 08/10/2010). Mas, o que são essas "Super Bactérias"? Como elas surgem? Como evitá-las? Para responder essas perguntas devo iniciar informando que o meio ambiente está repleto de germes (bactérias, fungos, protozoários) e vírus. Esses micro-organismos são, genericamente, classificados como saprófitas e patogênicos. Devo lembrar também que essas entidades biológicas não são apáticas, pelo contrário, interagem intensamente, estabelecendo relações simbióticas e parasitárias em diversos níveis.
Sepultura coletiva (vala comum)
Antes do descobrimento e desenvolvimento dos antibióticos e quimioterápicos, as pessoas contraiam infecções, adoeciam e apenas o seu sistema imunológico era utilizado para fazer frente à doença e, a depender da higidez do sistema imunológico e da virulência microbiana as pessoas se auto-curavam ou morriam ou se tornavam doentes crônicos. A cólera, a febre amarela, a gripe espanhola, a peste bubônica, a varíola, a tuberculose, a febre tifóide e o sarampo ceifavam muitas vidas. Abriam-se valas para os enterros coletivos tamanha era a quantidade de cadáveres.
Atualmente a seqüência de raciocínio é a mesma, exceto pela introdução de antibióticos e quimioterápicos cada vez mais eficazes. Isso explica a notável redução das mortes por doenças infecciosas. Mas, como falei antes, os micróbios não são agentes passivos. Na condição de seres vivos, eles se reproduzem ou se multiplicam (vírus) e para isso precisam em um dado momento do processo duplicar o seu material genético.  A fantástica engenharia de duplicação do genoma nos organismo é perfeita. Tão perfeita que permite a ocorrência aleatória de mutações. E são essas mutações que favorecem a modificação dos organismos, dando-lhes novas características adaptativas e, aleatoriamente, possibilita o surgimento de "super" micróbios. Super porque conseguem produzir secreções que neutralizam a ação de antibióticos e quimioterápicos. Super porque conseguem aniquilar seus concorrentes na busca de nutrientes. Super porque são mais competitivos.
Não podemos evitar as mutações genéticas. Conseqüentemente, não podemos impedir o surgimento de Super Bactérias. Seria como negar a evolução. Podemos sim, utilizar de forma racional os antibióticos e quimioterápicos, pois são eles que possibilitam a seleção dessas entidades biológicas, ao eliminar seus oponentes naturais.


O que dizer da tuberculose e da hanseníase?

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A família das mycobacteriáceas apresenta duas espécies microbianas responsáveis por duas das mais antigas e graves moléstias da humanidade: A tuberculose e a Hanseníase.
Estas doenças no passado histórico, juntamente com as guerras sangrentas, eram responsáveis pela extinção de milhares de vidas em todo o mundo, quando não estabeleciam irreparáveis danos físicos. As guerras sangrentas praticamente foram eliminadas, porque foram estabelecidos mecanismos políticos, sociais e econômicos a nível global que inviabilizam a sua ocorrência, ou seja, foram eliminadas as condições predisponentes.
Hanseníase: Mutilação de membros superiores
Comparativamente à espécie humana, os micróbios , seja eles saprófitas ou patogênicos, precisam de condições predisponentes para obterem êxito em suas investidas e, ao contrário das guerras sangrentas, essas condições predisponentes à Tuberculose e à Hanseníase sofreram pouca alteração, o que explica a alta incidência de tais patologias em praticamente todo o mundo. As condições predisponentes à Tuberculose e à Hanseníase são - da mesma forma que nas guerras sangrentas que imperavam no passado - políticas, sociais e econômicas, o que nos permite concluir que travamos uma guerra milenar contra dois inimigos comuns: Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium leprae, com um agravante de serem inimigos invisíveis a olho nu.
A era bacteriológica e o desenvolvimento científico e tecnológico, recentemente incorporados à sociedade, reduziu sensivelmente as taxas de mortalidade e morbidade das doenças infecciosas. No caso específico da Tuberculose e da Hanseníase foram elaboradas substâncias bactericidas, bacteriostáticas e até profiláticas, a exemplo da vacina BCG, ativas contra M. tuberculosis e M. leprae; no entanto as condições de miséria social, analfabetismo e subnutrição sofreram poucas alterações nas regiões ditas "periferia do mundo". Esse quadro, por sua vez, foi sensivelmente agravado pela epidemia mundial da AIDS, que está diretamente relacionado com o agravamento do quadro da Tuberculose, devendo haver também alguma interferência na epidemiologia da Hanseníase.
Tuberculose pulmonar: Suprimento de oxigênio
Como é possível constatar, já dispomos de armas químicas e bioquímicas para enfrentar o problema, no entanto o descaso político, a ignorância e a desinformação criaram mitos responsáveis pelo intenso estígma social que envolve tais patologias, sobretudo a Hanseníase, influenciando negativamente o êxito terapêutico.
O quadro acima disposto faz com que a Tuberculose e a Hanseníase sejam doenças endêmicas praticamente em todo o mundo, sendo o Brasil, de acordo com Organização Panamericana de Saúde, o segundo país no mundo e o primeiro nas Américas em número de casos de Hanseníase. O quadro da Tuberculose no Brasil também é dramático com cerca de 90.000 casos novos e 5.300 óbitos notificados anualmente. 
Essa situação motivou a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) a declarar recentemente a Tuberculose como "CASO DE URGÊNCIA" em todo o mundo pois, segundo estimativas, 30.000.000 de pessoas morrerão em todo o mundo nos próximos dez anos, se medidas enérgicas não forem adotadas para conter aproximadamente 80.000.000 de casos previstos.
Acho que já passa da hora de povo e governos unirem esforços no intuito de desestabilizar a cadeia social, política e econômica favorável à prevalência dessas chagas da humanidade que são a Tuberculose e a Hanseníase. E você, o que acha?


Enfim... Gestação humana in vitro!

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Enfim, acabaram-se os problemas com a infertilidade e os desconfortos da gestação (...). Laboratório especializado em reprodução humana anuncia que desenvolveu tecnologia e garante realizar fecundação e gestação humana "in vitro".
Calma gente...estou brincando, pelo menos por enquanto! Não sei se vocês sabem, mas a ciência já domina a tecnologia da sexagem (identificação do cromossoma sexual dos gametas) e a tecnologia da fertilização in vitro. Sabem o que isso significa? Significa que em laboratório já é possível identificar em uma amostra de esperma os gametas que trazem o cromossoma sexual X e Y. Com isso pode-se definir, antecipadamente, o sexo do indivíduo a ser gerado por inseminação artificial, uma vez que é da junção do gameta masculino de cromossoma X ou Y com o óvulo (sempre X) que se tem o zigoto de combinação XY (sexo masculino) ou XX (sexo feminino).
A fertilização in vitro e a inseminação artificial foram evoluções tecnológicas importantes para a humanidade, pois resolveram sérios problemas de infertilidade entre casais desejosos de constituir família, mas que tinham problemas intransponíveis de infertilidade relacionados a pelo menos um dos membros do casal heterossexual. No entanto, a evolução não vai parar por aí! O próximo passo nessa linha evolutiva é a Gestação Humana in vitro. O que falta para isso é apenas a reprodução, em laboratório, das condições bioquímicas e biofísicas do ambiente intrauterino, o que não será uma tarefa fácil, dada a complexidade do liquido amniótico e das intensas interações bioquímicas e biofísicas que envolvem mãe-embrião e mãe-feto.
Mas vamos deixar a mente fluir e nos imaginarmos no ano 2500 com todos esses problemas de ordem técnica equacionados. Nesse tempo, as clinicas de fertilização estarão anunciando na mídia que dispõem dos recursos tecnológicos para realizar sexagem, fertilização e gestação in vitro. As mulheres, então, terão as opções da gestação nos moldes tradicionais ou a gestação em laboratório, livre dos desconfortos e dos contratempos do período gestacional fisiológico. Mas alguém pode perguntar: Como seria isso na prática? Respondo que, guardadas as devidas proporções, seria semelhante ao cultivo microbiano, que é realizado na rotina dos laboratórios de microbiologia, ou seja, a amostra, nesse caso o óvulo fecundado (zigoto) será depositado em um pequeno tubo de ensaio contendo uma solução aquosa sintética de líquido amniótico e colocado para incubar sob as mais rigorosas condições de temperatura, pressão, umidade, atmosfera gasosa, etc. Com o transcurso das semanas de gestação serão realizados vários repiques para tubos maiores, como também será renovado o volume de liquido gestacional para garantir a perfeita embriogênese. A mãe, por sua vez, será artificialmente estimulada a produzir os hormônios normais dessa fase, inclusive para garantir a lactação e consequentemente a amamentação, tão logo o feto conclua o seu desenvolvimento e deixe o último tubo de ensaio.
...vocês duvidam? É esperar pra ver!


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