English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Translate into your language

Vieste do pó e ao pó voltará... Se não entendeu eu explico!

1 comentários


Sou claro, quando o assunto é religião, e não deixo subentendidas as minhas restrições, o que não significa dizer que sou ateu, muito pelo contrário! Tenho a minha convicção de Deus, que em nada se assemelha ao Deus estereotipado e difundido. Não pensem, porém, que sou contra a qualquer forma de manifestação religiosa. Vivemos mergulhados e envolvidos com tantos problemas comuns à existência humana que a religião se constitui excelente apoio e porque não dizer, válvula de fuga.O problema são os excessos! Reconheço a Bíblia Sagrada como a obra literária mais fantásticas já produzida, e até costumo utilizar em sala de aula passagens dos seus diversos livros, para ilustrar aspectos relacionados à biologia, e com isso desfaço assim o tabu de que ciência e religião são incompatíveis.

Na verdade, costumamos nos referir à bíblia como um livro de texto complexo em função da linguagem excessivamente rebuscada, metafórica e de difícil compreensão. Isso é fato, e o título dessa postagem é bem emblemático dessa constatação, senão vejamos; Vieste do pó e ao pó voltará! Pra começar, pó lembra terra, barro, então alguém pode concluir que o homem foi gerado a partir do barro (sopro de Deus!) e que logo em seguida, a partir da costela desse primeiro homem gerado do barro, Deus fez surgir a primeira mulher. Ao morrer o homem (e a mulher) é enterrado, decompõe-se e se integra à terra, ou seja, ao barro que lhe deu origem. Explicação perfeitamente aceitável para um adepto da Teoria Criacionista.

Ocorre que como biólogo, confesso que tenho uma forte inclinação paro o evolucionismo (Teoria Evolucionista), mas acabei de falar que utilizo trechos da bíblia para ilustrar aulas de biologia. Também falei que discordo da opinião de incompatibilidade entre ciência e religião. Como então explicar o paradoxo? Na minha opinião não há contradição pois essa magistral e enigmática frase " Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos ao pó voltarão", que consta do capítulo 3 do livro de Eclesiastes tornou-se perfeitamente explicável à luz da biologia após o desenvolvimento científico que culminou com a descoberta do átomo, dos elementos químicos e dos micróbios. Em outras palavras, digo que o desenvolvimento científico é um forte aliado na interpretação dos enigmas contidos nos textos bíblicos!

Nascer e morrer são os dois extremos da condição humana e, por extensão, de qualquer ser vivo. Tudo o que está antes da vida e depois da morte não é de conhecimento da ciência e figura no fértil território da especulação, inclusive da especulação religiosa! No entanto, à luz da ciência, não há mais dúvidas a respeito da nossa constituição bioquímica, com predomínio de elementos químicos como carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre.
São esses elementos e outros, em menor proporção, que se organizam adequadamente para formar moléculas de complexidades variáveis, as quais viabilizarão a organização celular que é a base da constituição do corpo humano (e de todos os organismos unicelulares ou pluricelulares). Por sua vez, quando um elemento químico não está quimicamente ligado a outro, ou seja, está sozinho, recebe a denominação de átomos. Eis a essência da questão! O pó referido no capítulo 3 de Eclesiastes diz respeito à astronômica quantidade de átomos que - quando devidamente agregados em moléculas - dão origem a um organismo e o mantém vivo. Por ocasião da morte, as ligações químicas que mantém esses elementos químicos unidos são quebradas e os respectivos átomos são devolvidos à natureza para que se envolvam em outras reações bioquímicas, possibilitando a geração de outras vidas.

Sendo assim, não podemos nos surpreender se um átomo de carbono que em um dado momento se encontrava constituindo o organismo de um ser humano for encontrado em uma segunda ocasião constituindo o organismo de um vegetal ou até de um micróbio. Isso porque, uma vez retornado à condição de pó (poeira de átomos), esses átomos estão disponíveis para serem utilizados na organização de outros organismos, corroborando a célebre frase de Lavoisier de que "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".

Os micróbios, por fim, desempenham papel fundamental nesse processo de devolução dos átomos à natureza. À ação microbiana chamamos de decomposição. São eles que realizam todo o processo que vou aqui denominar entropia, pois consiste em desmontar as células mortas até o nível atômico, quando então os elementos químicos que as constituíam ficam disponíveis para reutilização.


Próxima Publicação.

Sangue... Ninguém precisa, até precisar.

  •