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Plano Funeral: uma tacada de mestre!

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Nascer e morrer; essa é a linha reta que resume qualquer existência. Alguns morrem antes de nascer. Alguns morrem logo ao nascer. Alguns vivem bastante antes de morrer. Alguns demoram a morrer mas não vivem, apenas sobrevivem! Alguns reproduzem no intervalo entre o nascimento e a morte. Alguns vivem bastante mas não conseguem reproduzir. Mas um fato é incontestável; todos que nasceram terão que morrer. Não vou entrar na discussão acerca do mérito da morte - céu, inferno, purgatório, reencarnação - pois sei que esse é um campo extremamente complexo e que não compete à mediocridade humana desvendá-lo em vida, por isso tanta especulação. O que quero tratar, exatamente, nessa postagem não é sobre a vida ou sobre a morte do ponto de vista psicológico ou espiritual ou religioso. Quero falar sobre a morte do ponto de vista econômico e financeiro. Afinal, as três etapas da existência humana - nascer, viver e morrer - tem um custo econômico e financeiro. Ou seja, a gente paga pra nascer, pra viver e pra morrer.

Considerando que o nascimento é um evento mais ou menos programado, é possível organizar as contas, rever gastos e cortar supérfluos com o objetivo de financiar (patrocinar) a nova vida. Sendo assim, genericamente. temos tempo de nos preparar para receber a vida. A vida ou até mesmo a sobrevida também nos cobra altos investimentos, que variam com a condição de cada um, cujo teto é a luxúria e a base é a miséria, sabendo-se que até para viver na miséria tem um custo. E a morte... Alguém já parou pra pensar no custo financeiro da morte? Você pensa nisso? Claro que não vou perguntar se você sabe quando vai morrer! A morte é o evento mais incerto com o qual o homem precisa lidar e assim será, pois é para o bem da humanidade. Mesmo negligenciando os cuidados básicos à saúde não conseguiremos prever com precisão a morte. O máximo que se pode fazer para antecipar de alguma forma esse momento é através do suicídio.

E é em cima desse evento concreto, mas de ocorrência incerta, que se explora um nicho altamente lucrativo economicamente que é o segmento dos Planos Funerários. Esse segmento passou a se expandir no Brasil aproximadamente na década de 1970. Começou timidamente, pois precisava vencer um mito, uma superstição, de que comprar o caixão antecipava a morte. Hoje isso já está superado e é grande a quantidade de pessoas que possuem um Plano Funerário. Esses planos oscilam desde o básico até o avançado e oferecem de tudo para o cliente, inclusive a cerimônia fúnebre que foi previamente escolhida é definida pelo cliente ainda em vida. E o melhor; sem o desespero de ter que buscar suporte financeiro nesse momento de tamanha confusão emocional, onde as pessoas fica ainda mais vulneráveis à ação de aproveitadores, o que aliás, não falta!

Mas há um aspecto interessante desse comércio que eu gostaria de explorar, que é o seguinte. Acho que os leitores dessa postagem não tem dúvida que um Plano Funeral não passa de um consórcio. Porém há alguns detalhes que tornam esse negócio altamente lucrativo para o empresário: O primeiro é que o consorciado não tem o menor interesse pelo prêmio máximo que é a cerimônia fúnebre. O segundo é que o consorciado não tem o menor interesse de usufruir dos demais serviços do plano que são o empréstimo de cadeira de rodas, muletas, camas especiais e demais apetrechos indicados para quem está enfermo ou convalescente. Sendo assim, o cliente do Plano Funeral paga um consórcio e não tem o menor interesse pelos prêmios.
Comentários à parte, tenho o meu Plano Funeral e pago religiosamente em dia pois não consigo me imaginar depois de morto tendo - através de terceiros -  que tomar dinheiro emprestado para viabilizar a minha cerimônia fúnebre. Um empréstimo - diga-se de passagem - que jamais conseguirei pagar!



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