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Tudo parece perfeito... Mas o câncer pode estar lá.

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Óvulo sendo cortejado por espermatozóides
Quando nos referimos ao organismo humano nem sempre nos damos conta dos números astronômicos que envolvem a sua constituição. Você sabia que um indivíduo adulto da espécie humana possui aproximadamente 100.000.000.000.000 (cem trilhões) de células? E que ao longo da vida, um indivíduo humano pode chegar a produzir 10.000.000.000.000.000 (dez quatrilhões) de células? O interessante é que tudo começa com apenas uma célula denominada ovo ou zigoto, que é o resultado da fusão de uma célula produzida pelo macho (espermatozóide) com uma célula produzida pela fêmea (Óvulo). A partir dessa estratégia da natureza, todos os eventos biológicos que poderão acontecer no organismo resultante dessa fusão celular estão determinados. Estou falando de um determinismo relativo e não absoluto. Alguma coisa parecida com a chance de ganhar na loteria, onde todos nascem com chance de ganhar, mas pra ganhar precisa jogar!
Célula animal esquemática
A célula, na sua diminuta dimensão, é de uma complexidade incrível, uma vez que dispõe de microestruturas capazes de realizar importantes funções como produção de energia, produção de substâncias de utilidade para a própria célula ou de ação no meio extracelular - que controlam as funções do organismo - ou até mesmo para manter o equilíbrio físico-químico (equilíbrio hidrossalino, equilíbrio ácido-básico) fundamentais à preservação da vida.
A célula, portanto, é o nível organizacional mais elementar capaz de executar todas as atividades vitais que são executadas pelo organismo que ela constitui. Assim, se a organização da célula for de alguma forma perturbada a sua função fica comprometida e as conseqüências desse comprometimento variam de acordo com a extensão da perturbação, cujo ápice é a morte celular.
Provavelmente a região mais delicada da célula seja o núcleo, pois é nesse compartimento que se encontra a estrutura responsável pela regulação e manutenção da célula. O núcleo pode, sem qualquer exagero, ser comparado ao cérebro humano, pois as responsabilidades e as decisões do núcleo celular definem a sobrevivência e a qualidade de vida da célula, tal como acontece com as decisões racionais humanas. O que torna o núcleo uma estrutura vital para a célula é a presença do material genético, que são os ácidos nucléicos RNA (Ácido Ribonucléico) e DNA (Ácido Desoxirribonucléico). Os ácidos nucléicos são de uma simplicidade e complexidade impressionantes. Simples porque são constituídos por apenas quatro tipos de moléculas (nucleotídios). Complexos porque com apenas esses quatro tipos de moléculas é possível coordenar a síntese de todas as proteínas necessárias à célula e, conseqüentemente, transmitir as informações genéticas de ascendentes a descendentes. Lembra que falei anteriormente da fusão do óvulo e do espermatozóide? É essa fusão que possibilita a mistura do material e garante que os organismos gerados sejam distintos, ou seja, indivíduos.
Esquema de duplicação do DNA
Alie-se a tudo isso que achamos impressionante o fato de que todas as células humanas têm a capacidade de gerar cópias de si mesma preservando, consequentemente, toda a identidade definida a partir da fecundação. Isso só é possível porque o material genético, mais precisamente o DNA, tem a capacidade de autoduplicação. A autoduplicação do DNA garante a perpetuação e a evolução biológica da espécie humana. Isso porque cada espermatozóide e cada óvulo produzido pelo organismo possui uma combinação de material genético diferente. Considerando que a junção dessas duas células é aleatória, temos infinitas possibilidades de combinações.
Esquema de reprodução sexuada
Mas quando falamos de evolução biológica, nos vem instantaneamente a noção de perfeição, pureza, melhoramento. E não está errado... apenas está incompleta a compreensão! Para explicar, digo que só conseguimos evoluir, melhorar, porque a nossa forma de reprodução é sexuada. Se reproduzíssemos assexuadamente, já teríamos sido extintos. Só que quando reproduzimos sexuadamente juntamos as "coisas" boas e as "coisas" ruins de dois organismos. A essas "coisas" damos o nome de gens. Os gens ficam contidos dentro das células, compondo o DNA e podem a qualquer momento da vida ser acionados e produzir um efeito no respectivo organismo. E o efeito poder ser a alteração do comportamento de determinadas células, fazendo com que elas deixem de executar as tarefas para as quais estavam programadas e passem a ter uma vida independente e desregrada, ao que chamamos genericamente de Câncer. Independente porque não obedecem mais a lógica do sistema orgânico. Desregrada porque não conhecem limites e fazem de tudo pra se manter vivas. A agressividade dessas células transformadas varia e algumas células se tornam tão vorazes que levam o organismo à morte em pouco tempo. O interessante é que até o momento em que esses gens são ativados tudo parece perfeito... Mas o câncer pode estar lá!


Próxima Publicação.

Sangue... Ninguém precisa, até precisar.

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